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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 9

Os passos pararam bem em frente ao meu quarto.

Ou… perto demais para ser coincidência.

Respiro fundo, afasto o lençol e me levanto devagar, tentando não fazer barulho.

Caminho até a porta na ponta dos pés, seguro a maçaneta e abro somente uma fresta.

O corredor está escuro, iluminado só pela luz fraca que vem da escada, mas consigo ver Lucas parado em frente à porta do quarto de Oliver.

Ele empurra a porta com cuidado, entra… e desaparece no escuro.

Solto o ar que nem percebi que estava prendendo.

Ele só veio ver o filho.

Obviamente.

Ainda assim, continuo meio escondida atrás da minha própria porta, esperando.

Não sei por que não volto para a cama. Talvez porque meu corpo simplesmente se recuse a relaxar enquanto ele estiver por perto.

Pouco depois, Lucas sai do quarto de Oliver e fecha a porta com o mesmo cuidado.

Então se vira… e me vê.

Os olhos verdes percorrem meu corpo num movimento lento, deliberado. Dos pés descalços, passando pelas pernas nuas, subindo pelo shortinho de pijama, pela camiseta larga…

Até finalmente encontrar meu rosto.

O ar entre nós fica pesado.

Ele limpa a garganta, quebrando o silêncio.

— O que está fazendo aí? — pergunta, baixo, controlado demais para ser casual.

— Eu… ouvi passos — respondo, saindo do quarto e fechando a porta atrás de mim. — Fiquei preocupada que fosse o Oliver acordado.

Ele assente devagar, mas não desvia o olhar.

— Boa noite, Srta. Collins — diz, já se virando para sair.

Mordo o lábio, juntando coragem.

— Preciso conversar com você — solto, rápido demais, fazendo-o se virar novamente, com as sobrancelhas franzidas.

— Agora?

— Sim. Agora.

Ele cruza os braços, esperando.

Olho para o corredor, especificamente para a porta do quarto dele, onde Blair provavelmente está dormindo, e engulo em seco.

— Pode ser… em outro lugar?

Lucas me observa por longos segundos, como se estivesse avaliando se a conversa realmente vale a pena. Então assente, fazendo um gesto para que eu o siga.

Desço atrás dele, pisando de leve nos degraus frios, tentando não fazer barulho.

Atravessamos o corredor em silêncio até ele parar diante de uma das últimas portas. Lucas a empurra, acende uma luz e faz sinal para que eu entre.

Passo por ele, sentindo o calor do corpo dele quando nossos ombros quase se tocam.

Ele fecha a porta e se encosta nela, cruzando os braços como se estivesse escondendo as mãos de propósito.

Como se não confiasse nelas.

— Então? — provoca, erguendo uma sobrancelha. — O que é tão urgente que não podia esperar até amanhã?

Respiro fundo.

Vai direto ao ponto, Ivy. Sem rodeios.

— E agora, mais do que nunca, concordo com você — continuo, firme. — O que aconteceu não vai se repetir. Se você está acostumado a agir como um… safado, eu não vou compactuar com isso.

Ele solta uma risada curta, quase cruel, e dá um passo na minha direção.

Recuo por instinto.

Depois, outro passo. E mais um.

Até minhas costas baterem na mesa do escritório.

Lucas se inclina, apoiando as mãos na madeira, uma de cada lado do meu corpo, me encurralando.

Meu coração dispara. Tento recuar, mas não há para onde ir.

— Escuta bem, Ivy — ele murmura, tão perto que sinto sua respiração no meu rosto. — Não vai acontecer mais nada entre nós. Já deixei isso claro. Não precisa repetir.

Ele ergue a mão devagar, segura meu queixo e levanta meu rosto, forçando meu olhar ao dele.

— Então não se sinta confiante demais — continua, a voz baixa e perigosa. — Não pense que pode falar comigo desse jeito só porque eu te beijei um dia.

Lucas se afasta por fim, e o ar finalmente volta aos meus pulmões.

— Volte para o seu quarto, Srta. Collins — ordena, frio. — E da próxima vez que quiser me confrontar, escolha melhor suas palavras.

Engulo em seco, endireito os ombros e passo por ele sem dizer mais nada.

Saio do escritório, subo as escadas e só volto a respirar quando fecho a porta do meu quarto.

Encosto as costas na madeira e fecho os olhos.

— Nunca mais — sussurro, como um mantra. — Nunca mais aquilo não vai acontecer de novo.

Vou fazer meu trabalho. Vou juntar o dinheiro que preciso. Vou evitar ao máximo aquele homem.

Aquela tentação de terno.

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