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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 420

Na tela, havia uma série de documentos digitalizados, oficiais, com carimbos e assinaturas. Eram relatórios, listas de bens e registros de compra.

— Olha aqui — Raul apontou com o dedo para uma linha. — Dois anos atrás, um galpão industrial na zona leste de São Paulo, em uma área decadente, foi a leilão após ser apreendido de um traficante ligado aos… adivinha?

— Doze Selos — completei, com o sangue começando a ferver em minhas veias.

— Exato. O processo foi "arquivado por insuficiência de provas" contra o comprador final. E o comprador final, através de uma conta fantasma registrada nas Ilhas Cayman… — ele deslizou o dedo para a última página, mostrando um registro de propriedade recente, — é o nosso amigo Thales.

Eu olhei para o endereço do galpão. Era isolado, perfeito para armazenar algo que não se queria encontrado. Dinheiro? Armas? Prova contábeis?

— Tem mais — Raul continuou, seu tom ficando mais sombrio. — Não é só o galpão. Ele tem uma série de lotes de terra, alguns em seu nome, outros… — ele trocou de documento, — em nome de uma mulher. Marilene Rocha. Nenhuma ligação aparente com ele nos registros civis ou corporativos que a gente conseguiu achar. É um fantasma.

Marilene Rocha, um novo nome e uma nova peça. Quem era? Sócia? Laranja? Amante?

A imagem começou a se formar, nítida e assustadora. Thales não era um jogador pequeno.

Ele era um gerente de ativos para os Selos. Comprava, lavava e escondia a riqueza do grupo. Imóveis, galpões, terrenos e ele usava sua posição na delegacia para direcionar leilões, abafar processos, limpar o caminho.

E agora, com o esquema em frangalhos, ele estava tentando proteger seu quinhão. Ou fugir com ele. A sua ausência fazia sentido. Ele estava em São Paulo, cuidando dos seus ativos, tentando liquidar, esconder ou fugir.

A raiva que eu sentia por ele como o marido abusivo da Lorena se fundiu com um ódio novo, mais frio, ele era o câncer que sustentava o monstro que tentou me matar. Ou, até o mandante.

Olhei para a minha perna, para o gesso que em breve sairia. E depois olhei para o endereço do galpão em São Paulo na tela.

— Eu preciso ir até lá — a frase saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar em lógica.

Raul olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido.

— Chefe, com todo respeito… você tá com um alvo nas costas do tamanho de um caminhão. Ir para São Paulo, para o território inimigo, onde claramente ele tem influência…

— É exatamente por isso que eu vou.

Cortei, com a determinação cristalizando-se em algo sólido e perigoso dentro de mim.

— Eles vão estar me procurando aqui, se é que ainda estão. Vão esperar que eu fique escondido, me recuperando. Não vão esperar que eu vá até o covil deles.

Ergui o olhar para ele.

— E será a isca perfeita, Raul. Se o "Notário" ainda quer me limpar, ele vai mandar alguém atrás de mim. E quando ele fizer isso… a gente pega. Em território que vamos escolher.

Raul ficou em silêncio por um longo momento, processando. Ele sabia dos riscos e que era praticamente uma missão suicida na minha condição.

Mas também viu a lógica perversa e a chance de inverter o jogo e sair da defensiva.

— Você vai precisar de uma cobertura perfeita — ele disse finalmente, sua voz assumindo o tom pragmático de quem já estava planejando os detalhes. — Rota segura e uma equipe de proteção boa.

— Monta. Usa todo o dinheiro que for preciso e contrata os melhores. — Olhei novamente para o iPad, para o nome Marilene Rocha. — E enquanto isso, descobre quem é essa mulher. Ela é a chave e pode ser a fraqueza dele, ou a arma que a gente precisa.

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