Os dias passaram rápido, quase sem que Lais percebesse, e em cada um deles, nos três dias em que havia show, ele estava lá. Sempre no mesmo lugar, na primeira mesa, imóvel, como se fizesse parte da própria decoração da boate. Mas não fazia. Heitor já não assistia mais — ele analisava. Observava cada movimento, cada gesto, cada detalhe, como alguém que tenta montar um quebra-cabeça complexo, esperando que, em algum momento, todas as peças finalmente se encaixem.
E Lais percebeu isso desde o primeiro instante.
Se antes ela dançava para dominar o ambiente, agora dançava para esconder. Mudou o ritmo, o olhar, até a forma de se mover. Tornou-se mais controlada, mais estratégica, mais distante, como se cada passo fosse calculado não apenas para atrair, mas para confundir. Porque aquilo já não era só um espetáculo. Era um jogo. E ele… estava jogando também.
O homem misterioso tinha desaparecido nos últimos dias, o que, de certa forma, trouxe um alívio silencioso. Mas naquela noite, ele voltou.
Lais o avistou ainda nos bastidores, encostado próximo ao balcão, conversando com Jefão. Só que havia algo diferente. Não era a presença em si, mas a forma como ele estava ali — a postura mais rígida, o olhar mais atento, a expressão carregada de algo que não combinava com o ambiente. Não era leve. Não era casual. Era tensa. E aquilo… não era bom.
Poucos segundos depois, Jefão entrou nos fundos, como sempre fazia antes do início.
— Sua vez, gostosa — disse, aproximando-se e segurando levemente a cintura dela.
Mas, dessa vez, Lais não reagiu. O olhar ainda estava preso na cena que tinha acabado de presenciar.
— O que aquele homem queria? — perguntou, direta.
Jefão não hesitou.
— Que homem, querida? — respondeu, já começando a ajudá-la a tirar o roupão, como se aquilo não tivesse importância alguma.
Lais segurou o braço dele, interrompendo o movimento, e o encarou de verdade, sem desviar.
— Jefferson Sousa Barbosa. Não se faça de desentendido.
A mudança foi imediata. O sorriso dele desapareceu, substituído por uma expressão mais fechada, quase irritada.
— Aff… credo — respondeu, em um tom mais sério. — Não repete esse nome aqui.
Houve um breve silêncio, pesado o suficiente para dizer mais do que qualquer explicação.
— Não se preocupa — continuou ele, mudando o tom com rapidez. — Faz teu show… depois a gente conversa.
Lais sustentou o olhar por mais um segundo, avaliando, medindo, como se tentasse extrair algo a mais dali. Mas, no fim, assentiu.
— Tudo bem… — disse, dando um passo para trás. — Mas depois do show você não me escapa.
E entrou no palco.
A música começou quase imediatamente, acompanhada pelas luzes que tomaram conta do ambiente, transformando o espaço mais uma vez. Em poucos segundos, a boate voltou a ferver, cheia de vozes, olhares e expectativas, mas naquela noite havia algo diferente — uma intensidade maior, quase palpável, como se o próprio risco tivesse se infiltrado na apresentação.
A presença de Lais estava mais forte, mais carregada, mais magnética. Cada movimento parecia ter peso, intenção, propósito. E, desta vez, o figurino já não escondia tudo. Não completamente. A barriga estava mais evidente, formando uma curva impossível de ignorar para quem realmente prestasse atenção.
E Heitor prestava.
Ela se moveu pelo palco com precisão, conduzindo o olhar da plateia como sempre fazia, controlando o ritmo, o espaço, as reações. Mas, ao descer um dos degraus e passar a mão pela própria barriga em um gesto lento e natural, algo mudou.
Foi ali.
Naquele instante.
Que tudo mudou.
Heitor congelou.
O olhar travou, fixo nela, enquanto o corpo reagia antes mesmo que a mente conseguisse organizar qualquer pensamento. A frase surgiu dentro dele com força, clara, inegável.
Ela está grávida.
O som ao redor pareceu desaparecer por um segundo. As vozes, a música, a movimentação — tudo ficou distante. A plateia continuava reagindo, comentando, desejando, fascinada pelo espetáculo, mas Heitor já não via mais aquilo.
Ele via ela.
Cada detalhe.
Cada movimento.
Cada respiração.
E, pela primeira vez desde que tinha entrado naquele lugar…
a dúvida começou a desaparecer.
Dando lugar a algo muito mais perigoso.
A certeza.
Lais terminou a apresentação ainda envolta na energia do palco, o corpo aquecido pelo esforço e pela adrenalina que demorava a ir embora. Nos bastidores, manteve a máscara no rosto, como se ainda precisasse daquela proteção por mais alguns minutos, como se tirá-la cedo demais significasse voltar rápido demais para uma realidade que nem sempre era fácil de encarar.
Jefão caminhou ao lado dela em silêncio até o camarim. A presença dele era firme, quase séria demais para alguém que costumava aliviar qualquer clima com facilidade. Ao chegarem à porta, ele parou, apoiando a mão no batente antes que ela entrasse.
— Entra… e você vai ter sua resposta.
Lais franziu levemente o cenho, sem entender o que ele queria dizer. O tom não parecia brincadeira, nem aviso comum. Havia algo ali… diferente. Mesmo assim, girou a maçaneta e abriu a porta.
Assim que cruzou o olhar para dentro do camarim, o corpo travou.
Em pé, no meio do espaço, estava o homem misterioso.
A mão dela permaneceu na porta, mantendo-a entreaberta, como se aquilo ainda fosse uma chance de voltar atrás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...