A segunda-feira chega com a luz cinzenta do inverno entrando pela janela do meu quarto.
Acordo mais cedo que o normal, ainda tentando processar o fato de que agora sou oficialmente a babá do Oliver.
Nove mil dólares por mês.
Isso é surreal.
Mas é quando pego o celular para ver as horas que quase caio para trás. Há uma mensagem de Lucas, formal, claro, mas o conteúdo…
“Srta. Collins, conforme o combinado, o valor referente à semana de experiência já foi creditado na sua conta.
Lucas Sinclair.”
— Oh, meu Deus! — exclamo, sentando na cama imediatamente. — Isso é… maravilhoso!
Sete mil. Depositados na minha conta.
Não é o suficiente para cobrir tudo, claro. Mas… deve ser o suficiente para impedir que o banco leiloe nossa casa.
Radiante, me levanto e me arrumo rápido. Prendo o cabelo de um jeito que não vire um ninho ao longo do dia e, aproveitando que Oliver ainda está dormindo, desço para a cozinha.
Encontro a Sra. Mallory supervisionando enquanto uma das cozinheiras prepara o café da manhã.
— Bom dia, Srta. Collins — ela diz, ajeitando uma bandeja de prata sobre o balcão.
— Bom dia — respondo, pegando uma xícara de café.
Vou até a janela enquanto bebo, observando o jardim através do vidro. O céu está pesado, nublado, e o frio de dezembro deixa tudo com um tom acinzentado.
Então vejo o jardineiro, o mesmo que estava com Blair outro dia, colocando suas coisas no porta-malas do carro. Vai e volta, pega mais algumas caixas…
Franzo a testa.
Parece que ele está… indo embora.
— O Derek está… de férias? — improviso, curiosa.
A Sra. Mallory se vira para me encarar, e quase me arrependo de ter perguntado.
— Ele foi dispensado, Srta. Collins — responde, num tom baixo.
— Dispensado? Por quê?
— Não é da minha conta — murmura, voltando aos afazeres. — E não deveria ser da sua também.
Engulo em seco e assinto.
Será que Blair está limpando os rastros?
E, como se tivesse sido invocada…
— Srta. Collins.
Me viro bruscamente e vejo Blair parada na entrada da cozinha, arrumada demais para alguém às oito da manhã.
— Preciso falar com você — continua, seca. — Agora.
— Claro, Sra. Sinclair — respondo, tentando manter a voz firme apesar do coração disparado.
Ela se vira e sai sem esperar resposta. Eu a sigo, sentindo o peso do olhar da Sra. Mallory queimando nas minhas costas.
Blair me conduz até o escritório dela, o mesmo onde a vi com o jardineiro, e fecha a porta com um clique que soa como uma sentença.
Eu deveria ter imaginado. Alegria demais nunca dura.
Sento devagar, apertando as mãos no colo. Blair se encosta na mesa, permanecendo de pé, me observando de cima.
— Agora, quanto às suas funções — diz, mudando de assunto como se não tivesse acabado de me ameaçar. — Você cuida do Oliver. Apenas do Oliver. Não se envolve em assuntos de adultos, não questiona, não bisbilhota. Está claro?
— Sim — respondo, ainda tentando controlar a respiração.
— Ótimo — diz, me dispensando com um gesto desdenhoso. — Pode ir.
Me levanto com as pernas levemente trêmulas e sigo em direção à porta.
— Ah, Ivy — ela chama. Quando me viro, encontro seu olhar fixo em mim, acompanhado de um sorriso venenoso. — Bem-vinda à família Sinclair.
Saio do escritório e fecho a porta atrás de mim, encostando na parede do corredor.
Meu coração ainda dispara. Minhas mãos continuam tremendo. E a mensagem é clara:
Fique quieta ou pague o preço.
Fecho os olhos por um instante, tentando me recompor.
O jardineiro foi embora. Dispensado por motivos óbvios.
E eu? Eu sou a próxima se não me comportar. Se não fingir que nada aconteceu.
Respiro fundo e subo as escadas.
Preciso ver Oliver.
Preciso focar no que importa.
Mas, ao chegar ao quarto dele e encontrá-lo dormindo tranquilamente, agarrado ao foguete de pelúcia, uma pergunta insiste em me incomodar:
Por quanto tempo consigo guardar esse segredo antes que tudo desmorone… por minha causa?

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