A primeira semana em casa passou devagar.
Mais devagar do que Emma gostaria.
A médica havia sido clara.
Repouso.
Nada de esforço.
Nada de aventuras.
Nada de testar limites.
Emma odiava cada uma dessas regras.
Na manhã do terceiro dia, ela estava sentada no sofá, com um cobertor sobre as pernas e uma expressão claramente irritada.
— Eu já estou oficialmente entediada — murmurou.
Thiago apareceu na porta da cozinha com duas xícaras de chá.
— Esse é um ótimo sinal de recuperação.
Ela estreitou os olhos.
— Eu não estou me recuperando.
Ele entregou a xícara a ela.
— Está reclamando.
Deu de ombros.
— Isso é praticamente sua personalidade voltando.
Emma tentou parecer séria.
Falhou.
Tomou um gole do chá.
— Eu poderia pelo menos arrumar alguma coisa na casa.
— Não.
— Organizar a estante.
— Não.
— Dobrar roupas.
— Emma.
Ela suspirou dramaticamente.
— Eu odeio você.
Thiago sorriu.
— Você me ama.
Emma abriu a boca para responder.
Mas a campainha tocou.
Ela franziu a testa.
— Quem é?
Thiago já sabia.
— Aposto cinquenta reais que é o grupo de fiscalização.
Ele abriu a porta.
Nathália entrou primeiro.
Parou imediatamente na entrada.
Levantou as mãos.
— Álcool em gel.
Emma apontou para a mesa.
— Ali.
Laís entrou logo atrás.
— Meu Deus, ela realmente virou a louca do álcool em gel.
Emma cruzou os braços.
— Meu sistema imunológico agradece.
Sofia levantou um pequeno pote.
— Trouxemos almoço.
Alana completou:
— E sobremesa.
Eloise apareceu por último.
— E supervisão.
Emma suspirou.
— Vocês não confiam em mim.
Eloise respondeu calmamente:
— Nem um pouco.
As meninas se espalharam pela sala.
Thiago encostou na parede observando tudo.
Emma apoiou a cabeça no sofá.
Por alguns segundos ficou em silêncio.
Pensativa.
Havia momentos em que o medo voltava.
Momentos em que as mãos ficavam frias.
Momentos em que ela lembrava da quimioterapia que viria.
Mas então Thiago aparecia na sala.
Ou uma das meninas fazia alguma piada absurda.
E Emma voltava a sorrir.
Talvez os próximos meses fossem difíceis.
Mas, naquela casa, todos pareciam ter decidido uma coisa em silêncio.
Emma não passaria por nada daquilo sozinha.
O quarto estava silencioso.
A luz da manhã entrava pelas cortinas, iluminando o espelho do guarda-roupa.
Emma parou diante dele.
Fazia alguns minutos que estava ali.
Observando.
O reflexo parecia… diferente.
Ela passou a mão pela própria cintura.
Mais fina.
As roupas estavam mais largas.
O rosto também parecia outro.
As maçãs do rosto mais marcadas.
Os ombros mais delicados.
Até a clavícula agora aparecia de forma evidente sob a pele.
Emma inclinou a cabeça.
— Ótimo… — murmurou. — Estou virando um esqueleto.
Ela fez uma careta para o próprio reflexo.
— Nem sabia que tinha tanta estrutura óssea assim — murmurou. — Se continuar assim, vou precisar de um manual de anatomia para me reconhecer.
— Porque você usa elas para cuidar de todo mundo.
Emma soltou um pequeno riso.
— Inclusive para escrever listas de regras absurdas.
— Exatamente.
Ele beijou o pescoço dela outra vez.
Devagar.
— Eu gosto do jeito que você cuida das pessoas.
— Do jeito que você briga com o mundo inteiro quando acha que alguém que você ama precisa de proteção.
Ele virou Emma de frente para ele.
Segurou o rosto dela entre as mãos.
— Eu gosto de quem você é.
Emma olhou para ele.
Os olhos ainda inseguros.
— Mesmo assim?
Thiago aproximou o rosto do dela.
Falou baixo.
— Mais do que nunca.
Ele passou o polegar pela bochecha dela.
— E tem outra coisa.
Emma inclinou a cabeça.
— O quê?
Thiago aproximou os lábios do ouvido dela.
— Eu ainda te desejo muito.
Ela prendeu a respiração.
Ele continuou, com a voz baixa.
— Minha vontade agora é te jogar naquela cama…
Ele apontou com o queixo.
— E te lembrar exatamente o quanto você é minha.
Emma começou a rir.
— Idiota.
Mas os olhos dela brilhavam.
Ela apoiou a testa na dele.
— Eu também sinto falta de você.
Thiago sorriu.
— Eu sei.
Ele a puxou mais para perto.
Os dois se beijaram.
Um beijo lento.
Profundo.
Cheio de saudade.
Cheio de amor.
Porque, mesmo com todas as cicatrizes que a batalha ainda deixaria…
o desejo entre eles continuava ali.
Intacto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...