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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 143

Assim que terminaram os cumprimentos e a conversa com Antonella e Maria, Lorenzo avisou que precisava se organizar para uma reunião importante na empresa. Subiu a escadaria de mármore com passos firmes, o som das solas dos sapatos ecoando pelo hall, enquanto Isabella o acompanhava com os olhos sem nem perceber.

Giulia percebeu.

Assim que Lorenzo desapareceu no corredor do andar de cima, a irmã dele se aproximou sorrateira. Sem dizer nada, pegou a mão de Isabella e a puxou de lado, levando-a até a sala de estar, onde a luz suave da tarde entrava pelas cortinas claras.

— Quero saber detalhes. — disse Giulia, com aquele sorriso travesso que já entregava sua intenção.

Isabella piscou algumas vezes, fingindo não entender. — Detalhes… do quê?

— Ah, por favor… — Giulia revirou os olhos e se jogou no sofá, puxando Isabella para sentar ao lado. — Você acha mesmo que eu não percebi? O jeito como ele te olha, o fato de descerem juntos do carro de mãos dadas… e aquele abraço lá fora. Isso não é coisa de patrão e funcionária.

Isabella sentiu as bochechas esquentarem de imediato. Passou uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando se recompor.

— Não é… tão simples assim, Giulia.

— Não é simples porque vocês demoraram séculos para assumir. — A cunhada riu, divertida. — Mas agora… ah, agora eu quero ouvir tudo.

Isabella hesitou, mordendo o lábio inferior. — Eu… eu gosto dele, Giulia. Muito.

— “Gosto dele” é pouco — retrucou Giulia, arqueando uma sobrancelha. — Olha só Isa, quando meu irmão voltou de Moscou e não te encontrou, ele pela primeira vez em muito tempo teve medo.

— Medo?

— Sim, medo. Medo de que voce tivesse ido embora definitivamente.

— Eu jamais faria isso…

— Por causa da Aurora?

— Tam-também.

Giulia se aproximou ainda mais da cunhada, segurando em ambas as mãos dela e olhando em seus olhos verdes disse:

— Isa… durante muitos anos meu irmão viveu na escuridão. Ele sempre se culpou pelo acidente, pela morte de Letícia, por fazer Aurora infeliz.

Isabella ficou triste.

— Ele acreditava que ficar sozinho e se entregar à solidão era uma forma de se punir. Mas quando você chegou… você trouxe consigo luz. Não foi apenas a sua beleza que o conquistou, foi a sua doçura, a sua força, a sua paixão. Lorenzo lutou por muito tempo, mas o que cresceu dentro dele, era forte demais.

— Eu… o amo tanto.

— Eu sei. É perceptível esse amor no seu olhar. E você não imagina o quanto eu sou grata a você por amar tanto o meu irmão e minha sobrinha. Fazia anos que não via os olhos dele brilharem tanto… e isso só acontece hoje por sua causa.

Isabella não respondeu, mas o rubor nas faces entregava mais do que qualquer palavra.

Foi nesse instante que um som suave de passos na escada fez Giulia desviar o olhar. Isabella também olhou e seu coração acelerou.

Lorenzo descia calmamente, já pronto para a reunião. Usava um terno cinza-chumbo impecável, de corte italiano, que realçava seus ombros largos e a postura ereta. A camisa branca, de tecido fino, estava perfeitamente alinhada, com o colarinho aberto revelando um toque descontraído. A gravata azul-marinho, levemente afrouxada, combinava com o tom intenso dos olhos dele.

E foram esses olhos… oh, aqueles olhos azuis, quando se encontraram com os de Isabella, brilharam de um jeito que parecia iluminar todo o ambiente. Era como se o tempo desacelerasse por um instante, e só houvesse os dois ali.

— Mamãe… — disse a menina, com a maior naturalidade do mundo. — Então vamos aproveitar e ver como estão nossas flores no jardim?

O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, mas foi suficiente para Giulia arregalar os olhos, completamente surpresa.

— Espera… — disse ela, olhando de Aurora para Isabella, e depois para Lorenzo. — Mamãe?

Isabella ficou completamente vermelha, abrindo e fechando a boca como se procurasse uma explicação rápida, mas Lorenzo estava sorrindo, não aquele sorriso irônico ou discreto, e sim um sorriso cheio de orgulho.

Ele apertou Aurora contra o peito, mas manteve o olhar fixo em Isabella.

Giulia, ainda boquiaberta, soltou uma risadinha.

— Nossa… eu esperava um romance ardente e intenso, mas isso é ainda melhor.

Aurora, alheia à tensão divertida que pairava, estendeu a mãozinha para Isabella.

— Vamos? Quero ver se as margaridas abriram hoje.

Isabella respirou fundo, tentando disfarçar o impacto emocional daquela palavra tão carregada de significado. Seus olhos se encontraram com os de Lorenzo, e naquele breve instante ela viu ali não apenas desejo, mas algo muito mais profundo… algo que poderia ser perigoso e irresistível ao mesmo tempo.

Lorenzo, por sua vez, manteve o sorriso discreto, mas seus olhos azuis brilhavam como antes, ou talvez ainda mais.

Aurora continuava ali, segurando a mão de Isabella com força, como se tivesse medo que ela desaparecesse.

— Vamos, mamãe… — repetiu com a naturalidade e inocência que só uma criança podia ter.

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