Carlota permaneceu imóvel por um segundo.
Os aplausos ainda ecoavam pelo salão quando o nome Lemann atingiu sua mente com força.
Nathália Lemann.
O sobrenome não era coincidência.
Nunca tinha sido.
O olhar de Carlota percorreu o salão até encontrar Jorge.
Ele está em pé aplaudindo.
Confirmando o que ela acabava de descobrir.
Carlota inspirou fundo.
Então… sorriu.
Um sorriso pequeno.
Controlado.
Elegante.
E aplaudiu.
O salão reagiu.
Aplausos cresceram.
Mas antes que o clima se estabilizasse…
— RICARDO ROCHA!
A voz cortou o ar.
Joyce.
De pé.
Os olhos em chamas.
— O que é isso?! — gritou. — Você esqueceu das noites que passamos juntos? Esqueceu da minha gravidez?!
O salão congelou.
Sussurros baixos surgiram.
Celulares se ergueram.
Ricardo virou-se lentamente.
O olhar rígido.
— Não, Joyce. — respondeu, firme. — Eu não esqueci.
Fez uma pausa.
— Eu apenas ouvi a verdade.
Olhou para Nathália.
Segurou sua mão.
— Uma verdade que nós sempre soubemos. — completou.
Ricardo passou o braço pela cintura de Nathália com delicadeza.
Deu dois passos para o lado.
E o telão do salão acendeu.
O vídeo começou.
Nathália aparecia caminhando em direção à porta do escritório.
Joyce, sentada no sofá da sala do Ricardo.
Debochada.
Confiante.
Cada frase arrancava murmúrios do público.
“Os deuses sorriram quando eu entrei aqui e ouvi Ricardo contando pras suas amiguinhas nojentas que Jorge Lemann era seu pai.”
O salão mergulhou num silêncio sepulcral.
Flashes disparavam sem parar.
“Então bastou pagar um garçom. Um copo adulterado e pronto. Ricardo bêbado só pra mim.”
Joyce ria no vídeo.
“E o melhor… ele não lembra de nada.”
Um burburinho indignado se espalhou.
“E ainda acredita que posso estar grávida.”
A tensão era sufocante.
Então veio a última fala.
A mais cruel.
“Se você não sair do meu caminho… a próxima a acordar drogada numa cama vai ser você.”
Joyce sorriu, venenosa.
“Já pensou o que um desconhecido faria com você desacordada?”
O vídeo foi encerrado.
As luzes do salão se acenderam por completo.
O choque era absoluto.
Thomas já estava ao lado de Joyce.
Dois policiais fardados se aproximaram.
Ricardo pegou o microfone mais uma vez.
— Fica claro aqui, diante de todos — disse, sem elevar a voz — que eu nunca tive nada com Joyce Nunes.
Olhou ao redor.
— As fotos que circularam na última semana, como vocês ouviram foram montagens feitas após eu ter sido dopado.
Virou-se para Nathália.
O olhar firme.
Seguro.
— Repito quantas vezes for preciso: a única mulher da minha vida é Nathália Guimarães Lemann. Não houve outra. E não haverá.
Silêncio.
— O leilão pode continuar. — concluiu. — Boa noite a todos.
Entregou o microfone ao funcionário.
Desceu do palco ajudando Nathália.
Todos os olhares, agora…
se voltaram para Joyce.
Thomas deu um passo à frente.
— Joyce Nunes, você está presa. — disse com voz oficial. — Você tem o direito de permanecer calada. Tudo o que disser pode e será usado contra você em tribunal. Você tem o direito a um advogado. Se não puder pagar um, um será designado pelo Estado.
Um dos policiais se aproximou.
Joyce recuou.
— Não! — gritou. — Eu não posso ser presa! Eu não fiz nada!
Thomas manteve a calma.
— Além de dopar uma pessoa, — enumerou — você cometeu ameaças graves, tentativa de coação, difamação… e está sendo investigada por lavagem de dinheiro e desvio de recursos.
