O silêncio que ficou após a pergunta de Sofia não era desconfortável. Era necessário. Pesado na medida certa, carregado de tudo aquilo que finalmente tinha espaço para ser dito.
Lais respirou fundo, sentindo o olhar de todas sobre ela, não como julgamento… mas como espera. Como quem estava pronta para ouvir, para entender, para ficar.
Ela passou a mão pelo rosto, limpando as lágrimas com um gesto cansado antes de finalmente começar.
— Heitor… me acusou.
A voz saiu mais baixa do que gostaria, mas firme o suficiente para continuar.
— Disse que o filho não podia ser dele… que eu tava tentando enganar ele com uma gravidez.
O impacto veio na hora.
Nathalia soltou o ar com força, indignada.
— Aquele cachorro idiota. Não merece você e nem esse bebê.
Alana balançou a cabeça, visivelmente irritada.
— Não merece mesmo… mas você tinha que ter contado pra gente.
Sofia se aproximou mais, ainda ajoelhada na frente dela, tentando segurar o olhar de Lais.
— Por que você não falou a verdade pra ele?
Lais desviou o olhar por um segundo, o incômodo evidente.
— Ele não quis me ouvir.
A resposta veio simples.
Direta.
Mas carregada de tudo que tinha ficado entalado.
Eloise soltou um suspiro, cruzando os braços antes de se aproximar mais.
— Eu sei que você tava chateada… magoada… e com razão — disse, mais calma, mas firme — mas você tinha que ter confrontado ele e dito a verdade.
Emma, mais quieta até então, inclinou a cabeça, pensativa.
— E agora? — perguntou, com cuidado. — O que você pretende fazer? Vai contar… ou vai deixar ele acreditar no que quiser?
Lais ficou em silêncio por alguns segundos.
O olhar perdido.
A mente claramente em conflito.
— Eu… não sei ainda.
A resposta foi honesta.
E suficiente.
Porque, naquele momento, nenhuma delas esperava uma decisão.
Só verdade.
Eloise então se aproximou mais, o olhar passando por cada uma delas antes de voltar para Lais.
— A gente tá com você. E, a partir de agora, eu não admito mais que isso aconteça.
O tom não era duro.
Era decidido.
Proteção.
Ela continuou, agora olhando uma por uma.
— Emma escondeu o câncer. Nathalia escondeu o que tava passando. Sofia já passou por coisa que nem gosto de lembrar… — fez uma pausa curta — e todas nós já erramos em achar que precisava enfrentar tudo sozinha.
O olhar voltou para Lais.
Mais suave.
Mais profundo.
— A nossa amizade não é só pra momento feliz. Não é só pra comemorar conquista, fazer churrasco e rir. Eu quero estar em todas as fases da vida de vocês. Até nas piores.
O silêncio que veio depois foi diferente.
Mais leve.
Mais verdadeiro.
Eloise estendeu a mão no meio.
— Pode contar comigo.
Sofia foi a primeira a colocar a mão por cima.
— Pode contar comigo.
Nathalia veio logo depois.
— Sempre.
Emma respirou fundo antes de colocar a mão também.
— Não vou esconder mais nada de vocês.
Alana sorriu de leve, emocionada.
— Vocês são mais que amigas pra mim.
Lais olhou aquilo.
As mãos.
A conexão.
A presença.
E, pela primeira vez desde que tudo começou a desmoronar…
ela não se sentiu sozinha.
Colocou a mão por cima das outras.
— Combinado.
As mãos subiram juntas.
— Mais que amigas — disseram todas, quase no mesmo tempo.
O momento ficou ali por alguns segundos.
Gravado.
Forte.
Real.
Mas Lais ainda não tinha terminado.
Ela soltou o ar devagar, abaixando um pouco o olhar.
— E… já que eu não quero mais esconder nada de vocês…
Nathalia arregalou os olhos na mesma hora, se jogando no sofá.
— Meu Deus, ainda tem mais?
Alana cruzou os braços, encarando ela com curiosidade.
— Tem. Porque você chega em casa essa hora todos os dias?
Lais franziu a testa, confusa.
— Como você sabe disso?
— Sua vizinha contou — respondeu Alana, simples.
Eloise deu um passo à frente, já sem paciência.
— Vai, desembucha.
Lais respirou fundo mais uma vez.
Dessa vez mais longa.
Mais difícil.
— Há muito tempo atrás… eu tinha uns dezessete anos… e era apaixonada por dança.
Fez uma pequena pausa.
Lais negou rapidamente, quase rindo da reação das duas.
— Não precisa, sério. São só mais duas semanas. Eu trabalho três vezes por semana… faltam só seis apresentações.
Eloise soltou o ar devagar, claramente contrariada, mas ainda assim tentando manter a razão.
— Lais…
Ela a interrompeu com calma.
— Eu tô bem. Nosso garotão tá bem. Eu prometo. E, se vocês quiserem… podem até ir comigo na próxima consulta.
O silêncio durou apenas um segundo.
Porque Nathalia arregalou os olhos na hora.
— Espera… eu ouvi direito?
Alana praticamente pulou do lugar, levando as mãos para o alto.
— É nosso garotão! — disse, já começando uma dancinha ridícula. — Aê, aê… estamos quase equilibrando o placar!
Sofia entrou na brincadeira, rindo.
— Agora sim estamos no jogo.
Eloise não conseguiu segurar o sorriso.
— Tá bom… — disse, balançando a cabeça — mas são só duas semanas. Nem um dia a mais. Estamos entendidas, senhorita?
Lais riu, relaxando pela primeira vez de verdade.
— Entendida, senhora Monteiro.
Nathalia apontou o dedo na direção dela, fingindo seriedade.
— E eu não aceito um “não”. Meu pequeno precisa de espaço.
Lais balançou a cabeça, divertida.
— Eu já entendi que não adianta discutir com a senhora.
As risadas vieram juntas.
Leves e sinceras, como há muito tempo não eram.
Sofia se aproximou novamente, agora com curiosidade genuína.
— E o nome? Já decidiu?
Lais fez uma careta leve, pensativa.
— Ainda não…
Nathalia cruzou os braços.
— Então pronto. Temos uma nova missão.
— Perigoso isso — murmurou Emma, rindo.
Lais olhou ao redor, sentindo o ambiente mais leve, mais acolhedor, mais… seu.
— Por que vocês não ficam pra dormir? Já tá tarde…
Eloise nem pensou duas vezes.
— Eu aceito.
As outras concordaram logo depois, sem muita resistência. O cansaço já estava ali, mas ninguém queria ir embora. Não naquele momento.
A conversa continuou, agora mais solta. Perguntas surgiam sem peso, risadas voltavam com mais facilidade, e, entre um assunto e outro, as mãos sempre encontravam a barriga de Lais, em gestos de carinho, curiosidade e afeto.
Ali não havia mais cobrança.
Nem distância.
Só presença.
E, no meio de tudo aquilo, Lais finalmente sentiu.
Ela não tinha perdido nada.
No fim… ainda tinha tudo o que realmente importava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...