O dia do churrasco chegou mais rápido do que Lais gostaria de admitir.
Desde que aceitou o convite, algo dentro dela não tinha ficado em paz. Não era arrependimento. Também não era ansiedade. Era algo mais difícil de nomear. Um incômodo silencioso que aparecia sempre que pensava no que aquele encontro representava.
Ela estava diante do espelho, ajustando o vestido com calma, tentando se convencer de que era apenas um almoço. Nada além disso. Nada que precisasse ser analisado demais. Mas não funcionava. Porque, no fundo, ela sabia que não era só um evento social.
Era César.
E tudo o que vinha junto com ele.
A escolha da roupa tinha levado mais tempo do que deveria. Não por vaidade, mas porque nada parecia neutro o suficiente. Tudo parecia dizer alguma coisa. E Lais não queria dizer nada.
Ainda não.
Passou a mão pela barriga de forma automática, sentindo o leve peso que já fazia parte dela, como se aquele gesto ajudasse a organizar os pensamentos que insistiam em se embaralhar.
Foi quando a porta abriu sem aviso.
Laila apareceu encostada no batente, observando a cena com um sorriso discreto.
— Você está maravilhosa.
Lais deu um sorriso.
— Obrigado, irmã.
Laila se aproximou alguns passos, cruzando os braços, analisando a irmã com aquele olhar curioso que dizia mais do que qualquer pergunta direta.
— Ele é um príncipe, né… — comentou, leve, quase distraída — parece personagem de livro.
Lais soltou um pequeno riso pelo nariz, sem virar o rosto.
— Você exagera.
— Não exagero, não — rebateu Laila, com naturalidade — só tô observando.
Houve um pequeno silêncio.
E então ela deu de ombros.
— Enfim… cuidado. Não faça nenhum besteira.
Lais virou o rosto dessa vez, arqueando a sobrancelha.
— Que tipo de conselho é esse?
Laila sorriu, já recuando em direção à porta.
— Do tipo que você não costuma ouvir.
E saiu.
Simples assim.
Mas deixou algo para trás.
A frase.
O pensamento.
A dúvida.
O quarto voltou ao silêncio, mas agora parecia mais carregado. Lais voltou o olhar para o próprio reflexo, mas já não era a mesma expressão de antes. Havia algo ali… mais atento, mais inquieto.
— Ele é um príncipe… — murmurou, quase repetindo sem perceber.
E aquilo ficou.
Porque a pergunta veio logo depois.
“Por quê?”
Por que ele era assim?
Por que continuava presente?
Por que não recuava, mesmo depois de tudo que ela tinha deixado claro?
— Se eu já disse que não quero nada… por que ele ainda está aqui? — pensou em voz baixa, cruzando os braços.
O incômodo cresceu.
Mas não era rejeição.
Era dúvida.
— Eu preciso conversar com ele… deixar tudo claro de novo.
A frase saiu firme.
Decidida.
Como se aquilo resolvesse tudo.
Mas não resolveu.
Porque outro pensamento veio logo em seguida.
Mais silencioso.
Mais perigoso.
— E se… no futuro eu mudar de ideia?
Ela travou por um segundo.
O olhar no espelho se intensificou.
Mais honesto.
Mais difícil de sustentar.
Levou a mão até o rosto, passando os dedos pelos próprios cabelos, soltando um suspiro leve.
— Ai, Lais…
A voz saiu mais baixa agora.
Quase um aviso.
Quase uma bronca.
— Ele é um homem bom… — continuou, olhando diretamente para si mesma — e faria bem pra você.
A mão desceu até a barriga, com mais cuidado dessa vez.
— Faria bem pro meu pequeno.
O silêncio que veio depois não foi vazio.
Foi cheio de significado.
Porque, pela primeira vez, não era só sobre ela.
E isso mudava tudo.
Mas Lais ainda não estava pronta para admitir.
Endireitou a postura, afastando o pensamento antes que ele criasse raízes mais profundas do que deveria.
O celular vibrou.
Mensagem de César.
“Estou aqui em frente.”
Ela levantou o olhar mais uma vez para o próprio reflexo no espelho, sustentando por um segundo a imagem que via… como se precisasse se convencer de alguma coisa.
— Um passo de cada vez… — murmurou.
Pegou a bolsa.
Respirou fundo.
E saiu.
Sem saber que, naquele dia…
não seria só um almoço.
O caminho foi tranquilo, mas o silêncio dentro do carro dizia mais do que qualquer conversa. Lais permaneceu mais quieta, o olhar perdido do lado de fora, carregando uma tensão que ela mesma ainda não sabia explicar.
O carro parou diante do local do evento, e, antes mesmo que Lais pudesse se preparar mentalmente, César já tinha descido, contornando o veículo para abrir a porta para ela. O gesto veio com a mesma naturalidade de sempre, mas, naquele momento, pareceu mais necessário do que elegante.
— Com calma — disse ele, oferecendo a mão.
Lais aceitou, descendo devagar, sentindo o peso do corpo e, principalmente, o peso do que a aguardava ali dentro.
— Emily, chega — disse César, agora mais sério.
Sem prolongar a cena, apoiou a mão na cintura de Lais e indicou que seguissem, afastando-se dali antes que aquilo ganhasse proporções maiores.
Mas Emily não se abalou.
Pelo contrário.
Um sorriso lento se formou em seus lábios.
Porque, naquele instante…
ela já tinha decidido.
Durante o almoço, César não se afastou em nenhum momento. Conduzia as conversas, incluía Lais sempre que possível, fazia questão de mantê-la próxima, protegida de comentários e olhares mais diretos. Era evidente que ele controlava o ambiente ao redor dela — não de forma rígida, mas estratégica.
E funcionava.
Até certo ponto.
Porque, mesmo ali, cercada, Lais ainda sentia os olhares. Ainda percebia os cochichos. Ainda sabia que não pertencia àquele lugar.
E isso pesava.
Foi então que um homem se aproximou, com postura mais formal, chamando a atenção de César.
— Preciso falar com você. Cinco minutos.
César franziu levemente a testa.
— Pode falar.
— É melhor em particular.
Houve um breve silêncio.
César olhou para Lais, claramente hesitando, dividido entre sair ou permanecer.
Ela percebeu.
E facilitou.
— Pode ir — disse, puxando uma cadeira — eu vou ficar aqui um pouco. Meus pés estão cansados.
Forçou um sorriso leve.
César ainda hesitou por um segundo.
— Eu já volto. Não sai daqui.
E saiu.
Subindo em direção ao escritório.
E foi nesse exato momento que, do outro lado do salão, Emily observou.
Atenta.
Esperando.
— É agora — murmurou.
A mulher ao lado dela hesitou.
— Emily… você tem certeza? Ela está grávida. Isso pode dar problema.
Emily riu.
Sem culpa.
Sem dúvida.
— Não me importa — respondeu, fria — é o preço que se paga por mexer com o que é meu.
Do outro lado do salão, Lais estava sentada.
Sozinha.
Alheia.
Sem imaginar que, em poucos minutos…
tudo sairia do controle.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...