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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 417

Ouvi ele suspirar profundamente, um som que era pura frustração e preocupação misturadas.

— Estou indo, mas se isso for algum tipo de enrolação, Fonseca…

— Não é enrolação, delegado. É uma trégua, pela Lorena.

— Em meia chego aí.

— Te espero.

Desliguei a chamada e deixei o celular cair no meu colo. A adrenalina ainda corria, mas agora misturada com um alívio cauteloso. Pelo menos ele vinha e eu não estaria mais completamente às cegas.

Gritei para o Raul, que apareceu na porta da sala instantaneamente.

— O delegado Eduardo, irmão da Lorena, está vindo pra cá em meia hora.

Os olhos de Raul se arregalaram por um segundo, mas ele apenas assentiu.

— Certo. Vou avisar os homens no portão. Recepção limpa?

— Limpa, mas vigilante. Não sabemos se ele vem sozinho, ou se pode ter sido seguido. Mantenha o perímetro seguro, mas discreto.

— Entendido.

Ele saiu para dar as ordens, e eu fiquei ali, olhando para a parede cheia de informações, mas vendo apenas o rosto dela.

Seu irmão estava a caminho e isso significava que o muro de silêncio ao seu redor estava prestes a ser violado. Eu ia saber tudo e então, com todas as peças na mesa, eu poderia finalmente agir.

Mas um frio na espinha me lembrava de que saber a verdade também significaria encarar, de frente, a extensão do sofrimento dela. E isso, eu sabia, seria a parte mais difícil de todas.

***

A ansiedade na espera estava para me deixar louco. Tentava focar no notebook, nas movimentações financeiras da empresa, ou algo relacionado a essa confusão toda… mas minha mente não parava de vagar para a Lorena e as marcas em seu pescoço.

Para o que o Eduardo poderia trazer de informações.

Ouvi passos leves e hesitantes no corredor e olhei para cima vendo Milena.

Minha irmã estava um fantasma da versão animada que ela costumava ser. Seus olhos, normalmente tão brilhantes e cheios de ironia, estavam fundos e cercados por olheiras escuras.

Ela usava um moletom enorme, como se quisesse se esconder dentro dele, e seus movimentos eram lentos, pesados.

— Oi — ela disse, com a voz quase um sussurro, parando na entrada da sala sem entrar completamente.

— Mila, se aproxime — Sinalizei para o sofá ao lado da minha cadeira. — Você tá um caco. O que foi?

Ela se aproximou, sentando-se na beirada do sofá, como se estivesse pronta para fugir a qualquer momento e olhou para as mãos no colo, evitando meu olhar.

— É… nada. Só o cansaço de tudo o que vem acontecendo — murmurou, a desculpa soando oca até para ela.

Eu a conhecia desde que ela era um bebê chorando no berço. Sabia cada uma de suas mentiras e disfarce.

— Para com isso, Milena. — Minha voz saiu mais suave do que eu pretendia.

A preocupação com ela começou a tomar o espaço da ansiedade pela reunião.

— Isso é por causa do Nicolas, não é? Do sumiço dele.

Ela não disse nada, apenas o seu queixo começou a tremer de uma forma que me partiu o coração.

Uma lágrima solitária escapou e rolou pela sua bochecha, e ela a enxugou com raiva, como se estivesse brava por mostrar fraqueza.

— Mila… — suspirei, me inclinando para frente o máximo que a perna imobilizada permitia. — Fala comigo, por favor.

Foi como se tivesse aberto uma represa. Um soluço abafado saiu da sua garganta, e então as lágrimas vieram em um fluxo silencioso e devastador.

Ela se curvou para frente, escondendo o rosto nas mãos, com os ombros sacudindo.

Ela assentiu novamente, novas lágrimas escorrendo.

— Aconteceu só uma vez. Mas foi… foi quando a gente achou que a ameaça tinha acabado. Que a gente estava seguro, um momento de… de paz falsa. E agora ele sumiu, e eu tô grávida, e eu não sei se ele era quem dizia ser, se ele tá vivo, se ele vai voltar…

Ela cobriu o rosto novamente, os soluços voltando.

— Meu Deus, Rafa, o que eu vou fazer?

Segurei o seu rosto, forçando-a a me olhar. O mundo ao meu redor, a guerra com os Doze Selos, Lorena em perigo, minha própria perna quebrada, pareceu recuar por um segundo.

Aqui estava a minha irmã mais nova, assustada e grávida, e o mundo dela tinha desabado também.

— Você não vai fazer nada sozinha — disse, com a voz firme, tentando transmitir uma segurança que eu mesmo não sentia totalmente. — Você e o meu sobrinho vão ficar bem. Vamos resolver isso.

— Mas ele…

— O Nicolas a gente encontra. Vivo ou… — não consegui terminar a frase. — Mas ele é o menor dos problemas agora. Você e o bebê são a prioridade. Você vai ficar aqui, comigo, segura e a gente vai descobrir onde ele está e eu o arrasto até aqui. Juro por tudo.

Ela me olhou, buscando nas minhas palavras um alívio que eu mal podia oferecer. Mas viu a determinação.

E, pela primeira vez desde que entrou na sala, o pânico absoluto nos seus olhos deu uma pequena trégua, substituído por um cansaço profundo e uma confiança frágil.

Ela se jogou em meu abraço de novo, e eu a segurei, sentindo o peso do novo segredo, da nova responsabilidade, e a nova vida que estava chegando no meio do caos absoluto.

Minha mente já estava dividindo as preocupações entre a Lorena lá fora, o delegado a caminho, a ameaça dos Selos… e agora, minha irmã grávida do homem mais misterioso que eu já conheci.

Deus, quando seria o suficiente?

Mas olhando para os cabelos desalinhados da Milena, sabia que não importava. Eu ia carregar tudo. Tinha que carregar. Porque ela, como a Lorena, não tinha mais ninguém.

Então ouvimos o som de um carro lá fora, seguido de uma batida na porta. Raul se levantou, olhando para mim.

— Ele chegou.

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