(Visão Lorena)
Meu coração ainda batia num ritmo alucinante, como se tivesse saído do meu peito e ficado no quarto do hospital, naquela cadeira de rodas, grudado no dele.
Entrei no banheiro discreto do hospital, com minhas mãos trêmulas abrindo a mochila que a Glayce tinha me dado.
Tirei o boné abafado e o moletom enorme, sentindo o ar fresco do ar-condicionado na pele. Embaixo, eu estava com uma roupa normal, um jeans e uma blusa simples, a mesma que eu tinha usado para chegar ao shopping com Alana e a bruxa.
Dobrava as roupas do disfarce com cuidado, ainda sentindo o cheiro dele impregnado no tecido.
Foi uma loucura perfeita e arriscada arquitetada pela Milena e Glayce.
Sair do shopping sob o nariz da minha sogra, entrar num carro escuro com vidros fumês, percorrer dois quarteirões até o hospital, passar por uma entrada de serviço… tudo parecia um filme de espionagem.
Mas valeu cada segundo de pavor.
Coloquei outra camisa branca e uma calça folgada preta, outro boné azul e óculos escuros, segui com o segurança de Rafael, até o carro que estava me esperando.
Elas pensaram em tudo e eu não me preocupava em ter que fazer tantas trocas de roupas dessa forma.
Assim que o carro escuro começou a se mover, longe do olhar de qualquer um, arranquei o boné e deixei a cabeça cair no encosto, com um longo e trêmulo suspiro escapando.
— E aí? — a voz calma da Glayce ao meu lado, no banco de trás. — Como foi?
Não consegui conter. Me virei no banco e a encarei com um sorriso enorme, envolvendo seus ombros num abraço desajeitado mas cheio de uma gratidão que não cabia em mim.
— Obrigada — sussurrei, com a voz embargada pelas lágrimas que teimavam em voltar. — Muito obrigada. Eu não… não sabia como seria possível.
Ela deu uma leve palmada nas minhas costas, profissional, mas não sem afeto.
— Tá tudo bem. Vocês precisavam se ver, saber que estão bem, apesar de tudo, claro. — Ela se soltou e me olhou com mais seriedade — Mas agora é hora de voltar. A Alana já deve estar cansada da brinquedoteca, e a sua sogra… bem, ela já começou a te procurar.
Um gelo instantâneo percorreu minha espinha.
A realidade era uma ducha fria.
Célia, não desgrudou do meu pé esse tempo todo. Nem sei como consegui convencê-la a ir sozinha para a brinquedoteca com Alana, enquanto eu fingia ir comprar algumas roupas para ela.
Chegamos e o carro entrou no estacionamento subterrâneo. Tudo era tão trabalhoso, tão cheio de camadas e mentiras. Mas valeu a pena. Cada segundo de medo valeu por sentir seus lábios nos meus, por ouvir aquelas palavras saindo da boca dele "Eu te amo".
O carro parou num canto escuro do subsolo e Glayce apontou para uma porta de metal, a mesma que eu havia saído.
— É a escada de emergência, como você sabe. Sobe até o quarto andar, lá tem uma segurança nossa esperando no banheiro feminino próximo à praça de alimentação. Ela vai te orientar direitinho e sumir com essas roupas que você está agora.
Assenti, engolindo o nervosismo.
Abri a porta e corri para a escada, subindo os degraus dois a dois, com o coração martelando no peito mais por adrenalina do que pelo esforço.
Saí no corredor do quarto andar, exatamente onde ela disse, vendo o banheiro logo de cara.
Entrei, e uma mulher musculosa com uma bolsa de ginástica sorriu discretamente e indicou a cabine para eu me trocar. Tirei as roupas e o boné e entreguei a ela, que guardou na bolsa.
Me olhei no espelho, ajeitando o cabelo e tentando tirar mais o sorriso de satisfação do rosto… Tudo tinha acontecido de verdade.
— Sua sogra tá vindo pelo corredor central. Entre na loja 'Mini Moda', já tem uma atendente escolhendo roupas do tamanho da sua filha. Apenas compre as peças. — a mulher sussurrou, antes de sair do banheiro como se não me conhecesse.
Não tinha tempo para pensar e quase saí correndo do banheiro, entrando na loja de roupas infantis colorida e barulhenta.
Mal tinha atravessado a porta, e uma vendedora sorridente se aproximou com um monte de roupinhas no braço.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...