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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 90

Horas depois, já em um bar discreto e aconchegante no coração de Boston, os dois amigos estavam mergulhados na terceira rodada de uísque. A iluminação era baixa, as luzes âmbar dos lustres antigos banhando o espaço com um tom nostálgico. Os sofás de couro envelhecido chiavam discretamente sob os movimentos dos clientes, enquanto uma música suave de jazz preenchia o ambiente como um sussurro constante. O lugar, conhecido apenas por habitués, era um refúgio entre as sombras da cidade.

A mesa de Lorenzo e Marco era a mais reservada, próxima à janela, onde se podia ver as luzes da cidade refletidas nas poças d’água de uma garoa recente. Sobre a mesa, um balde de gelo derretia lentamente, ao lado de uma nova garrafa de uísque já aberta. O cheiro amadeirado da bebida misturava-se ao aroma de couro e tabaco do ambiente.

Marco recostou-se com preguiça no assento, afrouxando a gravata com um gesto despreocupado. Observou o amigo com atenção antes de perguntar:

— Então você realmente se apaixonou por ela, não é?

A pergunta veio com um sorriso travesso, mas havia carinho ali. Era o tipo de provocação que só os amigos de longa data sabiam como dosar.

Lorenzo soltou um riso abafado, cansado, quase um suspiro. Passou a mão pelos cabelos desalinhados, depois esfregou o rosto, como se quisesse acordar do turbilhão em que se encontrava.

— Estou fodido, Marco.

— Está sim — Marco confirmou, brindando com ele. — E sabe o que isso significa?

— Que estou perdendo a cabeça?

— Que está vivo, Lorenzo. Que voltou a sentir. E que Letícia, onde quer que esteja… provavelmente está sorrindo agora.

As palavras caíram como um peso macio sobre o peito de Lorenzo. Ele ficou em silêncio, olhando fixamente para o copo de uísque antes de tomar mais um gole, desta vez mais lento, mais reflexivo. Seus olhos estavam marejados, ainda que tentasse disfarçar. Marco viu, mas não comentou. Sabia que certas dores precisavam ser sentidas até o fim.

— Você sempre foi bom em controlar tudo — continuou Marco. — Nos negócios, na casa, na vida da Aurora. Mas o amor… o amor nunca esteve na sua lista de prioridades. E nem vai estar.

— Eu tentei — Lorenzo murmurou. — Juro que tentei manter distância. Ela merece alguém inteiro. E eu… eu estou em pedaços.

— Lorenzo, ela não quer você inteiro. Ela quer você real. Com falhas, com passado, com tudo. Sabe por quê? Porque ela também é feita de cicatrizes. E talvez, só talvez, vocês possam ser cura um para o outro.

O silêncio que se seguiu era pesado, mas não opressivo. Era o tipo de silêncio entre irmãos, entre almas que se compreendem mesmo no caos.

— Vamos embora — Marco sugeriu, colocando a mão sobre o ombro do amigo. — Você já bebeu mais do que devia.

— Não consigo levantar — Lorenzo resmungou, tombando o corpo contra o encosto. — Estou mole.

— Mole e dramático. — Marco bufou rindo. — Você se lembra daquela noite em Florença? Quando tive que te carregar escada abaixo porque você resolveu dançar em cima da mesa?

— E quem colocou "Volare" no jukebox?

— Um erro de cálculo — Marco respondeu, levantando-se com dificuldade. — Agora aguente firme, Romeu embriagado. Te levo para casa antes que você decida declamar poesia para o taxista.

Entre risos e tropeços, Marco conseguiu colocar Lorenzo de pé e, com ajuda de um garçom simpático, levou o amigo até o carro. Durante o trajeto até a mansão Velardi, Lorenzo adormeceu no banco traseiro, a cabeça encostada no vidro, os lábios entreabertos. Parecia exausto, mas também… leve.

Ao chegar, Marco pediu ajuda a um segurança e conduziu Lorenzo silenciosamente até seu quarto. O corredor estava em penumbra, os passos abafados pelos tapetes. Ao cruzarem a última curva, Lorenzo murmurou um nome:

— Isabella…

Marco sorriu com ternura.

— Vai ficar tudo bem, irmão.

Deitaram-no com cuidado, retiraram seus sapatos e cobriram-no com o lençol leve. Marco observou o rosto do amigo por alguns segundos antes de sair do quarto, deixando a porta apenas entreaberta. A madrugada avançava lá fora.

E foi nesse exato momento que ele a puxou pela cintura. Sem violência, sem urgência. Apenas com uma intensidade desesperada de quem precisava sentir. Os lábios dele tocaram os dela com uma fome contida por tempo demais. Um beijo carregado de saudade, desejo e medo. Um beijo que dizia o que ele nunca soube como dizer.

Isabella, surpresa, hesitou por um segundo. Mas então sua mão pousou no peito dele, e ela correspondeu. O mundo pareceu sumir ao redor. Tudo que restava era aquele instante. Eles dois.

As respirações se misturavam no ar morno do quarto, e a tensão entre eles parecia vibrar sob a pele, como uma corda prestes a se partir. Isabella recuou levemente, instintivamente, mas Lorenzo a puxou de volta com um toque firme e reverente, os dedos deslizando pela curva delicada de suas costas até encontrarem a alça fina da camisola. Seu olhar azul queimava sobre ela, e por um instante, o mundo deixou de existir. Só havia eles dois e o momento.

Ele inclinou-se e, com os lábios quentes, começou a distribuir beijos ardentes pelo pescoço dela, descendo com lentidão provocante, como se cada centímetro de pele merecesse ser adorado. Sua mão, trêmula de desejo contido, deslizou pela alça da camisola, expondo o ombro, depois o seio, com uma reverência quase sagrada.

Sem hesitar, seus lábios encontraram o mamilo rosado, sugando-o com intensidade e delicadeza ao mesmo tempo. Isabella arqueou o corpo, o som que escapou de sua boca era um gemido baixo e urgente.

— Lo-Lorenzo… Ann… — ela sussurrou, com os olhos semicerrados e os dedos agarrando o tecido da camisa dele, como se se ancorasse nele para não se perder completamente.

Ele segurou o corpo pequeno e o deitou na cama com cuidado. As mãos grandes dele escorregaram com lentidão pelas laterais do corpo dela, como se estivessem memorizando cada curva. Com ambas as mãos, ele acariciou suas coxas nuas, os polegares traçavam círculos preguiçosos, enquanto subia a camisola com uma lentidão calculada, expondo o ventre liso que tremia sob seu toque.

Lorenzo gemeu baixo, pressionando a testa contra a pele dela, lutando contra o próprio desejo que ameaçava devorá-lo por completo. Seu hálito quente acariciava o ventre dela, e a tensão em seu corpo era palpável — como se cada músculo estivesse em guerra contra a razão.

Os beijos voltaram, subindo em um caminho tortuoso e faminto, passando pela costela, o seio, o ombro, o pescoço novamente… até alcançarem a clavícula e, por fim, o lóbulo da orelha, onde ele murmurou, com a voz embargada e rouca:

— Isso é loucura… — seus lábios roçaram a pele sensível com adoração. — E eu estou perdendo a cabeça…

Isabella fechou os olhos, tentando controlar o ritmo frenético do próprio coração. As mãos dela se enroscaram na camisa dele, puxando com força, ansiando por mais, por tudo. Quando os olhos se encontraram, não havia mais espaço para palavras.

Só havia silêncio, o som da chuva fina escorrendo pelas vidraças lá fora e o trovão, não no céu, mas dentro deles, anunciando que algo, enfim, estava prestes a mudar para sempre.

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