Fico parada, imóvel, enquanto as pessoas ao redor me encaram como se eu fosse uma criminosa.
Blair continua com a mão no ombro, fingindo estar abalada, e a mulher ao lado dela a segura pelo braço, como se estivesse protegendo uma vítima frágil.
— Você deveria ter mais cuidado — a mulher diz para mim, com um olhar gélido.
— Eu não encostei nela! — repito, sentindo a voz tremer de raiva. — Ela está mentindo.
— Claro que está — outra mulher murmura, balançando a cabeça. — Mas o que esperar de uma… amante?
Blair levanta os olhos para mim e vejo o sorriso quase imperceptível em seus lábios. Perfeitamente ensaiado.
— Está tudo bem — ela diz, com a voz suave. — Tenho certeza de que foi só um… mal-entendido.
— Não foi mal-entendido nenhum — retruco, dando um passo à frente. — Você armou isso!
— Ivy? — A voz de Lucas corta o ar.
Me viro e o vejo vindo rapidamente na nossa direção, com a expressão insatisfeita.
Ele olha para mim, depois para Blair, e por fim para as mulheres ao redor.
— O que aconteceu aqui? — pergunta, parando ao meu lado e segurando minha cintura.
— Sua… acompanhante empurrou a pobre Blair — uma das mulheres responde, como se estivesse prestando um grande serviço.
— Eu não empurrei! — repito, pela milésima vez. — Lucas, eu juro. Ela está mentindo.
Ele me encara por alguns segundos. Então, se vira para Blair, que solta um suspiro dramático.
— Eu só vim cumprimentá-la, Lucas — ela começa, com a voz levemente trêmula. — Tentei ser educada, e ela começou a me tratar mal e…
— Isso é mentira! — interrompo, sentindo a indignação explodir de novo. — Ela veio me provocar! Disse que eu só estou com você por dinheiro. Que você vai se cansar de mim!
Blair suspira e balança a cabeça, como se estivesse lidando com uma criança descontrolada.
— Eu nunca diria algo assim — murmura, olhando para Lucas com expressão magoada. — Você me conhece, Lucas. Sabe que eu não faria isso.
— Sei exatamente do que você é capaz — Lucas responde, com a voz perigosamente calma. — Conheço você há tempo suficiente para saber quando está mentindo.
O sorriso de Blair diminui, especialmente quando as mulheres, que antes a defendiam, agora a encaram com um ponto de interrogação na testa.
— Lucas, eu só tentei ser gentil e…
— Para com a porra do teatro, Blair — ele a interrompe, firme. — Eu acredito na Ivy.
Meu coração desacelera, e finalmente consigo respirar direito.
Ele se vira para as mulheres.
— A conversa acabou — diz, num tom que não aceita discussão. — Sugiro que voltem para suas mesas.
Elas hesitam por um instante, mas acabam se afastando. Blair permanece parada, me encarando com ódio mal disfarçado.
— Você pode fingir que pertence a este mundo — ela sussurra, baixo o suficiente para que só eu ouça. — Mas nunca vai pertencer. Eles sempre vão te ver como a babá oportunista que destruiu uma família.
— E você sempre vai ser a mulher amarga que não aceita que perdeu — rebato, segurando a mão de Lucas.
— Eu sou…
— Chega, Blair — Lucas a interrompe, frio. — Saia do nosso caminho.
Ela aperta os lábios, furiosa, mas se afasta.
Lucas me conduz pelo salão, ignorando os olhares curiosos.


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