Lucas segue meu olhar e também vê Blair. A mandíbula dele se contrai, mas ele não diz nada.
Os olhos dela percorrem o salão até… nos encontrar. Ficamos nos encarando por um segundo. Ela não sorri nem acena, só me encara antes de se sentar.
— Lucas, não é melhor a gente…
— Ivy — ele me interrompe, me forçando a encará-lo. — Não deixe a Blair te atingir, ok?
Assinto, respirando fundo.
— Agora vamos aproveitar a noite — continua, sorrindo de lado — Comer, beber e talvez dar lances ridiculamente altos em quadros horríveis só porque podemos.
— Como é bom ver um bilionário viver — murmuro, rindo apesar de tudo.
Alguns minutos depois, o jantar é servido. Tudo é apresentado como obras de arte sobre pratos de porcelana, mas mal consigo sentir o gosto de qualquer coisa.
Porque, desde que Blair chegou, os olhares mudaram. Não são mais discretos; agora são escancarados, acompanhados de sussurros que nem se dão ao trabalho de disfarçar.
— Vamos embora logo após o leilão, ok? — Lucas sussurra, percebendo minha tensão. — Precisamos aguentar só mais alguns minutos.
Concordo com a cabeça, forçando um sorriso.
Quando os pratos são finalmente retirados, as luzes do salão diminuem e um homem animado sobe ao palco.
— Boa noite a todos — cumprimenta, com um sorriso largo. — Espero que estejam aproveitando a noite. Agora, vamos ao que interessa: o leilão beneficente! Toda a renda será destinada à Fundação Childhood Hope, então, sejam generosos!
Aplausos educados ecoam pelo salão.
O leilão começa com uma pintura que, honestamente, parece ter sido feita por uma criança de cinco anos. Ainda assim, os lances começam… e são assustadores.
— Cinquenta mil — anuncia uma mulher na mesa ao lado.
— Sessenta!
— Setenta e cinco!
Lucas observa tudo com expressão entediada, tomando um gole do whisky.
— Você não vai dar um lance?
— Naquilo? — Ele responde, apontando discretamente para a tela. — Prefiro doar diretamente para a fundação.
Rio baixo, balançando a cabeça.
O leilão continua. Pinturas, esculturas, uma viagem para as Maldivas, um relógio antigo…
— E agora temos uma peça verdadeiramente especial — o apresentador anuncia. — Um colar de diamantes e safiras, criado exclusivamente pela Cartier. O lance inicial é de duzentos mil dólares.
Arqueio as sobrancelhas, surpresa com o valor. Mas, quando vejo a peça, entendo.
É deslumbrante e delicada, com pequenos diamantes contornando safiras azuis, formando um lindo coração.
— Que lindo — sussurro, sem conseguir desviar o olhar.
Os lances começam. Duzentos, duzentos e cinquenta, e então…
— Trezentos mil — Lucas diz calmamente, levantando a plaquinha numerada.
Me viro para ele, surpresa. Ele continua com os olhos fixos no colar.
— Trezentos e cinquenta — alguém responde do fundo do salão.
— Quinhentos mil — Lucas rebate, imediatamente.
O salão fica em silêncio por alguns segundos.
— Quinhentos mil, uma vez… duas vezes… vendido! — o apresentador anuncia, batendo o martelo. — Para o Sr. Sinclair!
Aplausos ecoam ao redor, e sinto meu rosto esquentar.
— Vai ficar lindo em você — ele sussurra, segurando minha mão.
— Mas… é muito caro.
— E você merece — responde, simplesmente.
— Você não sabe nada sobre mim — digo, sentindo a raiva subir. — Está completamente errada.
— Estou? — provoca, erguendo uma sobrancelha. — Então me diz, Ivy… o que você tem que seja realmente seu?
— Tenho o amor dele — solto, antes de conseguir me conter. — Algo que dinheiro não compra.
Blair ri baixo.
— Amor… que doce ilusão — repete, balançando a cabeça. — Querida, você realmente acha que Lucas sabe o que é amor? Ele só está encantado porque encontrou uma jovem submissa e inexperiente, disposta a aceitar qualquer migalha que ele jogue.
— Cala a boca — sussurro, dando um passo à frente.
— Ou o quê? Vai me bater na frente de todos?
Respiro pesadamente, lutando contra a vontade de fazer exatamente isso.
Então, ela dá um passo para trás, tropeçando de propósito, e solta um grito agudo.
Algumas pessoas próximas imediatamente se viram para nós.
— O que aconteceu? — Uma mulher pergunta, se aproximando.
— Essa garota me empurrou — Blair diz, com a voz trêmula, levando a mão ao ombro.
— O quê? — exclamo, incrédula. — Eu não encostei nela!
Olho ao redor, vendo os olhares de julgamento, os sussurros recomeçando.
— Ivy, eu só queria te parabenizar pelo colar — ela continua, fingindo inocência. — Não precisava ser tão agressiva…
— Eu não fiz nada! — repito, sentindo a frustração apertar meu peito.
Mas ninguém parece convencido.
E Blair sorri… satisfeita.

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