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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 515

Lais entrou no camarim tentando manter a postura firme, mas o corpo já não respondia com a mesma facilidade. O corredor pareceu mais longo naquela noite, os passos mais pesados, o ar mais quente do que realmente estava. Assim que fechou a porta atrás de si, soltou o ar devagar e levou a mão à parede por um instante, buscando apoio antes que a tontura aumentasse.

A sensação vinha em ondas. Primeiro leve. Depois mais presente. Um calor estranho subindo pela nuca, o estômago desconfortável e uma fraqueza que ela não conseguia entender.

Sem pensar muito, caminhou até a cadeira de massagem que César havia enviado dias antes e se deixou cair ali, fechando os olhos por alguns segundos. O mecanismo começou a vibrar nas costas, mas nem aquilo conseguiu aliviar de verdade o mal-estar crescente.

A mão foi direto para a barriga.

Instinto.

Proteção.

Carinho.

— Filho… tá tudo bem… — murmurou baixinho, quase num sussurro, tentando convencer mais a si mesma do que ao bebê.

Respirou fundo outra vez.

Precisava melhorar.

Faltava pouco para entrar no palco, cumprir mais uma apresentação e ir embora. Era só aguentar mais aquela noite. Depois pensaria no resto. Depois descansaria. Depois ouviria todas as cobranças das amigas, os conselhos de César e a própria consciência.

Mas, naquele instante…

o corpo parecia avisar que alguma coisa estava errada.

Muito longe dali, Heitor dirigia de volta para o apartamento com a mente em completo caos. O trânsito, os sinais, a cidade ao redor… nada realmente existia. Tudo estava encoberto pelas perguntas que martelavam sem parar.

Quando entrou em casa, mal tirou a chave da porta. Seguiu direto para o escritório, passos rápidos, respiração pesada, a raiva misturada com urgência.

Abriu a lixeira ao lado da mesa e puxou de dentro as fotos amassadas que ele mesmo havia jogado fora horas antes. Desdobrou uma por uma com impaciência, alisando o papel sobre a superfície de vidro.

A Mascarada. O corpo provocante, o olhar afiado, os gestos calculados.

Agora ele observava tudo de outro jeito.

Não procurava mais fantasia.

Procurava prova.

Sentou-se na cadeira e aproximou as imagens da luz, analisando detalhes mínimos, comparando lembranças, tentando encaixar cada peça que antes ignorou por orgulho ou estupidez.

— Depois que a Mascarada apareceu… ele terminou o noivado — murmurou, pensando alto. — A imprensa fala de um novo amor misterioso… e, de repente, surge com a Lais?

Os dedos apertaram a borda da foto.

O maxilar travou.

Os olhos ficaram fixos na imagem.

— Eu sei que é você.

A frase saiu baixa.

Carregada.

Não era mais suspeita.

Era obsessão por confirmar.

E Heitor já estava perto demais da verdade para conseguir parar.

A porta do camarim se abriu sem muito cuidado, e a voz conhecida atravessou o ambiente antes mesmo que Lais conseguisse reagir.

— Lais… Lais…

Ela despertou assustada, abrindo os olhos de repente, ainda desnorteada pelo cochilo involuntário e pela sensação ruim que continuava presa ao corpo.

— Calma, amiga… sou eu — disse Jefão, se aproximando com preocupação visível.

Lais passou a mão no rosto, tentando recuperar a postura.

— Ai… desculpa.

Ele a observou por alguns segundos, atento demais para acreditar fácil.

— Você está bem?

— Tô, sim.

Mentiu.

A resposta saiu rápida demais, automática demais, e os olhos dela não sustentaram os dele por muito tempo.

Jefão cruzou os braços, desconfiado, mas escolheu não insistir naquele instante.

— Já tá na hora de começar a se arrumar. Trouxe sua roupa.

Estendeu a peça cuidadosamente preparada para a apresentação da noite.

Lais respirou fundo antes de pegar.

— Obrigada.

Ele ainda hesitou por um momento, como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas acabou apenas assentindo.

— Qualquer coisa, me chama.

Saiu, fechando a porta atrás de si.

Sozinha outra vez, o silêncio pareceu maior do que antes.

O corpo continuava pesado. As pernas fracas, a cabeça estranha, o estômago revirando de um jeito que ela já não conseguia fingir que era apenas cansaço. Caminhou até a bancada e pegou uma garrafa de água, levando à boca com pressa.

Mal deu dois goles.

O enjoo veio violento.

Ela correu até o banheiro e se curvou diante da privada, vomitando tudo o que tinha no estômago. O esforço arrancou lágrimas involuntárias dos olhos e deixou o corpo ainda mais trêmulo quando terminou.

Ficou ali por alguns segundos, respirando com dificuldade, a mão apoiada na lateral do vaso, esperando a náusea diminuir.

Não diminuiu.

Levantou devagar e abriu o chuveiro, entrando sob a água morna na esperança de que aquilo ajudasse. A água escorreu pelos ombros, pelas costas tensas, pelo ventre já evidente.

Nada mudou.

O mal-estar seguia ali.

Persistente.

Silencioso.

Assustador.

Ainda assim, desligou o chuveiro, se secou e começou a se arrumar. Cada movimento parecia exigir esforço dobrado. Vestiu a roupa do show, prendeu o cabelo, refez a maquiagem com mãos menos firmes do que gostaria.

Quando terminou, ergueu o rosto para o espelho.

A imagem refletida parecia bonita.

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