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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 34

Isabella Fernandes

Meu rosto pegou fogo no instante em que a lembrança daquele sonho caiu sobre mim com a força de um raio.

— Merda… — sussurrei, levando as mãos ao rosto como se pudesse esconder de mim mesma o que tinha acontecido.

Mas era tarde.

Aquelas imagens estavam marcadas em mim com a nitidez de um segredo sujo. Ardente. Irresistível. Elas se projetavam por trás das minhas pálpebras, dançando como sombras proibidas, me arrastando de volta para o que deveria ter sido apenas um sonho, mas parecia tudo, menos irreal.

O jeito como ele me encostava contra a parede, dominando meu corpo com aquele olhar impiedoso. O calor da sua boca explorando meu pescoço, suas mãos firmes segurando minha cintura como se tivesse todo o direito de me ter.

E as palavras… Deus, aquelas palavras.

Palavras que Lorenzo jamais diria acordado. Palavras que me quebravam por dentro justamente por isso.

“Você me provoca até quando finge que não está me olhando…”

“Abre as pernas pra mim, Isabella… mostra que esse corpo é meu também.”

“Fala que me quer. Fala, ou eu faço você gemer meu nome até perder o juízo.”

Minhas coxas se apertaram involuntariamente.

Era errado. Tão errado que doía admitir. E ainda assim, era tudo que eu queria.

Levantei da cama como se fugir fosse possível. Como se pudesse correr de mim mesma. Meus movimentos estavam tensos, inseguros, e até a camisola, que antes me parecia inocente, agora parecia zombar de mim, escorregando pelas minhas coxas como um toque indesejado que, no fundo, eu desejava mais do que qualquer outra coisa.

Caminhei até o banheiro, sentindo o coração bater acelerado, o corpo ainda em estado de alerta. Lavei o rosto com pressa. Tentei apagar os vestígios do que tinha sentido. Mas era inútil. A água escorria fria, e mesmo assim, tudo em mim queimava.

A cada gota que caía, eu só me lembrava do calor. Da boca dele, do peso do seu corpo sobre o meu, da sua voz rouca e autoritária sussurrando coisas que me faziam tremer.

Ergui o rosto para o espelho e me arrependi no mesmo segundo.

Meus olhos estavam brilhando demais. Os lábios, vermelhos como se ele tivesse acabado de me beijar. E o pescoço… parecia manchado. Como se de fato ele tivesse estado ali, me marcando com a sua presença. Como se aquele sonho tivesse sido mais do que apenas devaneio.

Fechei os olhos com força.

— Você está perdendo a cabeça, Isabella…

Mas não era só isso.

Não era só a cabeça.

Era o corpo inteiro. O coração. A respiração. O centro do meu ventre que ainda latejava com o desejo que ele tinha plantado em mim.

Como eu podia sentir tudo aquilo por um homem que me tratava com frieza? Que mal me olhava direito? Que fazia questão de manter distância? Como eu podia desejar alguém que sequer sabia se era capaz de amar outra mulher depois do que viveu?

Mas o pior de tudo era que eu sabia a resposta.

Eu desejava Lorenzo justamente porque ele era a tentação, o perigo, o proibido. O homem que todos diziam ser inalcançável. Um homem quebrado, cruel, mas que, em algum nível profundo e inexplicável, me despertava como nenhum outro.

Voltei para o quarto em silêncio, como se estivesse cometendo um crime. Meus passos eram furtivos, quase envergonhados. Eu me sentia como uma ladra.

Fechei os olhos.

“Vá embora… por favor, vá embora… ou entre de uma vez.”

Sussurrei baixinho. Mais pra mim do que pra ele.

Mas ele não entrou. Alguns segundos depois, ouvi os passos se afastando. Um, dois, três… até que o silêncio voltou a reinar. Um silêncio vazio, gelado. E, com ele, veio o gosto amargo da ausência.

O peito apertou. O desejo ficou mais agudo, mais desesperado. Como se meu corpo tivesse se preparado para ser tocado e tivesse sido rejeitado no último segundo. Deitei-me devagar, mas não havia descanso. O travesseiro já não era um abrigo, era uma prisão. E eu estava cercada pelas lembranças que não existiam, mas que meu corpo insistia em sentir como reais.

O cheiro dele ainda parecia pairar no ar. Aquela mistura de colônia amadeirada, de homem, de algo quente e impiedoso.

Fechei os olhos outra vez.

Mas a presença dele ainda estava ali. Mesmo que já tivesse ido embora. E, talvez, o mais desesperador de tudo… era o gosto que ele deixava.

Não só na boca, na alma, no desejo. No que eu sabia que não podia ter, mas desejava mais do que tudo.

Como eu ia encarar Lorenzo no café da manhã? Como eu ia olhar nos olhos dele e fingir que não sonhei que ele me tomava contra a parede, que me fazia dizer coisas que eu nunca disse? Como ia sentar naquela mesa, ao lado dele, com essa sensação de que a qualquer momento… ele podia me tocar de verdade?

O pior de tudo era isso.

O que eu mais queria… era que ele entrasse naquele quarto e me fizesse sonhar de novo, mas dessa vez acordada.

Eu sabia que estava perdida e não tinha mais forças para lutar contra o que sentia. Amar Lorenzo Velardi seria a minha ruína.

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