“Sophia Sinclair”
Eu vou junto.
A frase fica no ar entre nós dois enquanto eu fico olhando para ele, tentando encontrar alguma abertura, algum ponto onde a lógica dele ceda o suficiente para que eu encaixe um argumento.
Não encontro nenhum.
— Não. Não precisa ir você — digo, fechando a mala com força. — Mande quantos homens quiser. Mande sua equipe inteira, coloque um em cada cômodo, me cerque de soldadinhos de chumbo o quanto quiser, mas você não precisa ir para Chicago.
— Já está decidido — responde, sem drama.
— Você tem uma empresa. Tem outros clientes, outros casos.
— Tenho um sócio perfeitamente capaz de gerir isso enquanto estou fora.
— Você não pode tomar essa decisão agora, no calor do momento, porque está com raiva de…
— É uma decisão que tomei porque cinco homens meus falharam em menos de doze horas e foram demitidos por isso — ele me corta, seco. — Mas, principalmente, porque a variável comum nessas cinco falhas tem olhos verdes, pantufas de pelúcia e uma enorme determinação em se colocar em perigo constantemente.
Abro a boca, porque… é a primeira vez que vejo Blake perto de um limite.
— Você burlou quatro homens treinados com a mesma facilidade com que transforma qualquer protocolo em sugestão, Srta. Sinclair — continua, implacável. — Entrei nesse apartamento sem resistência. A fechadura cedeu na segunda tentativa. O porteiro me liberou porque já me viu aqui antes, sem verificar nada.
Fecho a boca.
— Se eu entrei assim, ele entra também. A diferença é o que acontece depois que a porta cede.
Aperto a mandíbula, odiando que ele tenha razão. Odiando ainda mais que ele saiba que eu sei disso.
Respiro fundo, desvio o olhar e coloco a mala no chão.
— Tudo bem — digo, para mim, não para ele. — Chicago. Você junto. Ótimo. Maravilhoso.
Pego outra mala e começo a dobrar as peças com mais cuidado do que o necessário, porque ter algo para fazer com as mãos ajuda a manter o controle.
— A senhorita realmente fez tudo isso só para vir aqui arrumar suas malas? — ele pergunta atrás de mim. — Não podia simplesmente contratar alguém para fazer isso?
— Não gosto de ninguém mexendo nas minhas calcinhas.
O silêncio dura exatamente dois segundos. Só então percebo o que estou segurando e que foi exatamente isso que saiu da minha boca.
— Nas minhas coisas — corrijo, sem me virar. — Tenho a mania de arrumar tudo sozinha. Não vou mandar outra pessoa fazer isso só porque você quer.
Blake não comenta, claro.
Dobro uma blusa com atenção desnecessária, fingindo que a presença dele no meu quarto não ocupa mais espaço do que deveria.
— Você não tem nada melhor para fazer? — pergunto, sem me virar. — Não pode simplesmente… mandar um daqueles clones de terno ficar aqui comigo?
— Já percebi que não posso simplesmente deixá-la aos cuidados dos meus homens, Srta. Sinclair — diz, simples. — É justamente por isso que, a partir de agora, serei o responsável direto por você.

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