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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 502

A música já preenchia o ambiente quando Heitor entrou na boate.

Grave, alta, vibrando no peito, misturada ao som de vozes, risadas e copos sendo servidos. O lugar estava cheio — mais do que ele esperava. Gente por todos os lados, mesas ocupadas, olhares atentos para o palco ainda vazio, como se todos aguardassem alguma coisa.

Ele caminhou sem pressa até o balcão e se sentou.

— Whisky. Duplo — pediu, direto.

O bartender assentiu, já preparando o copo.

Heitor apoiou os cotovelos no balcão, observando o ambiente ao redor sem muito interesse… até perceber que havia algo diferente naquela noite. Uma expectativa no ar. Uma energia mais carregada.

Como se todos soubessem de algo.

Menos ele.

O copo foi colocado à sua frente.

Ele girou o líquido âmbar por um instante, pensativo.

E então—

As luzes se apagaram.

De uma vez.

O burburinho diminuiu.

E, logo em seguida, o jogo de luz começou.

Fachos cortando o ambiente, cores alternando, criando sombras que escondiam mais do que revelavam. A música mudou, ficando mais lenta, mais envolvente, como se puxasse todos para dentro de um mesmo ritmo.

E então…

Ela apareceu.

No centro do palco.

Máscara negra.

Corpo firme.

Presença que não precisava de esforço para dominar o ambiente.

A Mascarada.

Heitor ergueu o olhar sem perceber.

E não desviou mais.

Havia algo nela.

Algo que ele não sabia explicar.

O corpo dela se movia com controle, sem pressa, como se conhecesse exatamente o efeito que causava. Diferente de tudo que ele já tinha visto ali, não havia exagero, nem entrega fácil. Havia distância. Mistério.

E aquilo… prendia.

Os olhos de Heitor acompanharam cada movimento.

Curiosidade.

Mas não só isso.

Algo mais.

Um incômodo estranho, crescente.

Principalmente quando percebeu os outros homens olhando.

Alguns inclinados para frente.

Outros comentando.

Rindo.

Desejando.

A mão dele apertou levemente o copo.

Sem perceber.

Ele não gostava daquilo.

Não gostava nada.

No palco, Lais já não era mais a mesma da primeira noite.

A insegurança tinha dado lugar ao controle.

Ela se movia com mais confiança, mais presença, permitindo-se descer do palco e caminhar entre as mesas, mantendo sempre a distância exata entre provocação e inacessibilidade.

O jogo de luz ajudava.

Escondia.

Revelava.

Criava ilusão.

Ela estava no controle.

Até não estar mais.

Porque foi quando ela sentiu.

Um olhar diferente.

Pesado.

Fixo.

Familiar.

O corpo reagiu antes da mente.

O coração acelerou.

Forte.

Descompassado.

Ela virou o rosto lentamente.

E viu.

Heitor.

O mundo pareceu travar por um segundo.

O som ficou distante.

O ar mais denso.

O corpo dela parou.

Quase imperceptível para quem olhava de fora.

Mas, por dentro…

tudo tinha mudado.

Ele também sentiu.

Não era reconhecimento.

Ainda não.

Mas era… algo.

Uma sensação incômoda.

Como se já tivesse visto aquilo antes.

Como se conhecesse aquele jeito.

Aquele movimento.

Aquela presença.

Heitor estreitou levemente os olhos, inclinando o corpo para frente, tentando enxergar melhor.

Tentando entender.

No palco, Lais precisou de um segundo.

Só um.

Para se recompor.

O suficiente para puxar o ar, reorganizar os pensamentos e lembrar:

Ele não podia saber.

Não podia.

Ela virou o rosto, quebrando o contato visual.

E voltou a se mover.

Mais firme.

Mais controlada.

Como se nada tivesse acontecido.

Mas, dessa vez…

não era só uma apresentação.

Era um jogo.

E o risco tinha acabado de entrar em cena.

Heitor levou o copo à boca, mas não bebeu.

Os olhos ainda presos nela.

Agora mais atentos.

Mais desconfiados.

— Estranho… — murmurou, quase sem perceber.

Porque, no fundo…

algo nele já tinha reconhecido.

Mesmo que ele ainda não soubesse o quê.

Heitor não conseguiu continuar sentado.

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