Os passos pararam bem em frente ao meu quarto.
Ou… perto demais para ser coincidência.
Respiro fundo, afasto o lençol e me levanto devagar, tentando não fazer barulho.
Caminho até a porta na ponta dos pés, seguro a maçaneta e abro somente uma fresta.
O corredor está escuro, iluminado só pela luz fraca que vem da escada, mas consigo ver Lucas parado em frente à porta do quarto de Oliver.
Ele empurra a porta com cuidado, entra… e desaparece no escuro.
Solto o ar que nem percebi que estava prendendo.
Ele só veio ver o filho.
Obviamente.
Ainda assim, continuo meio escondida atrás da minha própria porta, esperando.
Não sei por que não volto para a cama. Talvez porque meu corpo simplesmente se recuse a relaxar enquanto ele estiver por perto.
Pouco depois, Lucas sai do quarto de Oliver e fecha a porta com o mesmo cuidado.
Então se vira… e me vê.
Os olhos verdes percorrem meu corpo num movimento lento, deliberado. Dos pés descalços, passando pelas pernas nuas, subindo pelo shortinho de pijama, pela camiseta larga…
Até finalmente encontrar meu rosto.
O ar entre nós fica pesado.
Ele limpa a garganta, quebrando o silêncio.
— O que está fazendo aí? — pergunta, baixo, controlado demais para ser casual.
— Eu… ouvi passos — respondo, saindo do quarto e fechando a porta atrás de mim. — Fiquei preocupada que fosse o Oliver acordado.
Ele assente devagar, mas não desvia o olhar.
— Boa noite, Srta. Collins — diz, já se virando para sair.
Mordo o lábio, juntando coragem.
— Preciso conversar com você — solto, rápido demais, fazendo-o se virar novamente, com as sobrancelhas franzidas.
— Agora?
— Sim. Agora.
Ele cruza os braços, esperando.
Olho para o corredor, especificamente para a porta do quarto dele, onde Blair provavelmente está dormindo, e engulo em seco.
— Pode ser… em outro lugar?
Lucas me observa por longos segundos, como se estivesse avaliando se a conversa realmente vale a pena. Então assente, fazendo um gesto para que eu o siga.
Desço atrás dele, pisando de leve nos degraus frios, tentando não fazer barulho.
Atravessamos o corredor em silêncio até ele parar diante de uma das últimas portas. Lucas a empurra, acende uma luz e faz sinal para que eu entre.
Passo por ele, sentindo o calor do corpo dele quando nossos ombros quase se tocam.
Ele fecha a porta e se encosta nela, cruzando os braços como se estivesse escondendo as mãos de propósito.
Como se não confiasse nelas.
— Então? — provoca, erguendo uma sobrancelha. — O que é tão urgente que não podia esperar até amanhã?
Respiro fundo.
Vai direto ao ponto, Ivy. Sem rodeios.
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