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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 8

Esposa.

Blair é a esposa dele.

Lucas é casado.

O ar parece sumir, e eu inspiro fundo, mas não adianta. Meus pulmões não entendem a informação. Meu corpo também não.

Casado.

Não “separado”.

Não “em processo de divórcio”.

Casado de verdade. Com esposa chegando de viagem e se apresentando como tal.

A imagem da boate volta como um tapa e meu estômago revira.

Beijei um homem casado. E quase beijei novamente ontem.

Isso não pode estar acontecendo.

— Que cara de espanto é essa, querida? — Ela pergunta, cruzando os braços com uma elegância treinada no espelho. — Achou que o Oliver não tinha mãe? Ou que o Lucas era viúvo?

Ela solta uma risada curta, debochada.

— Meu Deus, em que mundo você vive? — continua, balançando a cabeça. — Está agindo como se nunca tivesse ouvido falar de mim.

Engulo em seco, tentando manter alguma dignidade enquanto meu rosto esquenta perigosamente.

A verdade? Eu realmente nunca ouvi falar dela. Nem dela, nem do Lucas, nem do sobrenome Sinclair.

Até umas semanas atrás, minha vida era hospital, mercadinho, contas atrasadas e manter meu irmão longe dessa confusão.

Celebridades de Manhattan, CEOs bilionários e mansões com golfinhos de mármore não estavam exatamente no meu pacote básico de referências.

Mas, obviamente, não posso dizer isso.

— Desculpe, Sra. Sinclair — digo finalmente, arrancando do fundo da alma um sorriso educado que dói até no maxilar. — Só fiquei… surpresa em conhecê-la pessoalmente.

Blair estreita os olhos, me analisando como se eu fosse algum tipo de objeto fora do lugar na decoração dela. Depois dá de ombros, como se eu valesse meio centavo de atenção.

— Bem, acabei de voltar de viagem — ela declara, ajeitando a bolsa no ombro. — E espero que cuide bem do meu filho enquanto durar aqui. Afinal, é para isso que está sendo paga, não é?

— Sim, senhora.

— Ótimo — ela responde, pegando os óculos escuros na cabeça e colocando-os no rosto… dentro de casa. Claro. — Preciso de um longo banho. Estou com cheiro de avião.

Ela vira as costas, encerrando o assunto. Oliver, que tinha voltado a comer, solta o garfo com um estrondo e corre atrás dela.

— Blair! Blair, espera! — ele grita, estendendo os braços. — Você vai brincar comigo agora?

Ela para na porta, vira só um pouquinho a cabeça, mas não o encara de verdade.

— Estou muito cansada, querido. A gente brinca depois.

— Mas você acabou de chegar! — ele insiste, tentando pegar a mão dela.

— Oliver, não seja dramático — ela diz, afastando a mão dele como quem espanta um mosquito. — Brinque com a sua nova babá e me deixe descansar.

Então, ela sai sem olhar para trás, sem demonstrar um carinho sequer.

Oliver fica parado no meio da sala com os braços ainda erguidos no ar, como se estivesse esperando que ela voltasse. Mas ela não volta.

A mudança no rosto dele é instantânea. Os ombros caem, e o brilho nos olhos simplesmente apaga.

Meu coração aperta instantaneamente e, por um momento, esqueço do drama. Da notícia que um homem casado traiu a esposa comigo.

Atendo, fechando os olhos novamente.

— Oi, Tiff…

— IVY! — Ela grita como se estivesse me chamando do outro lado da cidade. — Como você está?

— Mal, mas vou sobreviver — murmuro, virando de lado. — Aconteceu alguma coisa?

— Não. Só queria te dizer que… você virou assunto pela empresa depois que saiu, sabia?

Franzo a testa, abrindo os olhos.

— Como assim?

— Souberam o que você aprontou! — ela continua, animada demais para alguém às 23h. — Depois que o Sr. Sinclair demitiu toda a equipe de segurança, foi impossível não descobrir que uma mulher invadiu a sala dele!

— Ele demitiu… a segurança inteira? — pergunto, sem acreditar no que ouvi.

— Todinha! Por incompetência! — Tiffany gargalha. — Ivy, você é lendária. Ninguém invade a Sinclair Industries. Ninguém!

— Que ótimo — murmuro, esfregando o rosto. — Agora sou famosa por invasão.

Conversamos mais um pouco, até meu cérebro começar a desligar sozinho. Me despeço dela, deixo o celular cair ao lado do travesseiro e fecho os olhos.

Durmo de novo, mas não por muito tempo.

Meu sono é leve, então qualquer coisa me acorda. Incluindo passos no corredor.

Olho o relógio: 22h57.

Meu coração dispara quando o som dos passos fica mais próximo, como se estivessem bem em frente à minha porta.

Se for ele… eu não sei se tenho forças para fingir normalidade de novo.

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