Inclinou a cabeça, quase satisfeito.
— A parte interessante? Seu pai foi localizado esta tarde. E vai responder por tudo isso junto com você.
Joyce empalideceu.
As algemas se fecharam.
O som metálico ecoou pelo salão.
Ela foi retirada sob flashes, murmúrios e olhares chocados.
A rainha tinha caído.
Algemada.
Sozinha.
E humilhada diante de todos.
Enquanto Joyce era levada, o salão parecia não saber se respirava ou aplaudia.
No centro do salão, Nathália apertou a mão de Ricardo.
Respirou fundo.
A noite ainda não tinha terminado…
mas a verdade, finalmente,
tinha vencido.
Nathália e Ricardo deixaram o salão do leilão lado a lado.
O barulho dos aplausos, dos flashes e dos sussurros ficou para trás quando atravessaram o corredor externo do grande espaço, onde o ar parecia mais leve.
Ricardo parou perto da varanda.
Ricardo inclinou a cabeça, sério, mas carinhoso.
— Amor… eu sei que você gosta de trabalhar com o Thiago. — disse. — Mas você está desperdiçando talento como secretária.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Ei…
— Não é desmerecendo a profissão. — continuou rápido. — É importante. Mas você tem muito mais a oferecer.
Nathália suspirou.
— Eu sei. O Augusto já me ofereceu outro cargo. — admitiu. — Mas agora eu preciso resolver algumas coisas antes de deixar o Thiago.
Ricardo franziu a testa.
— Tipo o quê?
— Treinar outra assistente. — respondeu. — E resolver alguns assuntos pessoais.
Ricardo olhou para Jorge, quase orgulhoso.
— É importante o senhor saber disso. — comentou. — Ela sempre pensa em todo mundo antes de pensar nela.
Jorge assentiu devagar.
— Igual à mãe dela.
Nathália riu, fingindo indignação.
— Pois fique sabendo que a raça ruim, segundo dona Emília… — brincou — eu puxei do senhor.
Os três riram juntos.
Foi quando vozes animadas se aproximaram.
Eloise vinha na frente, seguida por Laís, Emma, Alana e Sofia.
— MEU DEUS. — Eloise apontou para Nathália. — Eu vou te matar. Você escondeu que estava noiva.
Emma cruzou os braços, olhando para Ricardo.
— Papai… você não falou nada.
Ricardo levantou as mãos em rendição.
— Ela que pediu segredo.
As meninas cercaram Nathália.
Abraços.
Gritos contidos.
— Ai, tô tão feliz por você!
— Mais uma do bonde vai casar!
— Meu Deus… o Ricardo conseguiu!
Nathália ria, emocionada.
Depois que os abraços diminuíram, ela respirou fundo e disse:
— Meninas… agora oficialmente… — fez um gesto em direção a Jorge — esse é Jorge Lemann. Meu pai.
As amigas ficaram em silêncio por um segundo.
Depois, sorrisos.
Cumprimentos.
— Muito prazer.
— Agora tudo faz sentido.
Nathália então apontou para elas.
— E essa é uma parte da minha família. — disse, rindo. — A outra parte são os maridos, namorados delas… e os filhos, claro.
Jorge cumprimentou todas com educação e um orgulho discreto no olhar.
Logo depois, Agatha, Ana e Anabela se aproximaram.
Agatha balançou a cabeça, incrédula.
— Eu não acredito. — disse. — Depois da tarde de hoje, você ainda escondeu que estava noiva.
Eloise cruzou os braços, fingindo revolta.
— Se ela tivesse contado pra vocês e não pra gente… — ameaçou — eu jogava da ponte.
Todas caíram na risada.
E, ali, em meio a provocações, abraços e gargalhadas, Nathália percebeu algo simples e poderoso:
Ela não estava apenas noiva.
Não tinha apenas um sobrenome novo.
Ela tinha, finalmente, um lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...