Os casais começaram a se despedir pouco a pouco, levando embora o barulho, as risadas e a energia caótica que tinham tomado o apartamento durante toda a tarde. O corredor ficou cheio de abraços rápidos, ameaças de novos encontros e comentários atravessados. Augusto saiu puxando Eloise pela cintura, claramente resignado ao fato de que sua esposa sempre arrastaria confusão para dentro da rotina deles. Thiago discutia com Nathalia sobre quem dirigiria. Ricardo carregava potes de bolo que Emma insistiu em mandar junto. Thomas apenas acenou em silêncio. Enzo desceu ao lado de Alana fingindo naturalidade demais para convencer alguém.
Foi nesse instante que um carro preto reduziu diante do prédio.
César observou da janela escurecida o grupo deixando o local. Reconheceu rostos, ouviu risadas abafadas e viu intimidade demais entre pessoas que claramente tinham passado horas juntas. O maxilar travou de imediato.
Se todos estavam ali…
Heitor também estava.
A sensação desagradável apertou o peito antes mesmo que ele conseguisse nomeá-la. Não era só ciúme. Era irritação por estar sempre chegando depois. Irritação por sentir que, pouco a pouco, estava perdendo espaço em uma história que talvez nunca tivesse sido dele.
No apartamento, depois que a porta se fechou e o silêncio voltou, Heitor permaneceu alguns segundos olhando Lais com a satisfação mal disfarçada de quem tinha sobrevivido a uma emboscada e ainda saído com algum lucro emocional.
— Precisamos decidir o nome, né? — disse, se recostando no balcão.
Lais cruzou os braços.
— Precisamos.
— Mas hoje você já está cansada. E a médica pediu repouso.
— Exatamente.
Heitor assentiu, como se concordasse totalmente… apenas para usar aquilo a favor dele.
— Então podemos jantar sexta-feira. Nós dois levamos os nomes que pensamos e decidimos juntos.
Lais arqueou a sobrancelha na mesma hora.
— Não precisamos sair pra jantar pra isso.
— Eu faço questão, Lais.
Dessa vez a voz veio mais baixa, menos provocadora.
— Vamos… por favor?
Ela hesitou por alguns segundos. Sabia que aquilo não era sobre nomes. Era mais uma tentativa descarada de aproximação.
O pior era que ela percebia o esforço.
E isso a deixava vulnerável.
— Tudo bem — respondeu por fim. — Vamos. Mas nada de gracinha.
Heitor sorriu devagar, satisfeito demais.
— Eu vou me comportar.
Lais soltou um som desacreditado.
— Duvido.
Ele ignorou a provocação e se aproximou. Abaixou-se diante da barriga dela, pousando a mão com cuidado sobre o ventre arredondado.
— Boa noite, garotão. Papai te vê amanhã.
Lais reagiu no mesmo instante.
— Não. Não precisa ficar vindo aqui todos os dias.
Heitor se levantou sem perder o sorriso.
— Precisa sim. Inclusive já pode liberar minha entrada na portaria.
— Abusado.
Ele pegou a chave sobre a mesa e caminhou até a porta.
— Boa noite, minha rabugenta.
Antes que ela retrucasse, Laila surgiu na sala segurando um saco de lixo.
— Eu vou levar o lixo lá fora.
Lais estreitou os olhos.
A desculpa era péssima.
Heitor abriu a porta para ela passar, segurando o riso.
— Vem.
Assim que Laila saiu, ele se inclinou rápido na direção de Lais.
— Tchau, meu amor.
Fechou a porta imediatamente, antes que ela pudesse reagir.
Do outro lado, Lais ficou parada no meio da sala, indignada… e lutando contra a vontade absurda de sorrir.
No elevador, Laila cruzou os braços e encarou Heitor sem qualquer simpatia.
— Se você machucar minha irmã de novo, eu vou atrás de você.
Ele ergueu as sobrancelhas.
Ela continuou sem piscar:
— Talvez eu não consiga acabar com a sua empresa… mas vou fazer você se esforçar muito pra limpar o nome dela.
Heitor soltou uma respiração lenta, aceitando o golpe.
— Calma, Laila. Você tem razão de estar brava.
A voz saiu sincera.
— Me perdoa por ter machucado sua irmã. Eu agi por impulso, entendi tudo errado e fui um idiota.
Laila manteve a postura firme.
Heitor então completou:
— Mas eu amo ela. E vou fazer sua irmã, nosso neném… e você… as pessoas mais felizes do mundo.
Laila soltou uma risada curta.
— Quero só ver.
Heitor aproximou-se um pouco, teatralmente ofendido.
— Me dá uma chance pra provar.
Depois sorriu.
— E convence tua irmã também.
Laila balançou a cabeça.
— Vai achando que eu vou facilitar tua vida.
As portas do elevador se abriram no térreo.
— Eu amo sua irmã.
Ele saiu do elevador.
— Então demonstra direito. - Ela disse.
As portas se fecharam.
Heitor ficou sozinho, sorrindo para o nada.
Sofrer por amor parecia um bom negócio.
A manhã no escritório de Heitor começou silenciosa demais para alguém que, nos últimos dias, vinha vivendo no limite entre culpa, esperança e estratégia. A mesa estava organizada, o café ainda intocado ao lado do notebook, e ele tentava se concentrar em contratos que, de repente, pareciam muito menos importantes do que uma mulher grávida que insistia em chamá-lo de abusado.
A porta se abriu sem aviso.
Eloise entrou.
Elegante, postura reta, olhar frio.
Heitor ergueu os olhos devagar.
— Pelo visto bater na porta saiu de moda.
Eloise caminhou até a cadeira à frente da mesa e pousou a bolsa com calma.
— Algumas coisas saem de moda. Outras continuam feias, como homens que humilham mulheres grávidas.
Heitor fechou o notebook devagar, já sabendo do que se tratava.
— Estou pronto. Pode mandar ver.
Antes que Eloise pudesse continuar, a porta abriu outra vez.
Nathalia entrou logo atrás, sem pressa, mas com a expressão de quem também não tinha ido ali para gentilezas.
Parou ao ver Eloise.
— O que você está fazendo aqui?
Eloise desviou o olhar de Heitor para ela.
— Vim lembrar ao senhor Reis que a Lais tem amigas.
Nathalia sorriu de lado.
— Que coincidência. Eu também vim falar umas verdades pra esse cachorro sem vergonha.
Heitor soltou o ar pelo nariz, já entendendo que a manhã tinha acabado antes mesmo de começar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...