O sol do fim da tarde dourava o jardim da mansão quando Lorenzo surgiu na varanda com a xícara de café entre os dedos. Estava absorto, a mente distante, até que algo chamou sua atenção.
Ali, perto do canteiro das hortênsias, Isabella conversava com o jardineiro.
Ela sorria. Não o sorriso contido e tímido que ele costumava arrancar dela, mas um riso leve, espontâneo, doce. O vestido verde dançava com o vento, os cabelos presos em um coque frouxo balançavam suavemente e o modo como inclinava a cabeça, como colocava uma mecha atrás da orelha, fazia algo arder dentro dele.
Ciúmes.
Um sentimento que Lorenzo jamais admitiria em voz alta, mas que queimava suas veias como veneno. Ele não ouviu o que disseram, mas viu o homem rir de algo que Isabella dissera. Viu-o se inclinar um pouco mais perto. Viu o modo como ela sorriu em resposta.
E aquilo bastou.
A xícara estalou em sua mão, rachando pela pressão dos dedos. Ele a largou na mesa com força e se virou, os passos pesados ecoavam pela madeira do assoalho. Passou por Marta no corredor sem sequer olhá-la.
— Vai sair? — perguntou a governanta.
— Não me espere para o jantar — respondeu com a voz fria, puxando as chaves do carro com brutalidade.
Nem olhou para trás. A porta bateu com um estrondo e o carro desapareceu na estrada.
✦ ✦ ✦
A noite caiu espessa. O céu estava limpo, mas a mansão Velardi parecia mergulhada em sombras.
Isabella estava em seu quarto, de camisola clara e cabelos soltos. Estava sentada na cama, abraçada às pernas, tentando ler um livro, mas sem conseguir passar da mesma página há quase meia hora. Havia algo estranho no ar. Como se uma tempestade silenciosa se aproximasse, embora do lado de fora tudo estivesse em paz.
O som da porta principal se abrindo e batendo com violência a fez pular. Ela podia ouvir passos descompassados e pesados, subindo pelas escadas. Sentiu o coração acelerar, seus olhos captaram a maçaneta do quarto girar e a porta foi aberta por Lorenzo.
Ele entrou sem bater, os olhos azuis estavam escuros, a camisa meio aberta, os cabelos bagunçados e o cheiro de álcool no ar ao seu redor. Estava visivelmente embriagado, os passos estavam vacilantes, mas os olhos… os olhos estavam tão atentos quanto sempre estiveram.
— O que… o que está fazendo aqui? — perguntou levantando-se com cuidado, tentando manter o tom firme.
Ele não respondeu de imediato. Apenas a olhou de cima a baixo. A camisola colada e transparente no corpo. Os pés descalços, a pele clara iluminada pela luz fraca do abajur.
— Você gosta de conversar com homens no jardim, não é? — murmurou, com a voz baixa, arrastada, mas cortante como uma lâmina.
— O quê? — Isabella piscou, sem entender.
— O jardineiro. Tão engraçado ele, não é? Faz você rir… — Lorenzo deu um passo à frente, o corpo oscilando levemente. — É esse tipo de homem que você quer? Um que te elogie, que te dê flores?
— Lorenzo, você está bêbado… — sussurrou, recuando um pouco.
— Estou… — admitiu, com um sorriso torto. — Mas não estou cego.
Ele avançou e Isabella recuou até as costas tocarem a parede ao lado da cômoda. O coração batia tão alto que parecia ecoar dentro do quarto.
— Eu não fiz nada de errado — disse ela, com a voz trêmula.
Lorenzo a encarava, ofegante, com as pupilas dilatadas, o rosto molhado de suor e culpa. Mas quando Isabella ergueu as mãos delicadas e as pousou sobre o peito dele, arranhando levemente a pele exposta sob a camisa aberta, ele perdeu o controle mais uma vez.
— Lorenzo… por favor…
Aquela súplica sussurrada, entre um suspiro e um gemido contido, rompeu as últimas amarras da razão.
Num só movimento, ele a puxou novamente para seus braços, colando os corpos. Os lábios se encontraram com urgência, com sede, como se tivessem passado uma vida esperando aquele momento. O beijo era faminto, quente, molhado… as línguas se encontravam num ritmo alucinante, e a respiração dele era tão pesada que tremia.
Sem parar de beijá-la, Lorenzo conduziu o corpo dela até a cama. A deitou com cuidado, mas a fúria do desejo tornava seus gestos intensos. Isabella arqueou o corpo para recebê-lo, e suas mãos tremiam ao tocar a pele quente dele.
Os beijos desceram para o maxilar, o pescoço, o colo exposto pela abertura da camisola que escorregava sem resistência. As mãos dele encontraram a curva dos seios por baixo do tecido fino, e com dedos trêmulos, Lorenzo acariciou a pele sensível e macia fazendo Isabella gemer baixinho, e o corpo estremecer.
A camisola subiu lentamente, revelando cada centímetro da pele dela à medida que os lábios de Lorenzo desciam, quentes e decididos. Sua boca encontrou o ventre liso de Isabella e repousou ali, sugando com suavidade, como se pudesse marcar aquele lugar com sua presença. A respiração dela estava entrecortada. Os dedos mergulhados nos cabelos molhados dele, como se quisessem ancorá-lo ali, dentro daquele instante que parecia intocável pelo tempo.
A mão de Lorenzo deslizou por baixo da calcinha rendada, tocando-a com delicadeza quase reverente.
Mas quando sentiu o quanto ela estava molhada, quente, pronta… o gemido que escapou de sua garganta foi bruto, animalesco, desesperado.
— Por Deus… Isabella… — sussurrou, enterrando o rosto no colo dela como se estivesse perdendo o controle.
Isabella arqueou o corpo. O quadril se moveu instintivamente em direção ao toque dele, o peito subia e descia, ofegante. Ela não queria pensar, não queria hesitar. Queria apenas sentir.
— Me toca… por favor, Lorenzo… — implorou, arfando, com os olhos fechados, e a alma entregue.

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