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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 308

Arregalei os olhos, derrubando quase metade da torta no balcão.

— Como diabos isso aconteceu? Como você fala isso assim, tranquila?

Ela deu de ombros de novo, impassível.

— Culpa dele. Descobri que ele estava de rolo com uma colega de trabalho há meses e eu só planejei tudo.

Fiquei boquiaberto, tentando digerir cada palavra.

— Você tá me dizendo que… planejou tudo, armou que ele te flagrasse com o primo dele?

— Pois é. — Ela deu uma mordida no pedaço da torta, comendo calmamente. — As coisas já não estavam como antes.

Passei a mão pelo rosto, incrédulo.

— Você tinha que ter terminado com ele antes e depois fazer o que quisesse!

Ela negou com a cabeça, sorrindo de um jeito provocador.

— A vingança é melhor, Rafa. Você devia ter visto a cara dele quando me viu com o Zayn… adorei!

— Você não aprende nunca. — Resmunguei, ainda tentando me recompor.

Ela deu de ombros, pegando outro pedaço da torta e mordendo com um sorriso satisfeito.

— Eu vim passar um mês. Depois, vou ver a mamãe e o papai.

— Vai contar pra eles o que você fez? — perguntei, incapaz de esconder o choque na voz.

— Nunca! — Ela riu, mordendo mais um pedaço da torta, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Fiquei ali, segurando o copo de suco e engolindo a torta às pressas, tentando processar o caos que minha irmã acabou de me apresentar.

***

Me sentei na beira da cama, processando tudo o que tinha acabado de ouvir. Minha mente estava confusa, como se tentasse juntar peças de um quebra-cabeça que não queria se encaixar. Milena me observava do outro lado do quarto, e, pela primeira vez, percebi algo que não tinha notado antes, seus olhos, mesmo querendo mostrar que estavam felizes, haviam uma tristeza neles.

— Mih, sei que deveria estar feliz por você finalmente ter voltado para o Brasil, mas… não tem como ficar bem com essa história e como as coisas tomaram seu rumo. Eu sei o quanto você o amava.

— Rafa… — ela começou, com a voz baixa, quase um sussurro. — Eu…

Me aproximei, sentindo meu coração apertar. Ela desviou o olhar, tentando manter uma máscara de quem tinha superado tudo. Mas, eu podia ver através dela, podia sentir a dor que escondia.

— Ei… Milena — disse, suavemente — não precisa fingir comigo. Eu sei que está chateada.

Ela engoliu em seco, e antes que eu pudesse me conter, a abracei. Minha irmã tremeu contra mim, e eu senti suas lágrimas escorrerem.

— Shh… tá tudo bem, tá? — sussurrei, passando a mão pelas suas costas. — Eu tô aqui.

Ela se afastou um pouco, só o suficiente para me olhar, e a dor nos seus olhos me cortou mais do que qualquer lembrança que eu pudesse ter.

— Eu… achei que a gente… — ela engoliu em seco — que ele e eu… íamos ficar juntos pra sempre…

Suspirei, fechando os olhos por um instante.

— Eu também achava isso, Milena. Mas as coisas podem mudar, e a vida levou cada um pra um lado. Não muda o que vocês sentem, mas… tá tudo bem. Eu só quero que você saiba que, mesmo assim… eu sempre vou te acolher. Sempre — falei, apertando-a mais uma vez.

Ela chorou mais um pouco, mas agora havia alívio misturado à dor. Eu a segurava firme, como se pudesse proteger não só o corpo, mas cada pedacinho da sua história que ela carregava.

Depois de um tempo, ela se afastou, enxugou o rosto e sorriu, meio sem jeito.

— Obrigada, Rafa… — disse, e eu assenti.

Ela foi tomar banho e se deitar, e eu fiquei sozinho no quarto, suspirando profundamente. Tomei meu banho, ainda com os pensamentos nela.

Estranhamente, a imagem da minha secretária surgiu na minha cabeça, e por um instante me peguei confuso.

Era estranho… ela era linda, sim, e incrivelmente competente, mas era minha funcionária. Nada jamais aconteceria entre nós. Ela era casada, e eu… eu tinha meu próprio caminho. Mesmo assim, não conseguia explicar aquele pensamento repentino.

Me deitei, olhando para o teto, tentando organizar a mente. Milena estava em paz agora, e eu… bem, eu ainda tinha que lidar com os meus próprios sentimentos.

***

Acordei com o barulho do despertador, ainda sentindo o peso da noite anterior. Meu corpo estava cansado, mas minha mente girava em círculos.

No caminho para o escritório, meu celular vibrou. Era a mensagem do cliente mais importante do dia, o do petshop com o qual tínhamos acabado de fechar uma campanha de marketing digital. Eles tinham acabado de lançar uma promoção de última hora, e precisavam ajustar a estratégia imediatamente nas redes sociais, e-mail marketing, até o roteiro de vídeo. Precisava verificar se tinham conseguido deixar do jeito que foi pedido na reunião passada.

Antes que eu pudesse responder, a luz do elevador apagou completamente. Fiquei paralisado por um segundo, depois rapidamente liguei a lanterna do celular, colocando-a no painel e clicando o botão mais uma vez. Nada.

— Droga… — murmurei, xingando baixinho. — Que diabos está acontecendo?

Lorena começou a hiperventilar. Vi seu peito subir e descer rapidamente e percebi que ela não estava bem.

— Lorena… — disse, aproximando a lanterna dela e tocando de leve seu o ombro. — O que está acontecendo?

Ela respirou fundo, tentando falar, mas a voz saiu trêmula.

— Eu… eu não gosto de lugares pequenos e… fechados…

Então, começou a recuar, batendo com as costas nas paredes e soltando uma lufada de ar pelos lábios. Seu corpo tremia visivelmente.

Franzi o cenho, percebendo que era sério.

— Calma, tá? — tentei ligar para o chefe de segurança, mas a ligação não completou. — Vai ficar tudo bem.

— Nós vamos ficar presos aqui até amanhã! — disse ela, quase chorando. — O pessoal da empresa já foi embora…

Respirei fundo, tentando manter a calma para não piorar a situação.

— Lorena… se acalma, tá? Sempre ficam seguranças na empresa. Eles vão perceber que a gente não saiu.

Tentei ligar de novo. Dessa vez, o telefone completou a chamada.

— Josias? — falei assim que ele atendeu. — O que aconteceu? O elevador simplesmente parou comigo e minha secretária dentro.

— Chefe, houve uma queda de energia no prédio. Estamos tentando acionar o gerador, mas o bairro inteiro está apagado — respondeu.

— Certo. Resolve isso rápido, precisamos sair daqui — falei, tentando controlar a voz para não assustar ainda mais Lorena.

— Pode deixar. Vou fazer o mais rápido possível — disse ele, com a voz firme.

Continuei segurando a lanterna do celular, iluminando o painel e as paredes do elevador. Foi então que percebi a notificação de que a bateria estava acabando. Olhei para Lorena. Ela estava suando, completamente apavorada, tremendo levemente, e eu senti meu peito apertar.

— Lorena, olha pra mim — disse, colocando uma mão firme em seu ombro. — Eu sei que é assustador, mas vamos sair daqui. O Josias vai cuidar disso. Só respira fundo, tá? Estamos juntos nisso.

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