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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 80

O pedido dela caiu sobre Lorenzo como uma sentença irrecorrível. Quente. Intensa. Dolorosa.

— Me toca… por favor, Lorenzo… — a voz de Isabella era um sopro entre gemidos, carregada de desejo e entrega.

E foi nesse exato instante que ele sentiu.

O abismo.

Um precipício emocional, um vazio que se escancarava bem diante dele. Bastava um passo. Um único passo para despencar e ele sabia que, se atravessasse aquela linha, não haveria volta.

Os dedos que acariciavam sua intimidade tremeram. Não de medo. Mas de consciência. Consciência de que estava à beira de perder o controle, de deixar para trás tudo o que pensava ser, em nome de algo que o devorava por dentro. O olhar, que até então a devorava sem pudor, hesitou. Desviou-se. Apenas por um segundo. O suficiente para que a realidade o atingisse como uma rajada de vento gelado em pele exposta.

Ela era jovem, tão jovem, doce, linda, espontânea e era a babá da sua filha.

E ele… ele era um homem esculpido na dor. Que carregava nos ombros o peso de uma culpa antiga, de uma perda irreparável, de um luto mal resolvido que lhe roubava o direito de se entregar.

— Não… — ele murmurou contra a pele dela, como se dissesse para si mesmo, tentando se agarrar à razão que lhe escorregava entre os dedos.

Isabella abriu os olhos lentamente, com o corpo ainda arqueado pelo desejo, os seios subindo e descendo sob a camisola fina, os mamilos enrijecidos sob o tecido leve, os lábios entreabertos, molhados. Mas foi nos olhos verdes que ele viu o que mais doeu.

Esperança, entrega. E, logo depois… decepção.

O que Isabella viu nos olhos de Lorenzo a dilacerou por dentro. Não era apenas recuo. Era medo, dor, era desejo em combustão… e uma negação que parecia forçada, artificial. Uma negação que gritava o quanto ele também queria, mas não se permitia.

Lorenzo a encarou, como se quisesse memorizar cada traço, cada curva. Como se soubesse que, ao virar as costas, uma parte dele ficaria para sempre ali.

O silêncio entre eles era ensurdecedor.

A respiração dele era ofegante. O peito subia e descia num ritmo irregular. O rosto estava banhado de suor, e os olhos azuis… turvos, perdidos.

Então ele se afastou bruscamente. Como se tivesse sido queimado, como se o corpo dela fosse fogo vivo.

— Não… não posso… — repetiu, se levantando com um movimento abrupto. Estava pálido. A mandíbula travada. Os punhos cerrados. O olhar vidrado nela como se estivesse vendo um fantasma.

— Lorenzo…? — sussurrou ela, com a voz trêmula, confusa. — Porque está fazendo isso comigo?

Ele não respondeu.

Permanecia parado a poucos passos da cama, com o peito arfando e os olhos marejados … sim, marejados, como se estivesse lutando contra algo muito mais cruel do que o desejo. Como se a simples ideia de ceder a ela fosse capaz de destruí-lo por dentro.

Virou o rosto como um covarde. Como um homem à beira da ruína. Os maxilares cerrados, as veias saltadas no pescoço, as mãos fechadas em punhos. Lutava com o corpo, com a mente, com o passado. Mas acima de tudo, lutava contra si mesmo.

— Isso está errado… — disse, enfim, com a voz rouca, grave, sufocada, como se lhe custasse respirar.

— Errado? — Isabella repetiu, em choque. Um riso nervoso e fraco escapou de sua garganta. — Você me beija, me toca, me deixa à beira do delírio… e agora diz que é errado?

Ela se levantou lenta e deliberadamente.

A camisola, ainda erguida na altura das coxas, deixava exposta a pele que ele acabara de tocar. Os cabelos desgrenhados, os olhos úmidos, as bochechas ruborizadas. Ela parecia uma visão, sensual, crua, ferida e incrivelmente real.

— Não brinque comigo, Lorenzo… — disse ela, com a voz tremendo, não de medo, mas de mágoa. — Eu não sou uma criança. Não sou um passatempo. Não sou uma fantasia noturna para você bancar o arrependido depois.

Lorenzo trancou a porta com força e encostou-se contra ela, como se o próprio corpo estivesse em guerra com a mente. A camisa havia sido arrancada no caminho. O peito subia e descia de forma irregular, a respiração era um sopro animalesco.

Os cabelos estavam bagunçados. As mãos trêmulas e o olhar… perdido. Ele se arrastou até a estante de livros, pegou o copo de uísque que já estava pela metade e o virou de uma vez só. O líquido queimou a garganta, mas não trouxe o alívio que buscava.

Nada aliviava.

Nem o álcool, nem o silêncio, nem a distância de poucos metros que o separava da única mulher capaz de deixá-lo sem chão.

Isabella.

Aquela que agora chorava em silêncio por causa dele.

Ele gemeu baixo, pressionando a testa contra o vidro da estante. O vidro gelado não foi suficiente para conter o calor que ainda queimava dentro dele. O gosto dela ainda estava nos seus lábios. O cheiro da pele, nos dedos. A imagem da calcinha úmida, da boca implorando por mais, do corpo tremendo sob o dele… E ele fugiu. Porque era isso que sabia fazer.

Fugir do amor, da entrega, de tudo que o lembrava daquilo que um dia ele perdeu e que jurou nunca mais permitir que nascesse dentro dele.

Mas Isabella… Isabella o desarmava com um olhar, com um toque, com uma súplica feita entre gemidos.

— Porra, Isabella… — ele murmurou, com a voz falha. — Você vai me destruir…

Ele se odiava por tê-la deixado. Se odiava ainda mais por desejar voltar e implorar por perdão.

Porque a única coisa que ele queria naquela noite… Era deitar ao lado dela e fingir que o mundo lá fora não existia.

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