As palavras da Blair martelam na minha cabeça como um alarme chato que ninguém pediu para tocar.
Fico parada no meio da sala de estar, tentando processar o veneno embrulhado em seda que ela acabou de despejar.
Ela nem tirou os olhos do celular. Nem fingiu que isso é uma preocupação maternal legítima.
Foi só um aviso.
Ou, pensando bem: uma aposta.
Ela está esperando que eu fuja. Que desista e vire mais um nome na lista de babás que não sobreviveram aos primeiros dias.
Respiro fundo e endireito os ombros.
— Entendido, Sra. Sinclair — digo, mantendo a voz profissional mesmo com a irritação borbulhando. — Vou… dar o café para o Oliver.
Ela finalmente levanta o rosto, me encara com aquele olhar gelado que parece medir quanto tempo ainda tenho de validade por aqui.
— Ótimo — responde, voltando a atenção para o celular. — Então vá fazer seu trabalho, queridinha.
Franzo as sobrancelhas com o tom dela, mas assinto e me afasto.
Será que Blair desconfia de algo? Será que está me tratando assim porque Lucas confessou a traição?
Balanço a cabeça, afastando os pensamentos.
Não, isso é impossível. Ela não me manteria aqui se soubesse.
Entro na sala de jantar e encontro Oliver já sentado à mesa, encarando a janela como se estivesse esperando uma nave pousar no quintal.
A Sra. Mallory chega logo em seguida com o café: panquecas com mel, frutas e torradas.
Oliver olha para o prato como se estivesse avaliando se vai comer… ou declarar guerra.
Cruzo os dedos mentalmente.
— Essas aqui parecem discos voadores — improviso, apontando para as panquecas. — Aposto que são feitas com farinha intergaláctica.
— Não são discos voadores — ele retruca, revirando os olhos azuis. — São só panquecas.
— Ah, é? — provoco, sorrindo. — Então me explica por que são redondas assim. Coincidência? Sei não, hein…
Ele morde o lábio, tentando segurar um sorriso, e falha lindamente.
— Tá bom, talvez sejam discos voadores — admite, cortando um pedaço e colocando na boca.
Vitória.
Pequena, mas vitória.
Blair entra na sala de jantar alguns minutos depois, já com a bolsa no ombro e os óculos escuros enfiados no topo da cabeça como se fosse uma coroação.
— Vou sair — anuncia, sem nem checar se Oliver está vivo. — Tenho algumas coisas para resolver. Volto à tarde. Tchau, querido.
E pronto. Sai sem esperar respostas, sem um abraço ou um beijo.
Que tipo de mãe é essa que simplesmente age como… se o filho não existisse?
Oliver continua comendo como se nada tivesse acontecido, mas noto o jeito como os ombros dele murcham bem de leve.
Meu peito aperta, mas não falo nada. Só fico ao lado dele.
Às vezes, só a presença já ajuda.
Depois do café, ajudo Oliver a escovar os dentes e vamos para a sala de brinquedos.
— O que você quer fazer hoje? — pergunto, sentando no chão com ele.
Ele observa tudo ao redor como se estivesse analisando seu vasto império de brinquedos.
— Quero… — ele pensa, sério. — Quero ir para a Lua.
— Olha, infelizmente a NASA é meio chata com isso de enviar menores de cinco anos. Mas podemos ir ao parque que vi aqui perto.
Os olhos dele brilham na hora.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO