A decisão trouxe movimento — e, com ela, vieram mudanças.
Lais não perdeu tempo. Nos dias seguintes, começou a organizar tudo de forma prática, rápida, quase calculada demais para alguém que, por dentro, ainda estava tentando acompanhar o próprio ritmo.
Mas precisava ser assim.
Se parasse para pensar demais… talvez não conseguisse continuar.
Nathalia foi a primeira a saber.
Ou, pelo menos… a primeira a ouvir a versão que Lais decidiu contar.
— Amiga, eu arrumei um trabalho — disse, tentando manter o tom leve. — Só que é mais longe… e a empresa vai me disponibilizar uma casa.
A mentira saiu fácil.
Limpa.
Sem tropeço.
Quase ensaiada.
Nathalia abriu um sorriso na hora.
— Sério? Que ótimo, Lais! Eu sabia que você ia conseguir!
Lais sorriu de volta, mas não respondeu. No fundo, ela sabia que, se dissesse a verdade, Nathalia não pensaria duas vezes antes de diminuir o valor do aluguel ou simplesmente deixá-la ficar ali sem pagar nada. E Lais não queria isso. Não queria depender de ninguém. Não mais.
Laila soube da mudança no mesmo dia e, diferente de Nathalia, não recebeu a notícia com o mesmo entusiasmo.
— Eu não vou voltar pra aquela casa — disse, cruzando os braços.
Lais suspirou.
Já esperando por isso.
— Você nem sabe pra onde a gente vai.
Laila balançou a cabeça, impaciente.
— Lais, por favor… eu trabalho, eu ajudo. A gente não precisa—
— Laila — interrompeu, mais firme — a gente vai se mudar pra um apartamento novo.
Fez uma pausa.
— É menor… mas é confortável.
O olhar dela suavizou.
— E a gente não vai voltar pra nossa antiga casa.
A mão desceu até a barriga.
Instintiva.
— Principalmente agora.
O silêncio veio.
Mas, dessa vez… diferente.
Laila observou a irmã por alguns segundos.
E então respirou fundo.
— Ainda bem — disse, soltando os braços. — Meu sobrinho trouxe clareza pra você, sabia?
Se aproximou, rindo de leve, e encostou a mão na barriga dela.
— Ou sobrinha… né?
Lais sorriu.
Pequeno.
Mas sincero.
A mudança aconteceu rápido, entre caixas, sacolas e coisas sendo separadas — algumas levadas, outras deixadas para trás, porque nem tudo valia a pena continuar carregando.
Nem materialmente… nem emocionalmente.
O novo apartamento era menor.
Mas acolhedor.
O tipo de lugar que não impressionava à primeira vista… mas fazia sentido quando se prestava atenção nos detalhes.
A luz entrava bem pela janela.
O espaço era suficiente.
E, principalmente… era novo.
Um recomeço.
Ou pelo menos, uma tentativa dele.
Lais parou no meio da sala, olhando ao redor.
Silenciosa.
Sentindo.
Não era o lugar dos sonhos.
Mas era o que ela precisava.
Agora.
Porque, enquanto tudo parecia se reorganizar por fora, por dentro…
ela sabia.
Nada ali era tão simples quanto parecia.
E, enquanto Lais tentava reorganizar a própria vida…
do outro lado da história, Heitor estava longe de seguir em frente. Ele vinha bebendo mais do que o normal, e o mau humor que antes aparecia de forma pontual agora parecia constante. Na empresa, todos já tinham percebido a mudança. Ninguém se aproximava mais do que o necessário, e bastava ele entrar em qualquer ambiente para o clima pesar automaticamente.
No clube, naquela noite, não era diferente. Os amigos estavam reunidos como sempre, entre bebidas, cartas e conversas soltas, mas a presença de Heitor alterava o ritmo natural das coisas. Ele estava mais calado, mais distante, como se estivesse ali apenas de corpo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...