— Você consegue mesmo resolver isso?
Henrique segurou a mão dela e esfregou de leve as pontas de seus dedos gelados.
Em pleno verão, as mãos de Carolina estavam frias daquele jeito. Era óbvio que o susto tinha sido grande.
Com o peito apertado, ele fitou o rosto claro dela.
— Consigo.
Carolina assentiu.
Tentou puxar a mão de volta, mas percebeu que ele a segurava com firmeza, sem a menor intenção de soltá-la.
Ela baixou os olhos. O olhar pousou sobre a mão dele envolvendo a sua. A palma era quente, os dedos, longos e fortes. Sob a pele, veias azuladas se desenhavam em traços discretos, com a solidez serena de uma cadeia de montanhas.
Aquele gesto simples, aquele calor silencioso envolvendo sua mão, bastou para que uma sensação de segurança se espalhasse da ponta dos dedos até o fundo do peito, fincando raízes devagar dentro dela.
— De quanto é a indenização?
— Oitocentos e poucos mil. — Carolina ergueu o rosto para Henrique e sustentou o olhar quente e profundo dele. — Daquele um milhão que você me deu antes, eu usei uma parte no tratamento da minha mãe. Ainda sobrou um pouco. Quanto à indenização que sua tia pagou para a minha mãe, eu deixei aplicada numa conta em nome do meu pai. Talvez eu não consiga quitar tudo de uma vez, mas posso resolver isso sozinha.
— Então paga tudo de uma vez. Assim ela não volta a te procurar nem te importunar. O que faltar, eu cubro.
Carolina balançou a cabeça.
— Não precisa. E... Tem outra coisa que eu preciso te confessar.
— O quê?
— Os dois imóveis que você me deu, o de Porto Velho e o de Nova Capital... Eu não passei nenhum deles para o meu irmão.
Henrique sorriu de leve, tranquilo, e bagunçou o cabelo dela com carinho, visivelmente satisfeito.
— Melhor ainda que não tenha dado. Naquela época, eu falei aquelas coisas horríveis só para te forçar a vir para Nova Capital.
Carolina se assustou. Ergueu o rosto e ficou encarando-o, incrédula.
— Agora você já está aqui, então eu consegui o que queria. Você...
Ele nem chegou a terminar.
Carolina o interrompeu, chocada:
— Então foi você que causou o vazamento na minha casa? E também foi você que avisou o Emerson que eu estava em Nova Capital, prestes a entrar em outro escritório, para ele vir me disputar?
Henrique apenas sorriu, sem responder. Baixou os olhos e continuou acariciando de leve os dedos dela.
Carolina tentou puxar a mão, irritada, mas ele a segurou com ainda mais firmeza.
Naquela noite fresca, o coração dela enfim encontrou sossego.
— Henrique, o que você estava fazendo aqui? — Carolina perguntou, curiosa.
— Desde o dia em que você chamou a polícia, eu venho vigiando isso aqui. Estava esperando essa pessoa misteriosa aparecer.
Carolina virou o rosto para ele, surpresa.
— Desde o dia em que eu chamei a polícia?
— Sim.
Henrique confirmou.
Um calor subiu de repente pelo peito de Carolina. Seus olhos arderam, e o nariz formigou de leve, como se a emoção estivesse prestes a transbordar.
As câmeras de segurança nunca conseguiam registrar o perseguidor. Até a polícia achava que o problema estava nela, que era coisa da cabeça dela, sensibilidade em excesso, imaginação demais.
Até ela mesma, em alguns momentos, tinha começado a acreditar que talvez tudo não passasse de uma ilusão.
Mas Henrique, sem dizer uma palavra, passou a se esconder com frequência no caminho por onde ela sempre voltava do trabalho à noite.
Tudo para pegar aquele perseguidor misterioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...