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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 673

~ BIANCA ~

A manhã começou com aquele silêncio de casa vazia.

Não era um silêncio triste. Era… um silêncio íntimo. De quem ainda estava com o corpo todo “de ontem”, mas com a cabeça tentando entender o que aconteceu na vida real.

Desci as escadas descalça, usando uma camisa do Nico. A barra batia no meio da minha coxa, e o tecido ainda tinha o cheiro dele — um cheiro que me fazia lembrar, sem querer, o quanto eu tinha sido feliz antes de dormir.

Na cozinha, parei diante da bancada como quem encara um animal selvagem.

Café da manhã.

Eu era Bianca Bellucci, a empresária que sabia fechar contratos, mas que tinha que abrir um armário e se perguntar se a frigideira era “aquela coisa achatada” ou “aquela outra coisa que parecia uma nave”.

Eu abri a geladeira. Encarei o leite. Fechei. Abri de novo, como se a segunda vez viesse com instruções.

Peguei pão, manteiga, frutas. Coisas inofensivas. Coisas que não queimavam.

Então liguei a cafeteira com uma confiança que eu não tinha e fiquei encarando as luzinhas como se fosse um painel de avião. Apertei um botão. Nada.

Apertei outro.

A máquina fez um barulho que soou como uma ameaça.

— Certo — murmurei sozinha. — Eu entendi. Você é temperamental.

Eu estava tão concentrada em não ser derrotada por um eletrodoméstico que não percebi quando a presença dele apareceu na porta.

Só senti.

Um calor nas costas. Um peso de olhar.

E o arrepio subiu antes mesmo de eu virar.

Quando olhei por cima do ombro, Nico estava ali, encostado na soleira, com o cabelo bagunçado, sem camisa e aquela expressão de quem não queria interromper porque estava gostando demais do que via.

Ele ficou parado tempo demais sem dizer nada.

Eu estreitei os olhos.

— Você está me julgando?

O canto da boca dele levantou.

— Eu estou assistindo.

— Isso é muito pior — retruquei, apontando a colher de pau como se fosse uma arma. — Porque assistir implica que você está esperando o desastre.

Ele entrou devagar.

— Eu só queria ver quanto tempo você ia fingir que a cafeteira é um adversário à altura.

— Ela é — eu disse, ofendida. — Ela está ganhando.

Nico riu baixo, e aquele riso mexeu em mim em algum lugar que não tinha nada a ver com café.

Ele veio até mim por trás e apoiou as mãos na bancada, uma de cada lado do meu corpo, me cercando sem me prender. O peito dele roçou nas minhas costas de um jeito que não era acidente, e eu prendi a respiração, porque a cozinha ficou pequena de repente.

— Me mostra — ele pediu, voz baixa perto da minha orelha. — O que você tentou.

— Eu apertei todos os botões com autoridade — eu disse. — Como toda mulher que finge que sabe o que está fazendo.

— Ah. A técnica Bellucci de liderança aplicada à cafeína.

— Funciona em reuniões.

Ele fez um som de riso abafado e estendeu a mão por cima do meu ombro, pegando meus dedos com calma, como se estivesse ensinando uma coisa delicada.

— Olha — ele falou, guiando minha mão até o botão certo. — Você aperta esse. Só esse.

— Isso é humilhante.

Apertei. A máquina fez um som obediente. Um fluxo começou. Café, finalmente.

Eu virei um pouco a cabeça, tentando não sorrir.

— Você viu? Eu estava quase lá.

— Quase não conta.

Capítulo 673 1

Capítulo 673 2

Capítulo 673 3

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