~ BIANCA ~
A carta continuava nas mãos do Nico como se tivesse peso próprio.
Ele estava parado no meio da sala, sem camisa, cabelo ainda bagunçado de manhã, e mesmo assim parecia… formal. Como se o corpo dele tivesse entendido que a casa tinha virado tribunal.
As mãos tremiam um pouco — quase nada, quase imperceptível — mas eu vi. Eu via tudo nele. Sempre vi.
Eu encostei na bancada da cozinha, tentando manter o ar dentro do peito. O cheiro de café que eu tinha começado a fazer agora parecia errado. Coisa de um mundo que não era o nosso naquele minuto.
O celular vibrou em cima do mármore.
Chamada de vídeo.
Um dos advogados.
A tela mostrava o nome e, por um segundo, eu quis deixar tocar. Como se ignorar pudesse atrasar a realidade.
Nico levantou os olhos pra mim, e naquele olhar tinha uma pergunta silenciosa: atende.
Eu atendi.
— Doutor Conti — eu disse, já tentando firmar a voz.
O rosto dele apareceu, enquadrado demais, fundo neutro demais, o tipo de imagem que já vinha com notícia ruim embutida. Ele não sorriu.
— Senhora Bellucci. Senhor Montesi. — Ele respirou uma vez, profissional. — Eu tenho notícias… não muito agradáveis.
Eu soltei um ar curto, sem humor.
— É. A gente sabe. Acabou de chegar a notificação.
Por trás de mim, ouvi o papel amassar um pouco. Nico tinha apertado mais forte, como se pudesse esmagar a ideia de volta para dentro do envelope.
O advogado piscou devagar. Como quem confirma uma suspeita.
— Ela agiu rápido — ele disse. — E agiu com intenção.
Nico apareceu no enquadramento, entrando de lado, como se a câmera fosse a porta de uma sala que ele ia invadir.
— O que ela quer com isso? — ele perguntou, a voz baixa e tensa. — Exatamente o que ela quer?
O advogado sustentou o olhar, sem se intimidar — era o trabalho dele.
— Ela entrou com um pedido de medida urgente. Uma tutela provisória. Traduzindo: Renata quer que o tribunal decida, de imediato, uma alteração temporária na guarda enquanto o processo principal corre.
Nico ficou imóvel.
Eu senti uma coisa fria descendo dentro de mim.
— Temporária como? — eu perguntei, antes que a raiva dele virasse algo que a gente perdesse controle.
— Temporária como… por exemplo, a criança passar um período com a mãe, ou um regime de visitas ampliado para ela, até que o juiz decida a guarda definitiva.
Nico soltou um riso seco, incrédulo.
— Ela acha que vai conseguir isso com uma birra e uma frase ensaiada?
O advogado não respondeu a provocação. Ele foi direto ao roteiro que eu sabia que ele já tinha na cabeça.
— Os próximos passos, objetivamente: o tribunal marca uma audiência com urgência. Em paralelo, o juiz pode pedir um parecer técnico — psicólogo, assistente social, uma avaliação do núcleo familiar.
Eu senti meu estômago apertar.
Eu apertei os ombros dele com as duas mãos, como se pudesse segurar o chão no lugar.
— E o que a gente faz agora? — eu perguntei. — Objetivamente. Hoje.
— Hoje vocês fazem duas coisas — o advogado respondeu imediatamente. — Primeiro: não reagir com impulsividade. Nada de mensagens para Renata, nada de discussões por escrito, nada de confrontos na frente da criança. Segundo: documentar. Tudo. Relatórios da escola, rotina, agenda, quem leva e busca, consultas médicas, comportamento, qualquer prova de consistência.
Ele fez uma pausa curta, depois acrescentou:
— E vocês precisam preparar Bella para uma conversa honesta. Não sobre “processo”. Sobre segurança. Ela tem que sentir que está segura. Porque, se ela chegar diante de uma figura de autoridade e repetir o medo… isso pesa.
Nico respirou fundo, mas parecia que o ar não entrava.
— Tá — eu disse, firme, mesmo com a garganta apertada. — Então a gente vai fazer direito. Sem drama, sem cena, sem reação. Só… cuidar dela.
Minha mão continuava nos ombros do Nico, e eu senti ele olhar pra mim de lado, como se quisesse se apoiar e não soubesse se podia.
Eu apertei mais uma vez.
— Tudo bem — eu falei, pra ele, não pro advogado. — A gente está seguro, então.
As palavras saíram com uma certeza de que eu não tinha o direito de prometer.
Porque eu ouvi o eco invisível da condição do advogado dentro da minha cabeça, como se fosse carimbo:
Desde que a menor expresse vontade de permanecer com o pai.
E, naquele momento, eu soube que a Renata não estava tentando ganhar no papel.
Ela estava tentando ganhar na boca de uma criança.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....