~ BIANCA ~
A manhã começou com aquele silêncio de casa vazia.
Não era um silêncio triste. Era… um silêncio íntimo. De quem ainda estava com o corpo todo “de ontem”, mas com a cabeça tentando entender o que aconteceu na vida real.
Desci as escadas descalça, usando uma camisa do Nico. A barra batia no meio da minha coxa, e o tecido ainda tinha o cheiro dele — um cheiro que me fazia lembrar, sem querer, o quanto eu tinha sido feliz antes de dormir.
Na cozinha, parei diante da bancada como quem encara um animal selvagem.
Café da manhã.
Eu era Bianca Bellucci, a empresária que sabia fechar contratos, mas que tinha que abrir um armário e se perguntar se a frigideira era “aquela coisa achatada” ou “aquela outra coisa que parecia uma nave”.
Eu abri a geladeira. Encarei o leite. Fechei. Abri de novo, como se a segunda vez viesse com instruções.
Peguei pão, manteiga, frutas. Coisas inofensivas. Coisas que não queimavam.
Então liguei a cafeteira com uma confiança que eu não tinha e fiquei encarando as luzinhas como se fosse um painel de avião. Apertei um botão. Nada.
Apertei outro.
A máquina fez um barulho que soou como uma ameaça.
— Certo — murmurei sozinha. — Eu entendi. Você é temperamental.
Eu estava tão concentrada em não ser derrotada por um eletrodoméstico que não percebi quando a presença dele apareceu na porta.
Só senti.
Um calor nas costas. Um peso de olhar.
E o arrepio subiu antes mesmo de eu virar.
Quando olhei por cima do ombro, Nico estava ali, encostado na soleira, com o cabelo bagunçado, sem camisa e aquela expressão de quem não queria interromper porque estava gostando demais do que via.
Ele ficou parado tempo demais sem dizer nada.
Eu estreitei os olhos.
— Você está me julgando?
O canto da boca dele levantou.
— Eu estou assistindo.
— Isso é muito pior — retruquei, apontando a colher de pau como se fosse uma arma. — Porque assistir implica que você está esperando o desastre.
Ele entrou devagar.
— Eu só queria ver quanto tempo você ia fingir que a cafeteira é um adversário à altura.
— Ela é — eu disse, ofendida. — Ela está ganhando.
Nico riu baixo, e aquele riso mexeu em mim em algum lugar que não tinha nada a ver com café.
Ele veio até mim por trás e apoiou as mãos na bancada, uma de cada lado do meu corpo, me cercando sem me prender. O peito dele roçou nas minhas costas de um jeito que não era acidente, e eu prendi a respiração, porque a cozinha ficou pequena de repente.
— Me mostra — ele pediu, voz baixa perto da minha orelha. — O que você tentou.
— Eu apertei todos os botões com autoridade — eu disse. — Como toda mulher que finge que sabe o que está fazendo.
— Ah. A técnica Bellucci de liderança aplicada à cafeína.
— Funciona em reuniões.
Ele fez um som de riso abafado e estendeu a mão por cima do meu ombro, pegando meus dedos com calma, como se estivesse ensinando uma coisa delicada.
— Olha — ele falou, guiando minha mão até o botão certo. — Você aperta esse. Só esse.
— Isso é humilhante.
Apertei. A máquina fez um som obediente. Um fluxo começou. Café, finalmente.
Eu virei um pouco a cabeça, tentando não sorrir.
— Você viu? Eu estava quase lá.
— Quase não conta.
— Obrigada — eu respondi, pegando o envelope com cuidado demais, como se ele pudesse morder.
— Assina aqui, por favor.
Assinei.
Fechei a porta e fiquei um segundo parada, olhando para o papel como se eu pudesse atravessá-lo com os olhos e desfazer o que estava escrito dentro.
Quando me virei, Nico já estava ali.
Ele tinha me seguido sem eu perceber.
O olhar dele foi direto para o envelope.
— O que é isso?
Eu não consegui responder imediatamente. Só estendi a mão.
Ele pegou.
E eu fiquei perto, perto demais, como se a proximidade pudesse, de algum jeito, suavizar a pancada.
Nico rasgou a borda com o dedo, rápido, prático. Tirou os papéis.
Os olhos dele correram a primeira linha.
A segunda.
E eu vi a expressão dele mudar. O calor sumiu, substituído por uma frieza imediata.
Eu inclinei a cabeça, tentando ler por cima do ombro dele.
Não precisei procurar muito.
As palavras saltaram para mim com uma clareza cruel:
ISTANZA DI AFFIDAMENTO PROVVISORIO.
Pedido de guarda provisória.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....