A reação de Edgar foi imediata. Ele se virou bruscamente e avançou até ela, ficando a poucos centímetros de distância. O ar entre os dois se tornou pesado, sufocante. Eleonor chegou a recuar meio passo, mas sustentou o olhar, orgulhosa demais para admitir medo.
— Ouse tentar me impedir — disse Edgar, em tom baixo, controlado, mas perigosamente ameaçador. — A senhora está na mansão que foi comprada por esse “negro” aqui, que de miserável não tem nada.
Ele inclinou levemente o corpo para frente, impondo presença. A voz não subiu, mas cada palavra caiu pesada, irrevogável.
— Uma ligação… — fez uma breve pausa — e a senhora sai daqui presa. Só não faço isso porque não preciso do seu dinheiro como pagamento de indenização. E Luna não vai presenciar tragédias.
Os olhos de Edgar estavam frios, quase sem piscar.
— A vida vai te cobrar. E será com quem a senhora mais ama. — Respirou fundo, contendo a fúria que pulsava no peito. — Se tentar entrar no meu caminho, eu te derrubo como um rolo compressor. E te garanto que sua filha nunca mais verá a Luna.
O silêncio se instalou, pesado como uma sentença irrevogável.
— O que ela fez hoje mostra o quanto é desequilibrada — concluiu. — E eu tenho todo o direito de afastá-la da menina. Quero ver como Marcela vai reagir se a senhora for uma das causas de não poder criar a própria filha. — Fez uma última pausa, cruel e precisa. — Será que ela vai continuar te amando?
Eleonor o encarou, tomada pelo desprezo.
— Seu insolente…
Edgar não recuou um centímetro.
— É esse “negro” aqui, a quem a senhora chama de miserável e insolente, por quem sua filha morre de amor — rebateu, com frieza implacável. — Foi por mim que ela fez questão de armar uma gravidez. E não se esqueça: a sua neta tem o meu sangue correndo nas veias. Não ouse tentar questionar a minha autoridade sobre a minha filha. Luna tem pai. E tem um pai presente.
Edgar virou-se e subiu as escadas. Ao abrir a porta do quarto, a tensão se dissolveu parcialmente. Dona Rute dormia sentada na cama, o corpo inclinado de cansaço, enquanto Luna estava encolhida ao seu lado, envolta na coberta.
— Dona Rute… cheguei — disse ele em voz baixa. — Dona Rute…
A empregada despertou sobressaltada, levando a mão ao peito.
— Desculpa, senhor Edgar… acabei dormindo.
— Não tem problema — respondeu ele com suavidade, aproximando-se da cama. — Muito obrigado por ter cuidado dela. Pode tirar o dia de folga hoje.
Ele pegou Luna no colo com cuidado, ajeitando melhor a coberta ao redor do corpo pequeno. A menina se mexeu levemente, mas não acordou.
— Esqueci de ligar pro senhor e avisar que a avó da menina estava aqui — sussurrou Dona Rute, visivelmente constrangida.
— Não tem problema — respondeu ele, sem demonstrar surpresa. — Pode me ajudar com a mala?
Edgar desceu as escadas com Luna nos braços. Passou por Eleanor sem sequer lançar-lhe um olhar. Abriu a porta e saiu da mansão.
Do lado de fora, Laura já havia saído do carro. Assim que viu a menina, aproximou-se instintivamente.
— Amor, eu vou atrás com ela — disse, com cuidado. — Bom dia, dona Rute.
— Bom dia. — respondeu a empregada com um sorriso sincero. — A senhora é mais linda pessoalmente. Senhor Edgar tem muita sorte.
Laura sorriu, tocada.
— Não precisa me chamar de senhora. E obrigada pelo elogio… e por cuidar da Luna. Eu sei que isso não era sua função. — respondeu ela tocando no ombro de dona Rute. — Pelo visto, acabei sendo promovida sem aviso prévio.
O clima suavizou, e todos sorriram.

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