Sexta-feira chega rápido demais.
Dois dias completos evitando Lucas com uma eficiência digna de agente secreto.
Ele sai cedo, volta tarde. Eu fico com o Oliver o dia inteiro e, claro, jamais desço depois das 22h. Mesmo bem tentada, às vezes.
Tem funcionado. Milagrosamente.
— Ivy! IVY! — Oliver grita do outro lado da sala de brinquedos, acenando com o tablet. — Olha! A NASA lançou um foguete novo!
— Sério? — Me aproximo e me sento no chão ao lado dele. — Deixa eu ver.
Ele vira a tela, empolgado, e começa a explicar tudo com detalhes técnicos que… sinceramente, metade não entendo, a outra metade finjo que entendi.
Mas vale cada segundo só para ver os olhos dele brilhando desse jeito.
A nossa pequena aula sobre combustível de foguete é interrompida por saltos ecoando no corredor.
Automaticamente, meu coração ameaça parar. Blair?
Mas, para meu alívio, quem aparece é Sophia, a irmã de Lucas.
— TITIAAA! — Oliver berra, largando o tablet e correndo até ela.
— Meu pequeno astronauta! — Ela ri, pegando-o no colo e girando. — Eu estava morrendo de saudades!
— Eu também, titia.
Sophia dá um beijo estalado na bochecha dele antes de colocá-lo no chão. Depois, olha para mim.
— Ivy, certo? — Ela pergunta, sorrindo e estendendo a mão. — A lenda que conseguiu domar meu sobrinho.
Levanto rápido, limpando as mãos na saia do uniforme e apertando a dela.
— Prazer, Srta. Sinclair. Mas eu não…
— Me chama de Sophia — ela me interrompe, categórica. — Srta. Sinclair é só quando estou brigando com meu irmão.
Sorrio, aliviada.
— Certo… Sophia.
— Muito melhor. — Ela se vira para Oliver. — Amorzinho, lembra do foguete que você me pediu umas duas semanas atrás?
Os olhos dele crescem instantaneamente.
— O FOGUETE SATURN V DE MONTAR?
— Esse mesmo, espertinho. Vamos comprar. Agora.
— AGORA?! DE VERDADE?!
— De verdade — ela ri. — Mas a Ivy vem junto.
— Eu? — pergunto, apontando para mim como se houvesse outra Ivy na sala.
— Claro — Sophia responde como se fosse óbvio. — Eu não dou conta dessa criança. E você, claramente, tem superpoderes que eu não tenho.
— Não tenho superpoderes — murmuro, envergonhada. — Só… converso com ele.
— Então, pronto. Superpoder confirmado. Vamos?
Olho para Oliver, que está praticamente vibrando.
— Vamos — digo, rendida ao entusiasmo dele.
[…]
Vinte minutos depois, estamos os três dentro de uma loja de brinquedos gigantesca no centro de Manhattan.
Oliver está em puro estado de êxtase infantil.
— OLHA ESSE! — ele berra, apontando para uma réplica enorme do ônibus espacial. — AS PORTAS ABREM!
— Uau, impressionante — digo, seguindo o ritmo dele enquanto corre de um lado para o outro, elétrico.
Sophia anda ao meu lado, claramente se divertindo.
— Ele está bem calmo hoje — ela comenta.
— Calmo? — Olho para ela, incrédula. — Isso aqui é calmo?
Antes que eu responda, Oliver aparece saltitando com a sacola nas mãos.
— VAMOS PRA CASA MONTAR!
— Calma, astronauta — Sophia ri, bagunçando o cabelo dele. — Primeiro almoço. Que tal… pizza?
— PIZZA! — ele vibra.
[…]
Voltamos para a mansão no meio da tarde, com Oliver exausto, feliz e abraçando a caixa do foguete como se fosse seu filho.
Sophia se despede na porta, amassando o cabelo do sobrinho mais uma vez antes de olhar para mim.
— Obrigada por ir com a gente — ela diz, sincera. — Você salvou minha vida hoje.
— Foi divertido — respondo, sorrindo. — Obrigada por me levar.
Ela se inclina, baixando o tom.
— Ah, e… se o Lucas estiver de mau humor, não leve para o pessoal. Ele anda meio estressado nesses últimos dias. Deve ser algum projeto da empresa.
“Ou deve ser a nova babá, que também é a mulher que ele beijou há uma semana”, penso. Mas não falo, obviamente.
Sophia pisca, entra no carro e parte.
Oliver me puxa pela mão na mesma hora.
— Vamos montar o foguete, Ivy!
— Vamos — digo, seguindo seus passos.
Mas, antes de subir, olho por cima do ombro e vejo a Sra. Mallory parada no corredor, me observando com aquela expressão neutra demais.
Engulo em seco e continuo subindo.
Porque, pela primeira vez, tenho a sensação clara de que alguém está me vigiando.
E não faço ideia do porquê.

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