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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 514

Os dias que se seguiram desde o encontro com Lais não trouxeram respostas. Pelo contrário. Trouxeram mais perguntas. E, em todas elas, havia uma imagem que se repetia sem descanso — ela… e o homem ao lado dela.

Heitor não conseguia tirar aquela cena da cabeça.

O toque.

A proximidade.

A forma como aquele homem se colocava ao lado dela.

Aquilo não era acaso.

E o que mais o incomodava não era nem o que tinha visto… era o que tinha sentido.

Ele conhecia aquele homem.

Tinha certeza disso.

Só não sabia de onde.

No escritório, tentando forçar a mente a focar no trabalho, abriu uma aba qualquer no computador, buscando qualquer distração que fosse suficiente para calar os pensamentos. Mas não funcionou. Nada estava funcionando.

Foi então que uma matéria chamou atenção.

Uma foto grande.

Impossível de ignorar.

Ele parou.

O olhar travou na tela.

Era ele.

O mesmo homem.

Ao lado de Lais.

O título ocupava quase metade da página:

“César Fonseca ganha ainda mais destaque no mundo dos negócios.”

Heitor leu o nome em voz baixa, quase como se precisasse ouvir para acreditar.

— César Fonseca…

E então veio o estalo.

Brusco.

Claro.

Inconfundível.

— Boate Violy…

A lembrança se encaixou com precisão.

A primeira noite.

O homem ao lado dele.

Observando.

Comentando.

Sabendo mais do que parecia.

— É ele…

O corpo reagiu antes da mente.

Ele se inclinou para frente, puxando mais informações, abrindo outras páginas, lendo rápido demais, absorvendo tudo ao mesmo tempo.

Empresário.

Influente.

Discreto.

E então…

O detalhe.

Noivado.

Heitor abriu a matéria com mais atenção.

Fotos do casal.

Eventos.

A imagem perfeita.

Mas o que importava estava no final.

Uma linha.

Curta.

Direta.

“Fontes próximas afirmam que César Fonseca estaria atualmente dedicado a um novo relacionamento.”

O olhar desceu.

Parou na data.

17 semanas atrás.

O ambiente no escritório pareceu mais denso.

Lento.

Difícil de ignorar.

Heitor se levantou sem perceber.

— Lais não se envolveria com um homem comprometido…

A frase saiu automática.

Instintiva.

Quase como uma defesa.

Caminhou até o bar, pegando uma garrafa de whisky com mais força do que o necessário. Serviu uma dose generosa — ignorando qualquer medida — e levou o copo à boca de uma vez só.

O líquido desceu queimando.

Mas não o suficiente.

— Lais não me enganaria… — murmurou, passando a mão pelo rosto, já servindo outra dose. — Pra começo de conversa.

Deu uma risada seca.

Sem humor.

— Burro… — soltou entre os dentes. — Você é um completo idiota, Heitor.

A segunda dose foi ainda mais rápida.

Mas, dessa vez, não ajudou.

Porque a lógica começou a virar contra ele.

— Se ele não é o pai… — começou, em voz baixa, olhando para o nada.

A mente girando.

Rápida.

Desordenada.

— … então ela não está com o pai da criança

O silêncio respondeu.

E, pela primeira vez…

a possibilidade tomou forma de verdade.

— Ou o filho é meu?

A pergunta ficou no ar.

Pesada.

Perigosa.

Irreversível.

A raiva veio na mesma hora.

Violenta.

Ele arremessou o copo contra a parede sem pensar.

O som do vidro quebrando ecoou pelo ambiente.

— Por que eu não perguntei? — a voz saiu mais alta agora, carregada. — Idiota!

Passou a mão pelos cabelos, respirando mais forte, tentando retomar o controle que já não tinha.

Mas não conseguiu.

Porque, naquele ponto…

não era mais só dúvida.

Era pior.

Era a ausência de respostas.

Nada fazia sentido.

E era exatamente isso que mais incomodava.

Naquele momento, enquanto ele tentava encontrar respostas…

alguém, do outro lado do salão,

estava prestes a criar um problema muito maior. A amiga de Emily segurava o copo com mais força do que deveria. O líquido claro refletia a luz suave do ambiente, aparentemente inofensivo… …mas o perigo não estava no que se via.

Ela hesitou.

Ele virou na hora, atento.

— O que foi?

Lais apoiou a mão na barriga, buscando equilíbrio no próprio corpo.

— Acho que vou embora… não tô me sentindo muito bem.

A expressão dele mudou imediatamente. O olhar ficou mais sério, mais focado.

— Você quer que eu te leve para o hospital?

Ela hesitou.

Por um segundo.

Mas balançou a cabeça.

— Não… me deixa na boate.

César franziu levemente a testa, sem esconder a discordância.

— Na boate?

— Eu tenho apresentação hoje — respondeu, tentando soar mais firme do que realmente se sentia. — Só mais alguns dias… eu preciso cumprir.

Ele a observou por alguns segundos, claramente avaliando mais do que ela estava dizendo.

Mas não insistiu ali.

— Vamos — disse apenas.

O caminho até o carro foi mais lento do que antes. Lais caminhava com cuidado, sentindo o corpo diferente, mais pesado, como se cada passo exigisse mais esforço do que deveria. César percebeu, ajustando o ritmo ao dela sem comentar, mantendo-se ao lado, atento a qualquer sinal.

O carro partiu sem que nenhum dos dois dissesse nada.

E, dessa vez, aquilo não trouxe calma — trouxe tensão.

César quebrou o silêncio primeiro.

— Você não devia estar indo trabalhar hoje.

A frase veio calma.

Mas firme.

Lais soltou o ar devagar, encostando a cabeça no banco por um instante antes de responder.

— Eu tô bem.

— Não está — ele rebateu, sem elevar o tom.

Ela virou o rosto, encarando ele dessa vez.

— Só falta uma semana, César. Três apresentações. Eu vou cumprir.

— Não vale a pena — disse ele, agora olhando direto para ela. — Você não precisa disso.

Lais sentiu a irritação subir, leve, mas presente.

— Pra mim vale.

Nenhum dos dois falou depois disso.

Mas o que ficou entre eles pesava mais do que qualquer discussão.

César passou a mão pelo queixo, segurando a resposta que claramente queria dar, mas optando por não forçar além daquele ponto.

— Você tem certeza que tá bem? — perguntou depois de alguns segundos, mais baixo.

Lais demorou meio segundo a mais do que deveria.

— Tô.

A resposta saiu firme.

Mas não convincente.

O carro parou em frente à boate, e, antes mesmo que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Lais já estava abrindo a porta com cuidado, descendo devagar.

César saiu logo em seguida.

— Qualquer coisa, me liga — disse, sério agora. — Não força além do que pode.

Ela assentiu.

— Tá tudo bem.

Mas não estava.

E ele sabia.

Lais ajustou a bolsa no ombro e seguiu em direção à entrada, tentando ignorar o peso no corpo e a leve tontura que começava a se instalar. Cada passo parecia mais lento, mais difícil, como se o próprio equilíbrio estivesse mudando sem aviso.

Atrás dela, César ainda ficou por alguns segundos.

Observando.

Com um incômodo que ele não sabia explicar.

E que não passou.

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