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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 224

Laura ficou séria no mesmo instante. O corpo, ainda quente, enrijeceu. Ela sentou-se na mesa na mesma hora, os olhos abertos, fixos em Edgar.

Do outro lado da linha, a voz de dona Rute saiu trêmula.

— Ela não viu nada, senhor — continuou a empregada. — Fui deixar umas roupas no closet de dona Marcela e a vi caída no chão. Não sei como, mas consegui ter sabedoria. Chamei a cozinheira para ficar no quarto com a Luna e chamei o socorro. Quando eles chegaram, a Luna estava com fones no ouvido. Mas agora ela está chorando muito, chamando pelo senhor e pela mãe.

— Leva o celular até ela, dona Rute — pediu Edgar, a voz firme.

Laura o encarou, os olhos cheios de preocupação.

— O que houve com a Luna, amor?

— Ela não sabe o que aconteceu com a mãe — respondeu ele colocando a chamada no viva voz. — Mas está chorando muito, me chamando… chamando a mãe.

— Papai… — disse Luna, chorando.

Edgar mudou completamente o tom.

— Luz da minha vida, por que você está chorando? — perguntou Edgar.

— Papai, eu não sei… eu tô triste — disse ela, fungando. — Vem ficar comigo?

Laura sentiu o peito apertar. Ela segurou o braço de Edgar com firmeza.

— Meu amor, o papai está um pouquinho longe — explicou ele com cuidado. — Lembra que eu te falei que iria fazer uma viagem rápida? Ontem você até me viu contando a história do jatinho…

Laura apertou mais o braço dele e falou baixo, decidida.

— Nós vamos voltar agora.

Edgar olhou para ela, admirado. Passou o polegar pelo rosto dela num carinho silencioso, cheio de gratidão.

— Papai… a mamãe disse que o senhor me abandonou. — Luna chorou.

O coração de Edgar pareceu falhar uma batida. Ele respirou fundo.

— Luna, nunca mais fala isso — respondeu ele, com firmeza e amor. — Eu nunca vou abandonar você, meu amor. Eu sei que tudo está sendo novo, mas nós vamos nos adaptar com essa nova vida. Se acalma. O papai vai se arrumar aqui e, em poucas horas, estarei chegando aí.

— Promessa de dedinho, papai? — perguntou ela, fungando.

— Promessa de dedinho — respondeu ele, tentando sorrir com a voz. — Agora para de chorar, senão você vai vomitar. Quero ver você se acalmando, combinado?

Laura desceu da mesa e foi para o quarto arrumar as coisas. Edgar observou e a acompanhou. Ele começou a contar uma história para Luna e sentou-se na cama. Quando ela se acalmou, despediu-se, e pediu para que ela passasse o celular para a empregada.

— Dona Rute, eu estou voltando.

Edgar desligou. Laura veio até ele e ficou entre as pernas dele.

— Desculpa por ter que acabar nosso momento assim — disse Edgar.

— Enquanto minha filha está internada no hospital, você estava se divertindo com a amante — disparou, levantando levemente o queixo em desprezo. — O que está fazendo aqui?

Edgar fechou a porta com cuidado excessivo, como se aquele simples gesto fosse uma tentativa de conter o caos. Endireitou os ombros antes de responder, a voz controlada, mas dura.

— Eu não devo satisfação da minha vida à senhora — disse, pausadamente. — Mas vou respeitar sua idade. Estou na minha casa. E Laura não é minha amante. A senhora sabe muito bem que Marcela e eu estávamos separados há muito tempo. — Ele respirou fundo. — Se me der licença, vou pegar minha filha.

Sem esperar resposta, virou-se em direção à escada. A movimentação foi imediata. Eleanor se levantou bruscamente, o rosto vermelho, as mãos tremendo de raiva.

— Minha filha está assim por sua culpa! — gritou, avançando um passo. — E a minha neta não sai daqui!

Edgar se virou na mesma hora. O olhar, antes contido, agora era firme, cortante.

— Eu nunca enganei sua filha — respondeu, cada palavra dita com precisão. — Ela sempre soube dos meus sentimentos pela Laura. Eu não a forcei a ir atrás de mim. Ela foi porque quis. Era maior de idade. — A mandíbula dele se contraiu. — Eu amo a minha filha. Mas, se Marcela não tivesse armado tudo, a Luna hoje não existiria. Tenho certeza de que ela não te contou que engravidou para tentar me segurar. Os erros dela, ela não vai revelar. É mais cômodo colocar a culpa em cima de mim.

Eleanor soltou uma risada amarga, cheia de rancor.

— Você adoeceu minha filha — rebateu. — Ela tinha uma carreira brilhante pela frente.

— Eu não tenho culpa se ela entrou em depressão depois que uma criança morreu nos braços dela — respondeu Edgar, a voz agora mais grave, carregada de cansaço. — Nós somos médicos. Sabemos que isso pode acontecer. — Ele fez uma breve pausa. — Os médicos me garantiram que ela já estava curada. Só depois disso decidi refazer minha vida. Agora, eu não tenho culpa se sua filha não tem amor-próprio e é obcecada por mim.

Edgar voltou a se virar, decidido a subir as escadas, mas Eleanor avançou mais um passo, tomada por um ódio cru, quase primitivo.

— Você não tira minha neta daqui, seu negro miserável. Está me ouvindo?

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