Ouvi ele suspirar profundamente, um som que era pura frustração e preocupação misturadas.
— Estou indo, mas se isso for algum tipo de enrolação, Fonseca…
— Não é enrolação, delegado. É uma trégua, pela Lorena.
— Em meia chego aí.
— Te espero.
Desliguei a chamada e deixei o celular cair no meu colo. A adrenalina ainda corria, mas agora misturada com um alívio cauteloso. Pelo menos ele vinha e eu não estaria mais completamente às cegas.
Gritei para o Raul, que apareceu na porta da sala instantaneamente.
— O delegado Eduardo, irmão da Lorena, está vindo pra cá em meia hora.
Os olhos de Raul se arregalaram por um segundo, mas ele apenas assentiu.
— Certo. Vou avisar os homens no portão. Recepção limpa?
— Limpa, mas vigilante. Não sabemos se ele vem sozinho, ou se pode ter sido seguido. Mantenha o perímetro seguro, mas discreto.
— Entendido.
Ele saiu para dar as ordens, e eu fiquei ali, olhando para a parede cheia de informações, mas vendo apenas o rosto dela.
Seu irmão estava a caminho e isso significava que o muro de silêncio ao seu redor estava prestes a ser violado. Eu ia saber tudo e então, com todas as peças na mesa, eu poderia finalmente agir.
Mas um frio na espinha me lembrava de que saber a verdade também significaria encarar, de frente, a extensão do sofrimento dela. E isso, eu sabia, seria a parte mais difícil de todas.
***
A ansiedade na espera estava para me deixar louco. Tentava focar no notebook, nas movimentações financeiras da empresa, ou algo relacionado a essa confusão toda… mas minha mente não parava de vagar para a Lorena e as marcas em seu pescoço.
Para o que o Eduardo poderia trazer de informações.
Ouvi passos leves e hesitantes no corredor e olhei para cima vendo Milena.
Minha irmã estava um fantasma da versão animada que ela costumava ser. Seus olhos, normalmente tão brilhantes e cheios de ironia, estavam fundos e cercados por olheiras escuras.
Ela usava um moletom enorme, como se quisesse se esconder dentro dele, e seus movimentos eram lentos, pesados.
— Oi — ela disse, com a voz quase um sussurro, parando na entrada da sala sem entrar completamente.
— Mila, se aproxime — Sinalizei para o sofá ao lado da minha cadeira. — Você tá um caco. O que foi?
Ela se aproximou, sentando-se na beirada do sofá, como se estivesse pronta para fugir a qualquer momento e olhou para as mãos no colo, evitando meu olhar.
— É… nada. Só o cansaço de tudo o que vem acontecendo — murmurou, a desculpa soando oca até para ela.
Eu a conhecia desde que ela era um bebê chorando no berço. Sabia cada uma de suas mentiras e disfarce.
— Para com isso, Milena. — Minha voz saiu mais suave do que eu pretendia.
A preocupação com ela começou a tomar o espaço da ansiedade pela reunião.
— Isso é por causa do Nicolas, não é? Do sumiço dele.
Ela não disse nada, apenas o seu queixo começou a tremer de uma forma que me partiu o coração.
Uma lágrima solitária escapou e rolou pela sua bochecha, e ela a enxugou com raiva, como se estivesse brava por mostrar fraqueza.
— Mila… — suspirei, me inclinando para frente o máximo que a perna imobilizada permitia. — Fala comigo, por favor.
Foi como se tivesse aberto uma represa. Um soluço abafado saiu da sua garganta, e então as lágrimas vieram em um fluxo silencioso e devastador.
Ela se curvou para frente, escondendo o rosto nas mãos, com os ombros sacudindo.
Ela assentiu novamente, novas lágrimas escorrendo.
— Aconteceu só uma vez. Mas foi… foi quando a gente achou que a ameaça tinha acabado. Que a gente estava seguro, um momento de… de paz falsa. E agora ele sumiu, e eu tô grávida, e eu não sei se ele era quem dizia ser, se ele tá vivo, se ele vai voltar…
Ela cobriu o rosto novamente, os soluços voltando.
— Meu Deus, Rafa, o que eu vou fazer?
Segurei o seu rosto, forçando-a a me olhar. O mundo ao meu redor, a guerra com os Doze Selos, Lorena em perigo, minha própria perna quebrada, pareceu recuar por um segundo.
Aqui estava a minha irmã mais nova, assustada e grávida, e o mundo dela tinha desabado também.
— Você não vai fazer nada sozinha — disse, com a voz firme, tentando transmitir uma segurança que eu mesmo não sentia totalmente. — Você e o meu sobrinho vão ficar bem. Vamos resolver isso.
— Mas ele…
— O Nicolas a gente encontra. Vivo ou… — não consegui terminar a frase. — Mas ele é o menor dos problemas agora. Você e o bebê são a prioridade. Você vai ficar aqui, comigo, segura e a gente vai descobrir onde ele está e eu o arrasto até aqui. Juro por tudo.
Ela me olhou, buscando nas minhas palavras um alívio que eu mal podia oferecer. Mas viu a determinação.
E, pela primeira vez desde que entrou na sala, o pânico absoluto nos seus olhos deu uma pequena trégua, substituído por um cansaço profundo e uma confiança frágil.
Ela se jogou em meu abraço de novo, e eu a segurei, sentindo o peso do novo segredo, da nova responsabilidade, e a nova vida que estava chegando no meio do caos absoluto.
Minha mente já estava dividindo as preocupações entre a Lorena lá fora, o delegado a caminho, a ameaça dos Selos… e agora, minha irmã grávida do homem mais misterioso que eu já conheci.
Deus, quando seria o suficiente?
Mas olhando para os cabelos desalinhados da Milena, sabia que não importava. Eu ia carregar tudo. Tinha que carregar. Porque ela, como a Lorena, não tinha mais ninguém.
Então ouvimos o som de um carro lá fora, seguido de uma batida na porta. Raul se levantou, olhando para mim.
— Ele chegou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...