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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 174

Lorenzo sabia que precisava se acalmar. Não podia deixar o ódio tomar conta de si. Precisava ser frio e calculista. Olhou novamente para a sua imagem no espelho e deixou o homem que tinha enterrado voltar para o seu corpo. O homem frio, determinado e disposto a tudo para proteger quem ama. Vereda ia pagar pelo o que fez e definitivamente ela iria desaparecer de sua vida.

Despiu-se devagar, como se cada peça de roupa fosse um peso que caía no chão, mas a tensão não se dissipava. Entrou no box, girou o registro, e a água quente começou a escorrer, primeiro tímida, depois intensa, batendo no topo de sua cabeça, nos ombros, descendo pelo corpo. Fechou os olhos por um instante, respirando dentro do vapor, tentando se centrar, mas o sangue ainda pulsava com força demais.

Foi então que sentiu.

Um toque leve, quase uma brisa, pousando nas suas costas. Um beijo suave, quente, contrastando com a água que caía. Em seguida, um braço se enroscou em sua cintura, apertando-o com doçura.

Lorenzo abriu um sorriso involuntário, pequeno, quase cansado, e virou-se devagar. E lá estava ela com os cabelos já úmidos pela névoa, os olhos brilhando com algo que misturava amor, desejo e um pedido silencioso de cura.

— Pequena… — ele murmurou, com a voz baixa e rouca. — Nós não podemos…

Mas antes que pudesse completar, ela aproximou-se ainda mais. Seus dedos deslizaram pela sua pele molhada, enquanto ela o olhava com intensidade.

— Por favor, meu amor… — sussurrou, com a voz carregada de vulnerabilidade e urgência. — Faz amor comigo.

O ar pareceu evaporar. A raiva que queimava nele se misturou a um calor diferente, mais profundo, que vinha dela. Lorenzo soube, naquele instante, que aquela noite não era sobre planos de vingança. Era sobre promessas de vida.

Lorenzo sentiu o pedido dela atravessar a água quente como uma corrente elétrica. O vapor desenhava contornos na pele de Isabella, transformando cada gota em brilho. Ele tocou o rosto dela com as duas mãos, devagar, como se estivesse recebendo algo sagrado, e pousou um beijo na testa antes de descer para a linha do nariz, a ponta do queixo, o canto da boca.

— Você tem certeza? — perguntou baixo, com a voz rouca e o olhar buscando o dela como quem procura a casa depois de um temporal.

Isabella assentiu, com os olhos úmidos mais pelas sensações do que pelo vapor. Os dedos dela percorreram o maxilar dele, sentindo a tensão que ainda morava ali, o resto da raiva e a sombra da promessa de vingança. Ela aproximou a boca do ouvido dele.

— Eu preciso te sentir…

A frase se aconchegou no peito de Lorenzo e o desarmou. Ele encostou as costas na parede do box, trazendo-a para perto, fechando o espaço entre os dois até que já não houvesse distância, só calor. As mãos dele percorreram as costas dela, subindo pela coluna numa trilha que acalmava e acendia ao mesmo tempo. Isabella respirou fundo quando a água, desviada pelos corpos, começou a cair de lado, como se o banho tivesse aprendido os contornos daquele abraço.

— Me diz se algo te incomodar. — ele pediu, com a palma aberta sobre as costas dela, atento ao menor gesto, a qualquer sinal.

— Só me ama. — ela respondeu, e havia nessa simplicidade uma ordem e uma oração.

Os lábios se encontraram de novo, mais seguros. O beijo começou manso, como quem aprende de novo o gosto de uma promessa, e foi ganhando urgência nos intervalos da respiração, sem pressa de acabar. Isabella se ergueu um pouco nas pontas dos pés, e Lorenzo a encaixou no abraço, sustentando-a com uma facilidade que não era só força, era cuidado.

A boca dele explorou a curva do pescoço dela, deslizando sobre a pele quente, deixando atrás um rastro de arrepios. Ela desceu as mãos pelo peito dele, sentindo o músculo que se contraía e relaxava, e o coração que batia forte. A cada toque, ele respondia com um suspiro, com um beijo mais demorado, com um roçar de nariz que a fazia sorrir entre um gesto e outro.

— Eu te amo tanto… — ele disse, simples, como quem assina um documento que não precisa de testemunhas.

Isabella fechou os olhos um instante, deixando que a frase entrasse inteira. Quando abriu, havia luz. A luz que ela sempre reconhecia nele quando ele parava de brigar com o mundo e lembrava que, no fim, o que o segurava de pé era a família que estavam construindo.

— Então me prova… .

Lorenzo a virou de leve, só o suficiente para que a água caísse agora sobre os ombros dela, derramando um rio quente pelo caminho das escápulas. Ele a envolveu pela cintura, a levantando com cuidado. Isabella circulou as pernas ao redor do quadril, e gemeu ao sentir a ereção de Lorenzo roçando em sua intimidade já úmida e pulsante. O beijo voltou, profundo e intenso.

Isabella deixou que a cabeça caísse de leve para trás, oferecendo-lhe o pescoço. Lorenzo entendeu a entrega, percorreu com os lábios a linha da pele e sentiu o pulso dela acelerar sob a própria boca. O som que ela fez ficou guardado, como um segredo trancado no bolso do coração dele.

— Hoje foi um bom dia. — ele respondeu.

— E amanhã? — Ela sorriu de leve, ainda de olhos fechados.

— Amanhã é o dia em que eu acordo, beijo você, a nossa filha, o nosso bebê, e começo a construir o resto das nossas vidas. — Pausou. — Com calma. Com planos. Com justiça, não com impulsos.

— Obrigada por ser o meu lar. — ela murmurou, orgulhosa.

— Obrigada por ser minha vida. — ele finalizou.

O coração dele, que horas antes era uma bigorna de raiva, agora batia como coisa viva e tranquila.

Ficaram assim, ouvindo o relógio da casa marcar o tempo em passos lentos. O vento levantou levemente a cortina, o suficiente para um fiapo de luar riscar o chão. Lorenzo esticou o braço, alcançou a mão dela outra vez, e os dedos se entrelaçaram sem esforço.

O sono chegou primeiro para ela, numa onda macia. Lorenzo ficou mais alguns minutos acordado, como quem faz a ronda noturna de um vigia antigo. Observou o contorno do rosto de Isabella à meia-luz, reparou em como o peito dela subia e descia, sentiu o peso leve da mão dela ainda entrelaçada à sua. O mundo inteiro poderia bater à porta que ele não abriria. Não naquela noite.

Antes de fechar os olhos, passou os dedos de leve pelo anel da família, agora morando no dedo dela. Pensou na mãe, na irmã, em Aurora adormecida no quarto ao lado, em Flora e Maria cochichando lembranças na cozinha horas antes, em Cristina e Marco chegando de surpresa. A casa inteira parecia um organismo que respirava junto com eles, e isso o acendeu por dentro com um tipo de coragem nova, uma coragem que não precisa gritar.

— Amanhã… — ele repetiu, em pensamento, como quem marca um encontro. — Amanhã eu começo.

E, enfim, dormiu com Isabella nos braços e a certeza de que, quando a tempestade voltar, eles já têm tudo o que importa para se proteger: Sua família!

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