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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 218

“Blake Reeve”

O som da televisão continua alto demais para alguém que, até alguns segundos atrás, estava claramente tentando me irritar.

Mas não é isso que me chama a atenção. É o silêncio, porque Sophia não faz silêncio.

Ela ocupa o espaço, provoca, fala, testa limites como se fosse parte natural da respiração dela.

Algo mudou.

Desvio o olhar do tablet sem pressa, observando primeiro o ambiente ao redor. Porta, janelas, pontos de acesso. Tudo no lugar.

Então volto a olhar para ela.

O celular está na mão dela, imóvel. Os dedos presos ao aparelho com força suficiente para deixar os nós brancos, os ombros tensos, a respiração mais curta do que deveria.

Noto a mudança instantaneamente, claro. Treinei anos para captar variações mínimas na linguagem corporal, e a dela é tudo menos sutil agora.

Quando percebe que estou olhando, Sophia força uma expressão neutra e estica a mão para o controle remoto, como se nada tivesse acontecido.

Não funciona.

— Srta. Sinclair — chamo, num tom baixo.

Ela finge não ouvir, aumenta o volume do filme meloso que escolheu só para me provocar e se afunda ainda mais no sofá.

Me levanto, dou dois passos e paro ao lado dela, estendendo a mão aberta.

— Me mostra.

— Não é nada importante — responde, ainda olhando para a tela. — Só spam.

— Eu não perguntei se era algo importante. Eu disse para me mostrar.

Ela hesita. Por um instante, acho que vai discutir, mas acaba virando a tela na minha direção com um suspiro dramático.

Meu maxilar trava no mesmo instante.

Leio a mensagem uma vez para processar o conteúdo. Depois, uma segunda para gravar os dados que importam.

Número desconhecido, linguagem possessiva, referência direta a um vínculo que não existe. Confiança demais. Erro demais.

Levanto o olhar para ela.

— Nova regra, Srta. Sinclair — digo, sem tirar os olhos dos dela. — A partir de agora, você não esconde nada. Se ele tentar contato por mensagem, ligação, sinal de fumaça, carta ou pombo-correio, você me mostra no mesmo segundo. Sem exceção. Sem joguinho de “eu dou conta sozinha”. Entendido?

Sophia levanta o queixo, e aquele brilho desafiador volta aos olhos, mesmo que o rosto ainda esteja um pouco mais pálido que antes.

— Sim, senhor. Quer que eu te envie print de todas as promoções de delivery também, ou só das que venham acompanhadas com ameaças de sequestro?

Ignoro o sarcasmo.

— Qualquer coisa que venha de número desconhecido ou que te faça reagir como você reagiu agora.

Ela revira os olhos, mas assente. Então, se levanta do sofá com um movimento exagerado, como se estivesse exausta do mundo inteiro.

— Estou cansada da viagem. Vou tomar banho e deitar um pouco. Não precisa me seguir até o banheiro, certo? Ou isso também é protocolo?

— Não é necessário — respondo calmamente. — Por enquanto.

Ela bufa e segue para o corredor. Antes de desaparecer no quarto, se vira para me encarar.

— Se ouvir gritos, sou eu cantando no chuveiro.

Levanto rápido, passo a mão no rosto e volto para o nosso apartamento. Os homens na porta confirmam que ninguém saiu.

Entro em silêncio, notando o apartamento calmo demais. A televisão continua ligada na sala, mas com volume baixo agora.

Caminho pela casa por hábito, checando cada cômodo até chegar ao quarto dela, que está com a porta entreaberta.

Uma música baixa vem de lá dentro, algo com batida eletrônica, nada a ver com o romance meloso de antes. Empurro a porta apenas alguns centímetros, o suficiente para confirmar que está tudo bem.

E então vejo Sophia de costas para mim, dançando no meio do quarto. Com um short minúsculo que mal cobre as coxas, camiseta larga, branca, e aquelas pantufas de pelúcia ridículas.

Os cabelos soltos balançam enquanto ela se move, os quadris acompanhando o ritmo com uma naturalidade que não parece ensaiada, nem feita para provocar.

Por um segundo, meu cérebro registra mais do que deveria.

A curva da cintura aparecendo quando ela se mexe, o jeito como morde o lábio inferior, concentrada na música, a forma quase inocente como as pantufas contrastam com o short que não deveria ser permitido em público.

Eu nunca tinha reparado nela assim.

Não desse jeito.

Não como mulher.

Meu corpo reage antes que eu consiga impedir, mas me esforço para desviar o olhar para o chão, depois para a janela, qualquer coisa que não seja ela.

Mas é tarde demais.

Porque, pela primeira vez desde que assumi essa proteção, eu realmente estou vendo Sophia Sinclair. Não só como a herdeira irritante ou a missão.

E isso é um problema.

Um problema grande pra caralho.

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