Os últimos dias foram… diferentes.
Depois da conversa com Blair na segunda de manhã, aproveitei os poucos minutos que tinha e liguei para o banco, ainda tremendo.
Negociei e consegui pagar uma parte significativa da dívida da casa. O suficiente para impedir o leilão.
Por enquanto.
Guardei mil dólares para emergências, mas… bem, uma parte acabou indo para roupas.
Não por mim, claro. Foi a Tiffany quem praticamente me arrastou para uma loja no Brooklyn na quarta-feira, durante minha tarde de folga.
Ela me avaliou de cima a baixo e foi direta:
— Ivy, eu te amo, mas essas roupas são caipiras demais para Manhattan!
Claro que tentei protestar e argumentar. Mas, no fundo, eu sabia que ela tinha razão.
Já tinha percebido os olhares atravessados dos outros funcionários da casa. Minhas calças jeans desbotadas e blusas simples não combinavam com a elegância silenciosa da mansão.
Então cedi.
Comprei algumas peças básicas, mas nada extravagante, só o suficiente para não parecer que acabei de sair de uma cidadezinha do interior de Ohio.
Mesmo que tenha sido exatamente isso.
— IVY, OLHA! AQUELA CASA TEM LUZES VERMELHAS! — A voz de Oliver me traz de volta à realidade.
Ele pula e aponta para tudo enquanto voltamos do parquinho, após aproveitar algumas horas da tarde desta sexta-feira.
— Estou vendo, astronauta — respondo, sorrindo, enquanto ele puxa minha mão.
— E AQUELA TEM UM BONECO DE NEVE GIGANTE!
Sigo o gesto dele e, de fato, há um boneco de neve inflável exagerado ocupando quase todo o jardim de uma das mansões.
Ele caminha em silêncio por alguns passos, observando tudo ao redor.
— Ivy, a gente pode montar a árvore de Natal lá em casa?
Franzo as sobrancelhas, processando a pergunta.
Árvore de Natal.
Agora que ele mencionou… a mansão Sinclair está completamente neutra. Nenhuma decoração, nenhuma luz.
Nada indica que o Natal esteja a poucos dias de distância.
— Por que você não montou para seus pais? — pergunto, curiosa.
Oliver chuta uma pedrinha na calçada, fazendo um biquinho.
— Eu perguntei pra Blair, mas ela disse que não tem paciência nem tempo pra montar uma árvore.
— E seu pai?
— Ele sempre diz “depois, depois, depois” — Oliver imita a voz grave de Lucas, e não consigo segurar uma risada. — Mas o depois nunca chega!
Meu peito aperta um pouco. É só uma criança de quatro anos pedindo algo simples. Por que eles não conseguem tirar alguns minutos para fazê-lo feliz?
— Vou ver o que posso fazer, tá? — digo, apertando a mão dele.
Ele sorri, animado, e isso é o suficiente para eu decidir que vou fazer acontecer.
De alguma forma.
Assim que chegamos em casa, vou direto procurar a Sra. Mallory. A encontro no corredor do segundo andar, supervisionando a troca dos lençóis.
— Sra. Mallory? — chamo, hesitante, e ela olha por cima do ombro.
— Sim, Srta. Collins?
— Eu… queria saber sobre as decorações de Natal — começo, meio nervosa. — Oliver perguntou se pode montar uma árvore, e eu não soube o que responder.
Ela solta um suspiro baixo.
— Não montamos árvores aqui há anos.
— Por quê?


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