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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 10

Acordo assustada, com o coração disparado e aquela sensação irritante de que tem algo muito errado.

A luz entrando pela janela está forte demais, e o silêncio da casa pesa como se fosse intencional.

Tateio a mesinha até achar meu celular.

Olho a hora.

— O QUÊ?! — praticamente grito, sentando na cama de um pulo.

7h43.

Esfrego a mão no rosto e olho para o lado, finalmente lembrando por que perdi a hora completamente.

Oliver está encolhido ao meu lado, abraçado ao foguete de pelúcia, respirando suavemente.

Um anjo.

Um anjo que não combina em nada com o Oliver Sinclair que eu conheço.

— Como esqueci de colocar o alarme? — sussurro, passando as mãos no rosto. — Como?!

Provavelmente porque minha segunda noite aqui foi… intensa.

Demorei a pegar no sono depois daquela conversa com Lucas. Quando finalmente consegui, já passava das três da manhã.

E não demorou muito para eu acordar com um chorinho baixinho ao lado da minha cama.

Levei alguns segundos para entender que era Oliver. E que aquilo não era birra. Era medo.

“— Sonhei com… um buraco negro gigante — ele disse, fungando. — Ele comeu meu foguete. Aí comeu a Lua. Depois, o Homem-Aranha ciborgue. Depois, a casa toda. Daí, fiquei flutuando sozinho e… e ninguém me salvou.”

Aquilo me destruiu por dentro.

Não tenho diploma de pedagogia, psicologia, astrofísica ou seja lá o que Lucas Sinclair coleciona como requisito, mas sei reconhecer o medo de uma criança assustada com um pesadelo.

Então, fiz o que sempre fiz com Liam: mostrei que estava tudo bem, que ele estava seguro. Mesmo assim, Oliver só quis dormir quando o deixei ficar aqui comigo.

Quantas noites foram assim com meu irmão?

Balanço a cabeça, espantando a pontada no peito.

Chorar agora? Só se eu quiser perder o emprego em tempo recorde.

Preciso me levantar e começar meu trabalho. Agir como se não estivesse dividindo o teto com Lucas. Ignorar tudo o que aconteceu entre nós.

Passo a mão de leve nos cabelos de Oliver, tentando acordá-lo.

— Bom dia, pequeno astronauta — sussurro.

Oliver se mexe, murmura algo sobre Marte e simplesmente… volta a dormir.

O pequeno está exausto.

Sorrio e me levanto devagar, tentando não fazer barulho.

Vou ao banheiro, lavo o rosto e escovo os dentes numa velocidade que desafiaria qualquer recorde olímpico. Volto para o quarto, pego o uniforme e me troco o mais rápido possível.

Quando termino, olho de novo para Oliver, ainda completamente entregue ao sono.

— Te acordo agora ou te deixo dormir mais um pouquinho? — murmuro, mordendo o lábio. — Ah, cinco minutinhos não vão matar ninguém, né?

Saio devagar, fecho a porta e desço as escadas quase correndo.

Ao chegar na cozinha, encontro a Sra. Mallory organizando as xícaras com aquela precisão que dá até medo.

Ela me encara de cima a baixo, com os olhos estreitados.

Dessa vez, ele abre os olhos devagar, piscando várias vezes como se tivesse sido teletransportado.

— Ivy? — murmura, com a voz rouquinha de sono.

— Bom dia, pequeno — digo, sorrindo. — Dormiu bem?

Ele assente, ainda meio lento, e esfrega os olhos com as costas da mão.

— O buraco negro não voltou — ele sussurra, sério. — Você não mentiu.

— Eu disse que não ia voltar — respondo, ajeitando os cabelos bagunçados dele. — Agora vamos, você precisa tomar café e se arrumar para brincar.

Ele senta na cama, mole, e eu aproveito para correr até o quarto dele e pegar a roupa que já tinha separado ontem.

Alguns minutos depois, descemos para o café.

Quando passamos pela sala de estar, Blair está na poltrona, impecável às 8h20 da manhã, o que já deveria ser considerado superpoder. Ela levanta os olhos quando nos vê.

— Bom dia, Oliver — diz, com um sorriso que não alcança nem a metade dos olhos.

— Bom dia, Blair — ele responde, sem entusiasmo nenhum, e corre para a sala de jantar.

Vou atrás dele, mas a voz dela me para no lugar.

— Ivy — ela chama, ainda encarando o celular —, posso saber por que meu filho dormiu no seu quarto?

Engulo em seco.

— Ele teve um pesadelo, Sra. Sinclair. Só se acalmou quando o deixei ficar no meu…

— Pesadelo… — ela repete, interrompendo, com um sorriso frio. — Espero que isso não se repita. Não quero ver meu filho se apegando a… alguém que não vai durar muito aqui.

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