Por um momento, não me mexo. Fico parada no meio da sala, olhando para a xícara como se ela fosse explodir se eu me aproximar.
O vapor continua subindo, fino e constante, completamente alheio ao fato de estar me destruindo por dentro.
Alguém esteve aqui. Na minha sala. No vigésimo oitavo andar de um prédio com segurança extra, controle de acesso e câmeras em cada corredor.
E se… ainda tem alguém aqui?
O pensamento surge na minha mente rápido demais, fazendo meu coração subir até a garganta.
Me viro devagar, com cuidado, como se um movimento brusco pudesse quebrar alguma coisa. Depois, abro a porta e olho para o segurança posicionado no corredor.
— Quem entrou nessa sala antes de mim? — pergunto, mantendo a voz baixa.
Ele se vira imediatamente para me encarar.
— Ninguém, senhorita. Estava limpa quando verificamos, antes de trazê-la para cá.
— Tem uma xícara de café ainda quente na minha mesa. E eu não pedi.
Ele fica em silêncio por meio segundo, depois passa por mim, olha cada canto da sala para ter certeza de que estamos sozinhos e volta para perto.
— Vou verificar — diz, muito mais sério do que o normal.
Ele volta para o corredor, leva o rádio à boca e começa a falar em voz baixa demais para que eu consiga distinguir as palavras.
Volto para a sala, mantendo distância da mesa, e fico de frente para a janela, olhando para Manhattan lá embaixo sem realmente enxergar nada.
Não sei quanto tempo passa enquanto permaneço assim, imóvel. Mas é o suficiente para que o andar comece a ficar silencioso. O suficiente para o café esfriar atrás de mim.
Quando a porta se abre novamente, sei quem é antes de me virar.
Não sei explicar como, mas o silêncio muda quando Blake Reeve entra no ambiente. É como se o espaço ao redor dele também precisasse prestar atenção.
Me viro e o encontro estudando tudo: a mesa, a xícara, as entradas, a janela… Quando finalmente seus olhos param em mim, já processou tudo.
— Srta. Sinclair, preciso…
— Não — corto, antes que ele complete qualquer coisa. — Não quero ouvir o protocolo agora. Quero saber o que você descobriu.
— No carro — responde, simples.
Puxo o ar, mas não discuto. Não tenho energia para ironia agora, e ele provavelmente sabe disso, embora seu rosto não registre absolutamente nada a respeito.
Pego a bolsa e saio sem olhar para a xícara uma segunda vez.
O corredor está vazio quando passamos pela porta. Tão vazio que meus saltos fazem barulho demais no silêncio, e eu consideraria tirá-los se isso não me fizesse parecer mais vulnerável do que já estou me sentindo.
Blake caminha meio passo à minha frente, à minha esquerda. Ângulo de visão máximo, o corpo entre mim e qualquer coisa que possa vir do corredor principal.
Estou começando a entender o padrão dele sem querer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO