O Hospital Sírio-Libanês ao meio-dia era um lugar movimentado, mas ainda assim conseguíamos sentir o peso da tensão nos corredores. Após uma viagem de jato particular durante a madrugada, estávamos reunidos na sala de espera VIP do centro cirúrgico cardíaco - Christian, Marco, Isabella, Lorenzo e eu - uma sala menor e mais reservada, mas que mesmo assim carregava aquela atmosfera pesada e ansiosa que todos os hospitais têm.
A viagem havia sido silenciosa e tensa. Giuseppe insistira em viajar conosco, recusando qualquer sugestão de que deveria ir de ambulância UTI. "Vou chegar caminhando neste hospital", havia dito com aquela determinação teimosa que todos conhecíamos bem. E foi exatamente isso que fez - desceu do jato com passos firmes, cumprimentou educadamente toda a equipe médica que o aguardava, e se dirigiu ao hospital como se fosse apenas mais um compromisso em sua agenda.
Giuseppe havia entrado no centro cirúrgico há exatamente uma hora e quarenta e cinco minutos. Eu sabia o tempo exato porque Christian olhava para o relógio a cada três minutos, como se controlando obsessivamente a passagem do tempo pudesse de alguma forma acelerar o processo ou garantir um resultado positivo.
Isabella estava sentada no canto da sala, impecavelmente vestida mesmo para uma situação como essa, mas mantendo sua postura distante habitual. Ela mexia no celular sem realmente vê-lo. De vez em quando, observava Christian com uma expressão que não conseguia decifrar completamente - talvez fosse preocupação, ou apenas o constrangimento de estar em uma situação tão íntima e emocional com o filho de quem sempre se manteve distante.
Lorenzo estava ao lado dela, igualmente formal e reservado, ocasionalmente checando e-mails no celular. Mesmo sendo filho de Giuseppe, Lorenzo sempre manteve uma relação distante e fria com o pai - muito mais focado nos aspectos financeiros dos negócios do que nos laços emocionais familiares.
Marco estava inquieto, caminhando de um lado para o outro da sala, parando ocasionalmente para olhar pela janela que dava para o pátio interno do hospital. Ele tentava manter a compostura, mas eu podia ver a preocupação estampada em seu rosto. Giuseppe sempre havia sido uma figura paterna para ele também.
— Lembro quando quebrei o braço aos doze anos — Marco disse de repente, interrompendo o silêncio pesado. — Estava tentando impressionar uma garota da escola, escalando uma árvore como um idiota. Giuseppe passou a noite inteira comigo no hospital, contando histórias sobre a Itália para me distrair da dor.
Christian sorriu pela primeira vez desde que chegamos.
— Ele fazia isso comigo também. Sempre que eu me machucava ou ficava doente, Giuseppe inventava as histórias mais elaboradas sobre nossos antepassados. Dizia que éramos descendentes de exploradores corajosos e aventureiros.
— Algumas provavelmente eram verdade — Marco riu baixinho. — Giuseppe sempre foi meio aventureiro mesmo.
Eu estava tentando desesperadamente manter a calma, seguindo rigorosamente as orientações médicas sobre evitar estresse durante a gravidez. Mas era quase impossível não se sentir ansiosa quando a pessoa mais importante da família de Christian estava passando por uma cirurgia de alto risco. Mantinha uma mão protetiva sobre minha barriga, como se pudesse proteger meu bebê da tensão que pairava no ar.
O bebê havia estado mais ativo que o normal durante toda a manhã, como se pudesse sentir minha ansiedade. Pequenos chutes e movimentos constantes que normalmente me tranquilizavam, mas que hoje apenas me lembravam de quanto eu precisava manter a calma.
Christian se levantou abruptamente da poltrona onde estava e veio se sentar ao meu lado, pegando minha mão livre e entrelaçando nossos dedos.
— Como você está se sentindo? — perguntou baixinho, seus olhos azuis cheios de preocupação. — O bebê está bem?
— Estamos bem — respondi, tentando sorrir de forma tranquilizadora. — Só um pouco ansiosos, mas bem.
Ele me conhecia bem demais para não perceber a tensão na minha voz, mas não insistiu. Em vez disso, beijou suavemente minha testa e colocou a mão livre sobre minha barriga, onde imediatamente sentiu um chute do bebê.
— Ele também está preocupado com o bisnonno — murmurei, cobrindo a mão de Christian com a minha.
— Giuseppe vai adorar saber que o bisneto estava torcendo por ele — Christian disse, sua voz carregada de emoção contida.
— Quanto tempo uma cirurgia cardíaca costuma durar? — perguntei, mais para quebrar o silêncio pesado do que por realmente querer saber a resposta.
— Depende da complexidade — respondeu Marco, parando de caminhar pela sala. — Pode ser de quatro a oito horas, às vezes mais. Mas Giuseppe está em ótimas mãos. O Dr. Carvalho é um dos melhores cirurgiões cardíacos do país.
Christian suspirou profundamente, passando a mão livre pelos cabelos em um gesto nervoso que eu já conhecia bem.
— O Dr. Carvalho disse que era um procedimento delicado, mas que Giuseppe estava em ótimas condições físicas para a idade — murmurei, tentando injetar otimismo na conversa. — Ele é forte, vai conseguir.
— É — Christian concordou, mas sua voz não carregava muita convicção. — Giuseppe sempre foi forte. Mas ele também é teimoso. Espero que essa teimosia ajude na recuperação.
— Esse é o nonno!
Quando a enfermeira saiu, Marco deu um sorriso genuíno pela primeira vez desde que chegamos.
Christian voltou a se sentar ao meu lado, e desta vez sua mão estava mais relaxada quando entrelaçou nossos dedos novamente.
— Você estava certa ontem à noite — disse baixinho, só para mim ouvir. — Ele é forte demais para desistir agora.
Passamos mais algumas horas conversando sobre coisas triviais, tentando manter o clima mais leve. Foi quando Marco saiu para atender uma ligação que parecia importante. Ele ficou uns quinze minutos no corredor, falando em voz baixa, gesticulando nervosamente. Quando voltou para a sala, sua expressão estava completamente diferente - séria, quase sombria.
— Christian — disse, hesitando na porta. — Preciso falar com você.
— Agora? — Christian franziu o cenho.
— É sobre o relatório final da equipe de T.I. — Marco disse cuidadosamente. — Sobre a análise forense completa dos dados digitais da Elise.
Christian se enrijeceu imediatamente.
— Marco, não é o melhor momento...
— Eu sei que não é — Marco interrompeu, sua voz carregada de urgência e desconforto. — Mas Christian... você precisa ouvir isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....
Como quer que indique e compartilha algo com esse total desrespeito…faz nós leitores gastar dinheiro e no fim não faz atualizações, e quando fizer vai soltar 2 capítulos…...
Até agora nada , será que vai ser mais um dia sem capítulos novos? As histórias são boas , mais falta soltar mais capítulos por dia . Falta de planejamento e falta de respeito pelos leitores que pagam pra ler as histórias , se não fosse pago ótimo mais como é pago , isso não é nada legal ....
Pelo q parece só vai ser liberado mais capítulos se for compartilhado, acima está descrito. Quanto mais compartilhamentos e leituras mais rápido será liberado mais capítulos. Desrespeito com quem todos os dias espera por um novo capítulo e como disse uma leitora q entrou 20 vezes. Ou seja estamos todos os dias fazendo a leitura e ansiosas p os próximos e isso não conta?...
Cadê os novos capítulos. A autora esqueceu de postar?...