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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 422

(Visão Lorena)

Meu coração ainda batia num ritmo alucinante, como se tivesse saído do meu peito e ficado no quarto do hospital, naquela cadeira de rodas, grudado no dele.

Entrei no banheiro discreto do hospital, com minhas mãos trêmulas abrindo a mochila que a Glayce tinha me dado.

Tirei o boné abafado e o moletom enorme, sentindo o ar fresco do ar-condicionado na pele. Embaixo, eu estava com uma roupa normal, um jeans e uma blusa simples, a mesma que eu tinha usado para chegar ao shopping com Alana e a bruxa.

Dobrava as roupas do disfarce com cuidado, ainda sentindo o cheiro dele impregnado no tecido.

Foi uma loucura perfeita e arriscada arquitetada pela Milena e Glayce.

Sair do shopping sob o nariz da minha sogra, entrar num carro escuro com vidros fumês, percorrer dois quarteirões até o hospital, passar por uma entrada de serviço… tudo parecia um filme de espionagem.

Mas valeu cada segundo de pavor.

Coloquei outra camisa branca e uma calça folgada preta, outro boné azul e óculos escuros, segui com o segurança de Rafael, até o carro que estava me esperando.

Elas pensaram em tudo e eu não me preocupava em ter que fazer tantas trocas de roupas dessa forma.

Assim que o carro escuro começou a se mover, longe do olhar de qualquer um, arranquei o boné e deixei a cabeça cair no encosto, com um longo e trêmulo suspiro escapando.

— E aí? — a voz calma da Glayce ao meu lado, no banco de trás. — Como foi?

Não consegui conter. Me virei no banco e a encarei com um sorriso enorme, envolvendo seus ombros num abraço desajeitado mas cheio de uma gratidão que não cabia em mim.

— Obrigada — sussurrei, com a voz embargada pelas lágrimas que teimavam em voltar. — Muito obrigada. Eu não… não sabia como seria possível.

Ela deu uma leve palmada nas minhas costas, profissional, mas não sem afeto.

— Tá tudo bem. Vocês precisavam se ver, saber que estão bem, apesar de tudo, claro. — Ela se soltou e me olhou com mais seriedade — Mas agora é hora de voltar. A Alana já deve estar cansada da brinquedoteca, e a sua sogra… bem, ela já começou a te procurar.

Um gelo instantâneo percorreu minha espinha.

A realidade era uma ducha fria.

Célia, não desgrudou do meu pé esse tempo todo. Nem sei como consegui convencê-la a ir sozinha para a brinquedoteca com Alana, enquanto eu fingia ir comprar algumas roupas para ela.

Chegamos e o carro entrou no estacionamento subterrâneo. Tudo era tão trabalhoso, tão cheio de camadas e mentiras. Mas valeu a pena. Cada segundo de medo valeu por sentir seus lábios nos meus, por ouvir aquelas palavras saindo da boca dele "Eu te amo".

O carro parou num canto escuro do subsolo e Glayce apontou para uma porta de metal, a mesma que eu havia saído.

— É a escada de emergência, como você sabe. Sobe até o quarto andar, lá tem uma segurança nossa esperando no banheiro feminino próximo à praça de alimentação. Ela vai te orientar direitinho e sumir com essas roupas que você está agora.

Assenti, engolindo o nervosismo.

Abri a porta e corri para a escada, subindo os degraus dois a dois, com o coração martelando no peito mais por adrenalina do que pelo esforço.

Saí no corredor do quarto andar, exatamente onde ela disse, vendo o banheiro logo de cara.

Entrei, e uma mulher musculosa com uma bolsa de ginástica sorriu discretamente e indicou a cabine para eu me trocar. Tirei as roupas e o boné e entreguei a ela, que guardou na bolsa.

Me olhei no espelho, ajeitando o cabelo e tentando tirar mais o sorriso de satisfação do rosto… Tudo tinha acontecido de verdade.

— Sua sogra tá vindo pelo corredor central. Entre na loja 'Mini Moda', já tem uma atendente escolhendo roupas do tamanho da sua filha. Apenas compre as peças. — a mulher sussurrou, antes de sair do banheiro como se não me conhecesse.

Não tinha tempo para pensar e quase saí correndo do banheiro, entrando na loja de roupas infantis colorida e barulhenta.

Mal tinha atravessado a porta, e uma vendedora sorridente se aproximou com um monte de roupinhas no braço.

Célia ficou com os lábios finos, mas não disse mais nada. Peguei a sacola, me virei e peguei a mão da Alana.

— Vamos comer? Tô com fome — sugeri para ela, ignorando completamente a presença da sogra.

— Tô com muuuita fome! — Alana confirmou, puxando minha mão. — Brinquei muito na bolinha! Agora quero batata!

Caminhamos para fora da loja, passando por Célia, que nos seguiu com um ruído de desaprovação.

Eu olhava para frente, para a praça de alimentação, tentando respirar fundo e disfarçar o tremor nas minhas pernas.

Dois quilômetros. O hospital ficava a apenas dois quilômetros dali e eu tinha estado lá, tocado nele.

E Célia, não fazia ideia.

Enquanto nos sentávamos em uma mesa e eu olhava o cardápio sem ver, esperando o pedido da Alana ficar pronto, a sensação maravilhosa voltou a me inundar, apagando momentaneamente o medo.

Fechava os olhos por um segundo e sentia tudo de novo, a pressão dos lábios dele, ásperos e urgentes contra os meus.

O seu gosto, o som da sua voz, rouca de emoção, sussurrando "eu te amo".

O toque das suas mãos, grandes e quentes, segurando meu rosto como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Um sorriso pequeno e verdadeiro teimou em ficar nos meus lábios. Ele estava bem e me amava.

E tinha um plano, então, eu não estava sozinha. E por mais assustador que fosse, por mais trabalhoso que fosse fingir e me esconder, aquela pequena centelha de esperança e verdade era tudo que eu precisava para continuar.

Eu aguentaria. Pela Alana. Por ele. Por nós.

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