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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 198

A porta do quarto de hóspedes se abriu devagar, sem emitir um único rangido, como se a própria mansão respeitasse o instante que estava prestes a acontecer. O ambiente se revelou amplo e acolhedor, um refúgio silencioso no meio da madrugada. As cortinas translúcidas dançavam suavemente com a brisa que entrava pela janela aberta, trazendo o perfume fresco da noite misturado ao cheiro distante de terra molhada e flores silvestres. O luar atravessava o tecido leve, espalhando uma luz prateada que desenhava formas suaves no chão e iluminava parte da cama king size, coberta por um edredom branco impecável, convidativo, quase etéreo.

Lorenzo fechou a porta com cuidado, sem trancar, apenas encostando-a devagar, como quem protege um segredo. Encostou as costas na madeira por um momento, parando ali para respirar, os olhos fixos na cena à sua frente.

Isabella estava no centro do quarto, imóvel, mas o simples ato de estar ali parecia roubar-lhe o fôlego. Os ombros ainda estavam cobertos pelo robe, que a envolvia com delicadeza. Os fios loiros caíam em ondas suaves sobre o tecido, refletindo o brilho prateado que vinha da janela. O peito dela subia e descia devagar, mas os olhos… ah, os olhos. Havia neles um brilho que incendiava cada centímetro de controle que ainda restava nele.

Por um instante, Lorenzo apenas olhou. Respirou fundo, tentando controlar o ritmo do próprio coração, mas era inútil. Cada segundo de silêncio apenas aumentava a tensão entre eles. Então, ele avançou devagar.

Cada passo parecia calculado, mas não havia nada de frio em seus movimentos, havia intenção, desejo, reverência. Quando chegou perto o suficiente, seus dedos tocaram o tecido macio do robe, com um gesto lento, ele o deslizou pelos ombros dela, deixando-o escorregar até o chão. O som abafado do tecido encontrando o carpete ecoou como um convite silencioso.

A pele nua dos braços de Isabella arrepiou instantaneamente quando os dedos dele roçaram por ali, tão leves quanto um sopro, e um tremor involuntário percorreu seu corpo.

— Você não tem ideia… — murmurou Lorenzo, a voz baixa, rouca, grave, carregada de controle e ameaça ao mesmo tempo. — do que me faz.

Isabella sentiu o calor subir pelo rosto, as bochechas tingindo-se de um rubor involuntário. Mordeu o lábio inferior, tentando conter o sorriso que ameaçava escapar, mas os olhos denunciavam o desejo, o nervosismo, a entrega silenciosa.

— Talvez eu tenha… — respondeu, com uma provocação quase inocente, inclinando o rosto para mais perto do dele.

O olhar de Lorenzo escureceu, e um suspiro rouco escapou de sua garganta, carregado de necessidade contida. Num movimento quase instintivo, ele fechou a distância que os separava e encostou os lábios nos dela.

O beijo começou lento, como se ele quisesse saborear cada segundo, cada curva, cada suspiro. Era um toque exploratório, reverente, mas havia um perigo silencioso ali, um fio de tensão prestes a se romper. Isabella sentiu o corpo inteiro reagir, as mãos tremeram levemente quando pousaram sobre o peito dele, sentindo o bater firme do coração sob a camisa parcialmente aberta.

Mas o ritmo logo mudou.

Como se algo neles tivesse sido despertado, a intensidade cresceu, as respirações ficaram mais rápidas, os corpos se colaram. O calor entre eles se tornou impossível de ignorar.

Lorenzo segurou a cintura dela com força, puxando-a contra si, sentindo o encaixe perfeito dos corpos. Isabella deixou as mãos subirem pelos ombros dele, deslizando pelos músculos firmes até entrelaçar os dedos nos cabelos claros e ainda levemente úmidos do banho recente.

Um gemido baixo escapou dos lábios dela, abafado contra a boca dele, e isso foi o suficiente para Lorenzo perder o último traço de controle.

Ele a ergueu do chão com facilidade, fazendo-a envolver a cintura dele com as pernas, como se o corpo dela soubesse exatamente onde pertencia. Isabella riu baixinho contra os lábios dele, um som doce, cúmplice, que incendiou ainda mais o ar entre eles.

— Lorenzo… — sussurrou, já ofegante, entre um beijo e outro. — A porta…

O mundo, por alguns minutos, se reduziu ao som das respirações entrecortadas, aos sussurros abafados e ao ranger quase imperceptível dos lençóis sob o peso dos dois.

A noite seguiu como uma dança sem música, lenta, íntima, intensa. Cada olhar trocado carregava uma história inteira. Cada toque, cada arrepio, cada palavra dita ou engolida era um lembrete de tudo o que já tinham enfrentado para chegarem até ali.

Por um longo tempo, não houve nada além deles. O passado, com todas as feridas, o futuro, com todos os medos e o presente, com a força devastadora de um amor que queimava em silêncio.

Quando, por fim, o silêncio voltou a dominar o quarto, Lorenzo e Isabella permaneceram deitados, entrelaçados, com os corpos quentes e os corações sincronizados, respirando no mesmo compasso.

Lá fora, o vento passava pelas árvores, indiferente, carregando o som distante dos grilos e o perfume da madrugada. Mas dentro daquele quarto… tudo havia mudado.

Era madrugada, mas para eles… o tempo havia deixado de existir.

E pela primeira vez em muito tempo, Lorenzo sentiu que estava exatamente onde sempre quis estar.

Naquele quarto, naquela cama, com Isabella entre os braços, nada mais importava. O amor deles preenchia todos os espaços, os vazios do passado, os medos do futuro e cada batida do presente.

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