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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 192

Lorenzo atravessava o corredor lentamente, como se cada passo fosse carregado de reverência. O silêncio do ambiente, quebrado apenas pelo ranger suave da madeira sob seus pés e pelo som abafado da respiração de Isabella contra o seu peito, parecia sagrado. Ele a carregava nos braços com a delicadeza de quem sustenta algo mais precioso do que a própria vida. O roupão branco a envolvia, ainda úmida pelo banho e seu corpo, frágil pelo esforço da maternidade, repousava com total confiança no colo do marido.

Quando alcançou a porta do quarto, Lorenzo a empurrou com o ombro, sem jamais soltar Isabella. O quarto estava iluminado por uma luz suave, que entrava através das cortinas entreabertas, dando à cena um ar de aconchego e paz. Ao entrar, os olhos dela se encheram de ternura, porque logo atrás vinha Antonella, com os passos firmes, trazendo nos braços o pequeno Benjamin.

Ele estava agora limpinho, cheiroso, envolto em um cueiro branco que realçava o tom rosado da sua pele delicada. O rostinho ainda guardava marcas da batalha de vir ao mundo, mas havia algo de majestoso na tranquilidade que irradiava, como se aquele bebê trouxesse em si um pedaço do céu. A avó o sustentava com a segurança de quem já embalou muitos filhos e netos, mas mesmo assim, não conseguiu impedir que a emoção lhe marejasse os olhos.

Antonella aproximou-se devagar, com o sorriso aberto e a voz embargada. Parou diante da cama, onde Lorenzo já deitava Isabella com cuidado, e inclinou-se para depositar o neto nos braços da nora.

— Aqui está o seu menininho, minha querida. — disse, com a voz tremendo pela ternura. — Ele está faminto, esperando por você.

As mãos de Isabella, ainda trêmulas, acolheram o pequeno como se fossem feitas exatamente para isso. No instante em que Benjamin se aconchegou em seus seios, ela sentiu o mundo inteiro se alinhar em um único eixo aquele amor. As lágrimas, inevitáveis, desceram sem que ela tentasse contê-las.

— Ele é perfeito… — murmurou, beijando a cabecinha loira ainda úmida.

Aurora, que observava tudo de perto com os olhos mais vivos que nunca, não perdeu tempo. Saltitante ao lado da avó, começou a falar com a empolgação típica de uma criança que acabava de testemunhar algo extraordinário:

— Papai! Você não vai acreditar! O Benjamin fez xixi na vovó Antonella! Eu vi tudinho!

O comentário arrancou uma gargalhada imediata de Lorenzo. Uma gargalhada limpa, livre, carregada de felicidade pura. O som ecoou pelo quarto como uma explosão de vida, contagiando a todos. Antonella, apesar da “travessura” do neto, riu junto, sacudindo a cabeça, rendida ao encanto de ter aquele bebê em seus braços mais cedo.

Foi nesse momento que Benjamin, como se reconhecesse a alegria e a força da voz do pai, abriu devagar os olhinhos. Um verde intenso se revelou, tão parecido com o de Isabella que Lorenzo ficou sem ar. O bebê se remexeu, movendo a cabecinha com esforço, como se buscasse a origem daquele som tão cheio de calor e segurança.

Mais tarde, quando Benjamin finalmente adormeceu no bercinho improvisado ao lado da cama, um silêncio acolhedor tomou o espaço. Aurora, vencida pela emoção e pelo cansaço, adormeceu também, aninhada nos braços de Antonella, que embalava a neta com carinho na cadeira de balanço.

Lorenzo, atento a cada detalhe, ajudou Isabella a se ajeitar na cama. Colocou os travesseiros de forma que ela ficasse confortável, alisou seus cabelos molhados e, antes de se deitar ao lado dela, inclinou-se. Sua boca roçou o ouvido da esposa, e sua voz saiu como um sussurro cheio de reverência:

— Obrigado por ser meu lar. Obrigado por ser minha eternidade.

Isabella fechou os olhos, permitindo que as lágrimas rolassem livres pelas bochechas. Cada palavra era um presente que ela guardaria para sempre. O silêncio do quarto foi preenchido apenas pelo som suave da respiração de Benjamin, embalando-os como uma canção de ninar.

E foi assim que, entre promessas de amor eterno e gestos de cuidado profundo, Lorenzo e Isabella adormeceram abraçados. Naquele instante, o mundo inteiro cabia no quarto aquecido pelo amor, na presença do filho recém-nascido, no sorriso adormecido da filha e no aconchego daquela família que acabava de renascer.

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