Uma semana havia passado. A recepção da Trident Marine tinha o mesmo cheiro de sempre: sofisticação, poder e silêncio caro. Bárbara atravessou as portas de vidro como se fosse dona daquele lugar.
Vestia um conjunto elegante, cabelo impecável, maquiagem discreta, mas feita para causar impacto. O salto alto ecoava no mármore, chamando atenção o suficiente para fazer algumas cabeças se virarem. A recepcionista a reconheceu na mesma hora.
E congelou.
— Boa tarde… — a voz saiu baixa, tensa. — Senhorita Bárbara.
Bárbara sorriu com calma, ajustando a alça da bolsa no ombro, como se estivesse ali apenas para buscar um café.
— Boa tarde. — Ela apoiou a mão no balcão com delicadeza. — Eu preciso falar com o senhor Liam.
A recepcionista engoliu em seco, os dedos apertando levemente o teclado, como se buscasse uma saída.
— O senhor Liam… não está recebendo. — Ela manteve o sorriso profissional, mas o olhar vacilou. — Só com hora marcada.
Bárbara inclinou o rosto, mantendo o sorriso. O olhar dela ficou mais firme, mais frio por trás da educação.
— Eu não vim por capricho. Vim resolver uma pendência jurídica. — Ela abriu a bolsa sem pressa, como quem já sabia que teria que insistir.
Bárbara tirou uma pasta fina, impecavelmente organizada, e a deslizou sobre o balcão.
— Termo final. Multa. Direitos de imagem. — Ela bateu de leve com a ponta do dedo na capa da pasta. — E eu só vou resolver isso com ele. Pessoalmente.
A recepcionista hesitou, claramente desconfortável. Ela apertou os dedos um contra o outro por baixo do balcão, como se tentasse manter a postura. Depois, respirou fundo e pegou o telefone, evitando encarar Bárbara por tempo demais.
— Eu… — ela umedeceu os lábios, nervosa — vou avisar a senhora Mia.
Bárbara manteve o sorriso, erguendo levemente o queixo, impecável.
— Faça isso. — ela disse, doce. — Eu espero.
Bárbara sentou-se como se estivesse em casa. Como se ainda fosse a garota propaganda da Trident. Como se não tivesse sido descartada.
Minutos depois, as portas do elevador se abriram, e Mia surgiu pelo corredor com passos firmes, o tablet em mãos e a expressão profissional. Mas o olhar dela… dizia tudo.
— Bárbara. — Mia parou à frente dela, sem cordialidade exagerada. O maxilar se contraiu discretamente. — O que você está fazendo aqui?
Bárbara se levantou com delicadeza, como se a própria presença fosse um favor. Ela ajeitou o blazer, alisando a manga com calma.
— Eu vim resolver o que ficou pendente. — Ela inclinou a cabeça, como se falasse com uma criança teimosa. — Você sabe que isso existe. — Deu um passo pequeno à frente, mantendo o sorriso. — E sabe que eu não vou assinar nada sem falar com o Liam.
Mia cruzou os braços, o tablet preso contra o corpo, como se fosse um escudo.
— Ele não quer contato com você. — A voz saiu firme, sem espaço para negociação. — Eu não vim pra conversar sobre sentimentos. — Bárbara disse, fingindo serenidade.
Ela abriu a pasta e puxou um documento, mostrando só o suficiente para provocar.
— Vim por causa do contrato. E por causa da minha imagem. — bateu de leve com a ponta da unha no papel, controlada. — A Trident não pode usar minha imagem mais. Nem em catálogo, nem em site, nem em campanha antiga reaproveitada. — O sorriso dela cresceu, mas o olhar ficou gelado. — Se continuar, isso vira processo.
Mia apertou a mandíbula. Ela sabia que Bárbara estava certa. O jurídico provavelmente tinha deixado algo passar.
— Quer. — Mia confirmou.
Liam ficou em silêncio por um segundo. O tipo de silêncio que deixava a sala menor. Então, levantou o olhar pela primeira vez. Frio. Direto. Cortante.
— Vamos ver o que o inimigo quer aprontar. — disse, baixo, como uma sentença.
Ele se levantou devagar, sem pressa, ajustando o paletó com um gesto contido, como quem se prepara para uma reunião qualquer, não para um confronto.
— Traga ela. — A voz saiu firme, sem emoção. Ele ergueu o olhar para Mia, implacável. — E não a deixe passar pela Olívia.
Mia assentiu. Minutos depois, a porta da sala se abriu. Bárbara entrou.
O olhar dela varreu o ambiente com nostalgia e desejo disfarçados. A sala da presidência ainda tinha o mesmo ar: poder, controle, dinheiro e silêncio.
Mas então… o olhar dela parou em Liam. Ele estava novamente sentado revisando os documentos com calma, como se ela não fosse nada além de mais um item na agenda. Não levantou a cabeça. Não reagiu. Não ofereceu cadeira.
Só virou uma página. Sem pressa. Sem emoção. O tipo de frieza que humilhava mais do que qualquer grito.
— Seja rápida, Bárbara. — Liam disse, ainda olhando para os papéis. A caneta permaneceu entre os dedos. — Você tem cinco minutos.
Bárbara engoliu em seco. O tom dele… não era o mesmo de antes, frio. Estava pior. Ela tentou manter a postura. Endireitou os ombros, ajeitou a alça da bolsa e abriu a pasta com mãos cuidadosas.
— Eu… vim assinar o termo final. — disse, puxando os documentos. — Mas também… vim resolver a multa e os direitos de imagem. Eu não quero que usem mais nada meu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...