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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 510

O silêncio que ficou após a pergunta de Sofia não era desconfortável. Era necessário. Pesado na medida certa, carregado de tudo aquilo que finalmente tinha espaço para ser dito.

Lais respirou fundo, sentindo o olhar de todas sobre ela, não como julgamento… mas como espera. Como quem estava pronta para ouvir, para entender, para ficar.

Ela passou a mão pelo rosto, limpando as lágrimas com um gesto cansado antes de finalmente começar.

— Heitor… me acusou.

A voz saiu mais baixa do que gostaria, mas firme o suficiente para continuar.

— Disse que o filho não podia ser dele… que eu tava tentando enganar ele com uma gravidez.

O impacto veio na hora.

Nathalia soltou o ar com força, indignada.

— Aquele cachorro idiota. Não merece você e nem esse bebê.

Alana balançou a cabeça, visivelmente irritada.

— Não merece mesmo… mas você tinha que ter contado pra gente.

Sofia se aproximou mais, ainda ajoelhada na frente dela, tentando segurar o olhar de Lais.

— Por que você não falou a verdade pra ele?

Lais desviou o olhar por um segundo, o incômodo evidente.

— Ele não quis me ouvir.

A resposta veio simples.

Direta.

Mas carregada de tudo que tinha ficado entalado.

Eloise soltou um suspiro, cruzando os braços antes de se aproximar mais.

— Eu sei que você tava chateada… magoada… e com razão — disse, mais calma, mas firme — mas você tinha que ter confrontado ele e dito a verdade.

Emma, mais quieta até então, inclinou a cabeça, pensativa.

— E agora? — perguntou, com cuidado. — O que você pretende fazer? Vai contar… ou vai deixar ele acreditar no que quiser?

Lais ficou em silêncio por alguns segundos.

O olhar perdido.

A mente claramente em conflito.

— Eu… não sei ainda.

A resposta foi honesta.

E suficiente.

Porque, naquele momento, nenhuma delas esperava uma decisão.

Só verdade.

Eloise então se aproximou mais, o olhar passando por cada uma delas antes de voltar para Lais.

— A gente tá com você. E, a partir de agora, eu não admito mais que isso aconteça.

O tom não era duro.

Era decidido.

Proteção.

Ela continuou, agora olhando uma por uma.

— Emma escondeu o câncer. Nathalia escondeu o que tava passando. Sofia já passou por coisa que nem gosto de lembrar… — fez uma pausa curta — e todas nós já erramos em achar que precisava enfrentar tudo sozinha.

O olhar voltou para Lais.

Mais suave.

Mais profundo.

— A nossa amizade não é só pra momento feliz. Não é só pra comemorar conquista, fazer churrasco e rir. Eu quero estar em todas as fases da vida de vocês. Até nas piores.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Mais leve.

Mais verdadeiro.

Eloise estendeu a mão no meio.

— Pode contar comigo.

Sofia foi a primeira a colocar a mão por cima.

— Pode contar comigo.

Nathalia veio logo depois.

— Sempre.

Emma respirou fundo antes de colocar a mão também.

— Não vou esconder mais nada de vocês.

Alana sorriu de leve, emocionada.

— Vocês são mais que amigas pra mim.

Lais olhou aquilo.

As mãos.

A conexão.

A presença.

E, pela primeira vez desde que tudo começou a desmoronar…

ela não se sentiu sozinha.

Colocou a mão por cima das outras.

— Combinado.

As mãos subiram juntas.

— Mais que amigas — disseram todas, quase no mesmo tempo.

O momento ficou ali por alguns segundos.

Gravado.

Forte.

Real.

Mas Lais ainda não tinha terminado.

Ela soltou o ar devagar, abaixando um pouco o olhar.

— E… já que eu não quero mais esconder nada de vocês…

Nathalia arregalou os olhos na mesma hora, se jogando no sofá.

— Meu Deus, ainda tem mais?

Alana cruzou os braços, encarando ela com curiosidade.

— Tem. Porque você chega em casa essa hora todos os dias?

Lais franziu a testa, confusa.

— Como você sabe disso?

— Sua vizinha contou — respondeu Alana, simples.

Eloise deu um passo à frente, já sem paciência.

— Vai, desembucha.

Lais respirou fundo mais uma vez.

Dessa vez mais longa.

Mais difícil.

— Há muito tempo atrás… eu tinha uns dezessete anos… e era apaixonada por dança.

Fez uma pequena pausa.

Lais negou rapidamente, quase rindo da reação das duas.

— Não precisa, sério. São só mais duas semanas. Eu trabalho três vezes por semana… faltam só seis apresentações.

Eloise soltou o ar devagar, claramente contrariada, mas ainda assim tentando manter a razão.

— Lais…

Ela a interrompeu com calma.

— Eu tô bem. Nosso garotão tá bem. Eu prometo. E, se vocês quiserem… podem até ir comigo na próxima consulta.

O silêncio durou apenas um segundo.

Porque Nathalia arregalou os olhos na hora.

— Espera… eu ouvi direito?

Alana praticamente pulou do lugar, levando as mãos para o alto.

— É nosso garotão! — disse, já começando uma dancinha ridícula. — Aê, aê… estamos quase equilibrando o placar!

Sofia entrou na brincadeira, rindo.

— Agora sim estamos no jogo.

Eloise não conseguiu segurar o sorriso.

— Tá bom… — disse, balançando a cabeça — mas são só duas semanas. Nem um dia a mais. Estamos entendidas, senhorita?

Lais riu, relaxando pela primeira vez de verdade.

— Entendida, senhora Monteiro.

Nathalia apontou o dedo na direção dela, fingindo seriedade.

— E eu não aceito um “não”. Meu pequeno precisa de espaço.

Lais balançou a cabeça, divertida.

— Eu já entendi que não adianta discutir com a senhora.

As risadas vieram juntas.

Leves e sinceras, como há muito tempo não eram.

Sofia se aproximou novamente, agora com curiosidade genuína.

— E o nome? Já decidiu?

Lais fez uma careta leve, pensativa.

— Ainda não…

Nathalia cruzou os braços.

— Então pronto. Temos uma nova missão.

— Perigoso isso — murmurou Emma, rindo.

Lais olhou ao redor, sentindo o ambiente mais leve, mais acolhedor, mais… seu.

— Por que vocês não ficam pra dormir? Já tá tarde…

Eloise nem pensou duas vezes.

— Eu aceito.

As outras concordaram logo depois, sem muita resistência. O cansaço já estava ali, mas ninguém queria ir embora. Não naquele momento.

A conversa continuou, agora mais solta. Perguntas surgiam sem peso, risadas voltavam com mais facilidade, e, entre um assunto e outro, as mãos sempre encontravam a barriga de Lais, em gestos de carinho, curiosidade e afeto.

Ali não havia mais cobrança.

Nem distância.

Só presença.

E, no meio de tudo aquilo, Lais finalmente sentiu.

Ela não tinha perdido nada.

No fim… ainda tinha tudo o que realmente importava.

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