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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 11

As palavras da Blair martelam na minha cabeça como um alarme chato que ninguém pediu para tocar.

Fico parada no meio da sala de estar, tentando processar o veneno embrulhado em seda que ela acabou de despejar.

Ela nem tirou os olhos do celular. Nem fingiu que isso é uma preocupação maternal legítima.

Foi só um aviso.

Ou, pensando bem: uma aposta.

Ela está esperando que eu fuja. Que desista e vire mais um nome na lista de babás que não sobreviveram aos primeiros dias.

Respiro fundo e endireito os ombros.

— Entendido, Sra. Sinclair — digo, mantendo a voz profissional mesmo com a irritação borbulhando. — Vou… dar o café para o Oliver.

Ela finalmente levanta o rosto, me encara com aquele olhar gelado que parece medir quanto tempo ainda tenho de validade por aqui.

— Ótimo — responde, voltando a atenção para o celular. — Então vá fazer seu trabalho, queridinha.

Franzo as sobrancelhas com o tom dela, mas assinto e me afasto.

Será que Blair desconfia de algo? Será que está me tratando assim porque Lucas confessou a traição?

Balanço a cabeça, afastando os pensamentos.

Não, isso é impossível. Ela não me manteria aqui se soubesse.

Entro na sala de jantar e encontro Oliver já sentado à mesa, encarando a janela como se estivesse esperando uma nave pousar no quintal.

A Sra. Mallory chega logo em seguida com o café: panquecas com mel, frutas e torradas.

Oliver olha para o prato como se estivesse avaliando se vai comer… ou declarar guerra.

Cruzo os dedos mentalmente.

— Essas aqui parecem discos voadores — improviso, apontando para as panquecas. — Aposto que são feitas com farinha intergaláctica.

— Não são discos voadores — ele retruca, revirando os olhos azuis. — São só panquecas.

— Ah, é? — provoco, sorrindo. — Então me explica por que são redondas assim. Coincidência? Sei não, hein…

Ele morde o lábio, tentando segurar um sorriso, e falha lindamente.

— Tá bom, talvez sejam discos voadores — admite, cortando um pedaço e colocando na boca.

Vitória.

Pequena, mas vitória.

Blair entra na sala de jantar alguns minutos depois, já com a bolsa no ombro e os óculos escuros enfiados no topo da cabeça como se fosse uma coroação.

— Vou sair — anuncia, sem nem checar se Oliver está vivo. — Tenho algumas coisas para resolver. Volto à tarde. Tchau, querido.

E pronto. Sai sem esperar respostas, sem um abraço ou um beijo.

Que tipo de mãe é essa que simplesmente age como… se o filho não existisse?

Oliver continua comendo como se nada tivesse acontecido, mas noto o jeito como os ombros dele murcham bem de leve.

Meu peito aperta, mas não falo nada. Só fico ao lado dele.

Às vezes, só a presença já ajuda.

Depois do café, ajudo Oliver a escovar os dentes e vamos para a sala de brinquedos.

— O que você quer fazer hoje? — pergunto, sentando no chão com ele.

Ele observa tudo ao redor como se estivesse analisando seu vasto império de brinquedos.

— Quero… — ele pensa, sério. — Quero ir para a Lua.

— Olha, infelizmente a NASA é meio chata com isso de enviar menores de cinco anos. Mas podemos ir ao parque que vi aqui perto.

Os olhos dele brilham na hora.

— Quase isso — digo, rindo. — Vai lá, astronauta.

Oliver nem responde, só corre.

Ele sobe no foguete, desce o escorregador berrando “DECOLAGEM!”, tenta convencer outras crianças de que trabalha para a NASA e me obriga a fazer controles de “gravidade zero” com as mãos.

Sento num banco por alguns minutos, observando.

E, pela primeira vez desde que cheguei nessa cidade maluca, sinto… paz.

Oliver ri. Corre. Brinca. Sem o peso que sempre parece pendurado nos ombros dele.

Sem ser “o filho problemático do CEO" ou “o menino que morde babás”.

Só… Oliver. Uma criança de quatro anos, feliz porque o escorregador parece uma rampa de lançamento.

— IVY! — ele grita do topo do foguete, acenando com a energia de alguém que tomou três litros de suco. — OLHA COMO EU TÔ QUASE NA LUA!

— Tá quase mesmo! — respondo, acenando. — Só cuidado para não bater a cabeça nos asteroides!

Ele gargalha, aquela risada alta de criança feliz.

Pego o celular e tiro uma foto dele lá no alto, sorrindo como se o mundo fosse simples.

Não sei por que faço isso, mas… parece certo guardar esse momento.

Então, antes que eu consiga bloquear a tela, meu celular vibra.

Notificação do banco. Ótimo.

Decido ignorar por enquanto. Não vou estragar o sorriso dele por causa da minha vida quebrada.

Foto perfeita.

Realidade, nem tanto.

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