“Lucas Sinclair”
Desligo o celular e o coloco de volta sobre a mesa, ainda sem acreditar no que acabei de fazer.
Sair do trabalho mais cedo para comprar uma árvore…
Inacreditável.
Passo a mão no rosto, tentando organizar os pensamentos, quando a porta do escritório se abre sem a menor cerimônia.
Owen entra com alguns papéis nas mãos.
— Por que você nunca b**e na porta? — pergunto, seco.
— Nunca parei para pensar nisso — ele responde, se jogando na cadeira à frente da minha mesa. — E não vai ser agora que vou pensar.
Reviro os olhos e pego o telefone para solicitar à minha assistente que reagende meus compromissos.
Quando termino, Owen me encara como se eu tivesse acabado de anunciar que vou largar tudo e virar monge budista.
— O mundo está acabando e eu não fiquei sabendo? — pergunta, irônico. — Você acabou de desmarcar a reunião com o conselho e a ligação com Londres?
— Sim.
Ele cruza os braços, me estudando com aquela expressão analítica de advogado que dá nos nervos.
— Lucas, você nunca sai cedo. Nunca. Então me diz: que porra está acontecendo?
— Vou comprar uma árvore de Natal — respondo, ajeitando o paletó. — Ivy me ligou, disse que o Oliver quer e… eu permiti.
Silêncio.
Owen me encara como se eu tivesse acabado de dizer que vou à Lua.
— Árvore de Natal — murmura, processando. — Você vai sair cedo para… comprar uma árvore de Natal?
— Sim, Owen — respondo, revirando os olhos. — Pelo Oliver. Percebi que já adiei coisas demais com ele.
— Pelo Oliver… — repete, com um sorriso claramente debochado. — Vou fingir que acredito que você não quer só passar tempo com a babá.
— Ótimo, porque não tenho tempo para seus comentários — digo, me levantando. — Preciso ir. Eles já devem estar chegando.
Sigo em direção à saída, e Owen vem atrás até o corredor, ainda com aquele sorriso convencido no rosto.
— Sabe, irmão — ele diz, parando na porta da sala dele. — Quando você finalmente parar de querer resistir ao charme da babá, me avisa. Quero poder dizer “eu avisei”.
— Vai se foder.
Ele ri e entra na sala, enquanto sigo em direção ao elevador. Mas, claro, ele não ia parar por aí.
— Ah, Lucas — chama, colocando a cabeça para fora da porta. — Divirta-se com as compras de Natal.
Levanto o dedo do meio e entro no elevador privativo, encostando na parede espelhada.
Owen está errado. Estou fazendo isso pelo Oliver. Só pelo Oliver.
— Não tem nada a ver com a Ivy — resmungo, ajeitando a gravata. — Nada a ver.
Assim que saio do elevador, ouço a voz de Oliver ecoando pelo saguão.
— PAPAI! PAPAI, A GENTE VAI COMPRAR A ÁRVORE!
Viro a tempo de vê-lo correndo na minha direção, com Ivy logo atrás, tentando alcançá-lo.
— Oliver, espera!
Me abaixo e o pego no colo.
— Oi, campeão.
— OI, PAPAI! Você vai comprar a árvore com a gente? De verdade?
— De verdade, filho.
Ivy finalmente nos alcança, ofegante, com as bochechas coradas pelo esforço e alguns fios ruivos escapando do rabo de cavalo.
— Desculpa — ela diz, ainda recuperando o fôlego. — Ele saiu correndo assim que viu você.
Quando foi a última vez que sorri tão espontaneamente?
Eles seguem pelos corredores, escolhendo caixas de enfeites, luzes, guirlandas…
Oliver pega tudo o que vê pela frente, enquanto Ivy devolve metade para o lugar, explicando com paciência que “não precisa de cinco Papais Noéis infláveis, astronauta”.
— Mas eu quero um exército de Papais Noéis!
— Um já é suficiente — ela diz, pegando o menor. — Esse aqui é perfeito.
Oliver aceita sem discutir, confiando completamente no julgamento dela.
E eu continuo observando. Não como homem, mas como pai.
Observando como ela o deixa escolher as cores do pisca-pisca. Como não perde a paciência nem quando ele derruba um enfeite e quase acerta a cabeça dela.
Em algum momento, Ivy pega o celular quebrado para tirar uma foto de Oliver segurando uma bola gigante de Natal.
Ele faz uma careta exagerada e ela ri tanto que precisa se apoiar no carrinho.
E eu… não consigo desviar o olhar.
Sophia estava certa. Ivy é uma bruxa.
É a única explicação lógica.
A única razão para Oliver ser tão obediente com ela.
A única razão para aquela paciência aparentemente infinita.
A única razão para ela conseguir me tirar do eixo tão fácil.
Porque não há outra justificativa plausível.
Não há outro motivo para eu estar aqui, numa loja de decoração de Natal, sorrindo como um idiota enquanto observo a babá do meu filho explicar sobre “árvores proporcionais ao espaço disponível”.
Estou completamente fodido.

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