“Ivy Collins”
A manhã de sábado chega com aquele friozinho preguiçoso que faz a cama parecer o melhor lugar do mundo.
— IVY! IVY, ACORDA! HOJE É DIA DA ÁRVORE!
Claro. Oliver.
Abro os olhos e o encontro parado ao lado da cama, ainda de pijama, com o cabelo completamente bagunçado.
— Bom dia, astronauta — murmuro, esfregando os olhos. — Que horas são?
— SEIS E MEIA! — grita, empolgado. — Vamos, levanta! A árvore tá esperando!
Seis e meia. Num sábado.
Suspiro e me sento na cama.
— Primeiro você precisa escovar os dentes, se trocar e tomar café.
— Mas…
— Sem “mas”, garotinho — corto, me levantando. — Astronautas precisam de energia antes de montar árvores gigantes, sabia?
Ele faz um biquinho contrariado, mas acaba concordando.
— Tá bom…
Alguns minutos depois, entre me arrumar às pressas e preparar o pequeno, finalmente descemos para o café da manhã.
Oliver se senta à mesa enquanto sirvo suco para ele e pego uma xícara de café para mim, tentando acordar de verdade.
Lucas aparece alguns minutos depois, já vestido com uma calça jeans escura e uma camisa cinza de manga comprida que fica absurdamente bem nele.
Não, Ivy. Foco.
— Bom dia — ele diz, se sentando ao lado de Oliver.
— BOM DIA, PAPAI! Você vai montar a árvore com a gente?
— Vou, campeão — Lucas responde, e a resposta simples me pega de surpresa.
Oliver solta um riso animado no mesmo instante em que a Sra. Mallory surge na porta. Ela murmura algo sobre a Sra. Sinclair ter saído e, mesmo sabendo que é errado, sinto um alívio involuntário.
Ao menos não terei que lidar com os olhares assassinos dela hoje.
Quando Oliver termina o café, começa a apressar o pai até finalmente conseguir arrastá-lo para a sala de estar.
A árvore já está montada no canto, graças a um dos funcionários, mas ainda completamente sem nenhum enfeite.
Empolgado, Oliver se senta no chão e começa a abrir as caixas, enquanto Lucas se encarrega do pisca-pisca.
— Ivy, olha! — Oliver me chama, segurando uma bola prateada. — Essa aqui parece a Lua!
Pego o enfeite da mão dele e o ajudo a pendurar em um dos galhos mais baixos.
— Pronto! Primeira decoração oficial!
— A MAIS BONITA! — ele anuncia, orgulhoso, e eu rio.
Lucas surge ao meu lado segurando o pisca-pisca, encarando o emaranhado de fios como se fosse um contrato complexo.
— Como se desembaraça isso? — pergunta.
— Achei que soubesse tudo — murmuro, mais para mim do que para ele. Mas, claro, ele ouve.
— Sou CEO, não especialista em pisca-pisca, Ivy.
Meu rosto esquenta na mesma hora. Disfarço pegando o fio das mãos dele e começo a separar os nós, concentrada demais para perceber que Lucas não sai do lugar.
Ele só… observa.
— Como você aprendeu isso? — pergunta após alguns segundos.
— Com a minha mãe — respondo, sem levantar o olhar. — Ela insistia em montar árvore todo ano, mesmo quando estava… doente. Dizia que Natal era sobre… esperança.
Minha voz falha no final, e me arrependo no mesmo instante de ter deixado isso escapar.
Mas, para meu alívio, ele não comenta. Apenas assente devagar.
— Pronto. Mistério resolvido.
Lucas me lança um olhar de canto, com um leve sorriso.

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