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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 484

Lais acordou antes do despertador.

O quarto ainda estava escuro, silencioso… e quente demais.

Por um instante, ficou parada, olhando para o teto, tentando organizar os pensamentos.

Ou fugir deles.

Virou o rosto.

Heitor ainda dormia, o corpo relaxado, completamente alheio ao turbilhão que ela já sentia.

E foi aí que decidiu.

Com cuidado, se levantou da cama, pegando suas roupas espalhadas pelo chão. Se vestiu em silêncio, tentando não fazer barulho, como se aquela saída precisasse acontecer… sem testemunhas.

Sem explicações.

Já estava quase na porta quando—

— Vai fugir assim mesmo?

A voz dele, rouca de sono, a fez parar.

Lais fechou os olhos por um segundo antes de se virar.

Heitor estava apoiado no cotovelo, observando.

Desperto.

— Não estou fugindo — respondeu, simples. — Só estou indo.

Ele a encarou por alguns segundos.

— Deixa eu te levar em casa.

Ela negou com a cabeça.

— Não precisa. Eu me viro. Tenho que chegar cedo.

Ele passou a mão pelo rosto, ainda deitado.

— Você nunca me deixa te levar.

Lais não respondeu.

— Aliás… — continuou ele — eu sei que você tem uma irmã… mas nunca vi, nunca conheci.

O silêncio pesou.

— DR e cobrança não fazem parte do acordo, lembra? — ela respondeu, direta.

Ele soltou um pequeno suspiro.

— Não é cobrança, Lais… — disse, mais baixo. — Só acho meio injusto.

Ela franziu a testa.

— Injusto?

— Você conhece todo mundo da minha vida… minha família, meus amigos… — deu de ombros. — E eu não conheço nem a sua irmã.

Lais desviou o olhar.

Desconfortável.

— Você vai viajar hoje cedo, não vai?

Ele soltou uma risada curta, sem humor.

— Não muda de assunto.

Ela cruzou os braços.

— Não estou mudando.

Ele sustentou o olhar por um instante.

— Sábado é aniversário dos gêmeos.

— Eu sei — respondeu rápido. — Sua irmã já me mandou convite.

Heitor arqueou a sobrancelha.

— Tá vendo? Você troca mensagem com a minha irmã.

Lais deu um meio sorriso.

— Quer trocar mensagem com a minha irmã de dezenove anos?

Ele riu.

— Já pensou? Ela me chamando de tio?

— Não pensei… — ela respondeu, indo até a porta. — E nem quero.

Fez uma pausa.

Olhou para ele.

— Boa viagem, gato.

E saiu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.

O banho frio veio como um choque.

Lais fechou os olhos por um instante, deixando a água gelada cair sobre o corpo, tentando ignorar o contraste gritante entre aquela manhã… e a noite anterior.

Luxo.

Desejo.

E agora…

realidade.

Quando saiu do banho, seguiu direto para a cozinha. Laila já estava lá, sentada à mesa com uma xícara nas mãos, o cabelo preso de qualquer jeito.

Ela ergueu os olhos assim que viu a irmã.

— Então… dormiu com um gato rico de novo?

Lais fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

— Laila, para de falar isso.

A mais nova deu de ombros, sem o menor filtro.

— Ué… enquanto a senhora tá no bem-bom, eu tô aqui tomando banho com água gelada.

Levantou a sobrancelha.

— Aliás, quando a gente vai resolver isso? Ou melhor… quando vamos sair daqui?

Lais se encostou na pia, cruzando os braços.

— Laila…

— Não, sério — interrompeu. — Eu não consigo trazer ninguém aqui. Essa casa tá caindo aos pedaços, Lais. É decadente.

O silêncio pesou por um instante.

— Nossos pais moraram aqui — respondeu Lais, mais firme. — Foi o que eles deixaram pra gente.

Fez uma pausa.

— Isso… e você.

Laila revirou os olhos.

— E por isso a gente vai ficar presa aqui pra sempre?

Se levantou, andando de um lado para o outro.

— A gente podia ir pra mais perto do centro. Do seu trabalho, da minha faculdade… eu arrumo um emprego de meio período, a gente aluga isso aqui e—

— No mundo perfeito da Laila tudo é fácil, né? — cortou Lais.

A irmã virou na hora.

— E no seu mundo a gente tem que continuar vivendo como pobre?

A frase bateu.

Forte.

— Vai… — continuou ela, mais fria. — para de romantizar viver mal, Lais.

Lais respirou fundo.

Uma vez.

Duas.

Segurando tudo o que queria dizer.

Mas não disse.

Nathalia:

→ COMO ASSIM??? Você ficou louca???

Alana:

→ Amiga… era exatamente o que você queria. Trabalhar na sua área.

Lais apoiou a cabeça levemente no banco, ainda parada no trânsito.

→ Mas não na empresa do meu ficante.

Eloise respondeu quase na hora:

→ Meu Deus… eu achei que vocês tinham se resolvido.

Lais fechou os olhos por um instante.

→ É complicado.

Eloise:

→ Não, amiga. Vocês que complicam.

Seguiu outra mensagem:

→ Se ele te fez a proposta, é porque sabe dos riscos.

→ Nada que uma conversa não resolva.

→ Aceita… e depois vocês alinham tudo.

Nathalia:

→ Concordo MUITO com a Eloise.

Sofia entrou logo depois:

→ De alguém que já trabalhou com o grande amor…

→ diálogo é TUDO.

→ Você precisa falar o que sente, o que pensa… e ver se ele já tem um plano pra isso.

Emma:

→ E outra… é a empresa dele.

→ Ele não ia te chamar só porque tá ficando com você ou porque você é uma grande gostosa.

Eloise:

→ Exatamente. Isso é o Heitor empresário falando.

Alana completou:

→ A gente super apoia você aceitar.

→ Mas, se não aceitar, tudo bem também.

→ Só não deixa de trabalhar na sua área por medo.

→ A gente tá aqui pra você.

Lais ficou alguns segundos olhando a tela.

Sentindo.

Absorvendo.

→ Obrigada, meninas… vou pensar com calma.

Bloqueou o celular.

Não era só sobre a proposta.

Era sobre o que vinha junto com ela.

O medo.

A insegurança.

E aquela sensação incômoda de que…

qualquer escolha…

ia mudar tudo.

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