Laura ficou séria no mesmo instante. O corpo, ainda quente, enrijeceu. Ela sentou-se na mesa na mesma hora, os olhos abertos, fixos em Edgar.
Do outro lado da linha, a voz de dona Rute saiu trêmula.
— Ela não viu nada, senhor — continuou a empregada. — Fui deixar umas roupas no closet de dona Marcela e a vi caída no chão. Não sei como, mas consegui ter sabedoria. Chamei a cozinheira para ficar no quarto com a Luna e chamei o socorro. Quando eles chegaram, a Luna estava com fones no ouvido. Mas agora ela está chorando muito, chamando pelo senhor e pela mãe.
— Leva o celular até ela, dona Rute — pediu Edgar, a voz firme.
Laura o encarou, os olhos cheios de preocupação.
— O que houve com a Luna, amor?
— Ela não sabe o que aconteceu com a mãe — respondeu ele colocando a chamada no viva voz. — Mas está chorando muito, me chamando… chamando a mãe.
— Papai… — disse Luna, chorando.
Edgar mudou completamente o tom.
— Luz da minha vida, por que você está chorando? — perguntou Edgar.
— Papai, eu não sei… eu tô triste — disse ela, fungando. — Vem ficar comigo?
Laura sentiu o peito apertar. Ela segurou o braço de Edgar com firmeza.
— Meu amor, o papai está um pouquinho longe — explicou ele com cuidado. — Lembra que eu te falei que iria fazer uma viagem rápida? Ontem você até me viu contando a história do jatinho…
Laura apertou mais o braço dele e falou baixo, decidida.
— Nós vamos voltar agora.
Edgar olhou para ela, admirado. Passou o polegar pelo rosto dela num carinho silencioso, cheio de gratidão.
— Papai… a mamãe disse que o senhor me abandonou. — Luna chorou.
O coração de Edgar pareceu falhar uma batida. Ele respirou fundo.
— Luna, nunca mais fala isso — respondeu ele, com firmeza e amor. — Eu nunca vou abandonar você, meu amor. Eu sei que tudo está sendo novo, mas nós vamos nos adaptar com essa nova vida. Se acalma. O papai vai se arrumar aqui e, em poucas horas, estarei chegando aí.
— Promessa de dedinho, papai? — perguntou ela, fungando.
— Promessa de dedinho — respondeu ele, tentando sorrir com a voz. — Agora para de chorar, senão você vai vomitar. Quero ver você se acalmando, combinado?
Laura desceu da mesa e foi para o quarto arrumar as coisas. Edgar observou e a acompanhou. Ele começou a contar uma história para Luna e sentou-se na cama. Quando ela se acalmou, despediu-se, e pediu para que ela passasse o celular para a empregada.
— Dona Rute, eu estou voltando.
Edgar desligou. Laura veio até ele e ficou entre as pernas dele.
— Desculpa por ter que acabar nosso momento assim — disse Edgar.
— Enquanto minha filha está internada no hospital, você estava se divertindo com a amante — disparou, levantando levemente o queixo em desprezo. — O que está fazendo aqui?
Edgar fechou a porta com cuidado excessivo, como se aquele simples gesto fosse uma tentativa de conter o caos. Endireitou os ombros antes de responder, a voz controlada, mas dura.
— Eu não devo satisfação da minha vida à senhora — disse, pausadamente. — Mas vou respeitar sua idade. Estou na minha casa. E Laura não é minha amante. A senhora sabe muito bem que Marcela e eu estávamos separados há muito tempo. — Ele respirou fundo. — Se me der licença, vou pegar minha filha.
Sem esperar resposta, virou-se em direção à escada. A movimentação foi imediata. Eleanor se levantou bruscamente, o rosto vermelho, as mãos tremendo de raiva.
— Minha filha está assim por sua culpa! — gritou, avançando um passo. — E a minha neta não sai daqui!
Edgar se virou na mesma hora. O olhar, antes contido, agora era firme, cortante.
— Eu nunca enganei sua filha — respondeu, cada palavra dita com precisão. — Ela sempre soube dos meus sentimentos pela Laura. Eu não a forcei a ir atrás de mim. Ela foi porque quis. Era maior de idade. — A mandíbula dele se contraiu. — Eu amo a minha filha. Mas, se Marcela não tivesse armado tudo, a Luna hoje não existiria. Tenho certeza de que ela não te contou que engravidou para tentar me segurar. Os erros dela, ela não vai revelar. É mais cômodo colocar a culpa em cima de mim.
Eleanor soltou uma risada amarga, cheia de rancor.
— Você adoeceu minha filha — rebateu. — Ela tinha uma carreira brilhante pela frente.
— Eu não tenho culpa se ela entrou em depressão depois que uma criança morreu nos braços dela — respondeu Edgar, a voz agora mais grave, carregada de cansaço. — Nós somos médicos. Sabemos que isso pode acontecer. — Ele fez uma breve pausa. — Os médicos me garantiram que ela já estava curada. Só depois disso decidi refazer minha vida. Agora, eu não tenho culpa se sua filha não tem amor-próprio e é obcecada por mim.
Edgar voltou a se virar, decidido a subir as escadas, mas Eleanor avançou mais um passo, tomada por um ódio cru, quase primitivo.
— Você não tira minha neta daqui, seu negro miserável. Está me ouvindo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quero mais, tava na hora de Olivia ter um pouquinho de felicidade...
Escritora não demore pra postar,...
QUEROOOO MAIS CAPITULOOOOOS, POR FAVOR HAHAHAH...
Mds, queroooo mais!!!...
nossa quanto tempo mais? ai quando solta é so 10 capitulos...
Faz 10 dias sem novidades...
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....