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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 721

~ BIANCA ~

O telefone ainda estava na mão do Nico quando ele se levantou num impulso. A manta caiu no chão e eu quase tropecei nela, mas ele já estava me puxando pelo pulso, já estava abrindo a porta, já estava indo.

Eu peguei minha bolsa, mais instinto do que lógica. No corredor, eu senti o coração batendo em um lugar errado do meu corpo, como se tivesse descido para o estômago.

— O que aconteceu? — eu perguntei, já no elevador, a voz cortada.

Nico balançou a cabeça.

— Eles não deram muitas informações — ele respondeu, e o tom dele era de um homem tentando manter a própria voz firme para não desmoronar. — Só disseram pra eu ir até o hospital pegar Bella.

As portas se abriram na garagem.

O ar frio bateu no meu rosto e eu quase agradeci por ele existir, porque pelo menos ele me lembrava que eu ainda tinha controle sobre as pernas.

Nico destravou o carro, abriu a porta para mim, e eu entrei com a pressa desajeitada de quem não quer perder um segundo.

Ele se sentou no banco do motorista e enfiou a chave na ignição.

O motor virou.

Eu vi o painel acender e, por um segundo, eu vi a cena inteira como se estivesse fora do meu corpo: a noite, o estacionamento, o nosso carro, o rosto do Nico endurecido, as minhas mãos tremendo no colo.

Nico engatou.

— Espera — eu falei.

Ele travou no mesmo instante, o pé no freio, e me olhou.

— Bianca, a gente não tem tempo.

Eu engoli em seco.

— Eu sei — eu respondi. — Mas eu preciso te contar uma coisa.

O olhar dele ficou mais duro, mais atento. Uma atenção de quem sente cheiro de coisa importante.

— O quê? — ele perguntou.

A palavra ficou presa um segundo na minha garganta.

— Eu… — eu comecei, e senti o som da minha própria hesitação como fraqueza. Eu odiava hesitar. — Eu tinha um plano.

Nico ficou imóvel.

— Um plano pra quê? — ele perguntou, e a voz já tinha aquele risco de metal.

Eu respirei uma vez. Duas.

— Pra pegar a Renata fora das maneiras… legais — eu disse.

O silêncio dentro do carro ficou pesado.

Nico apertou os dedos no volante.

— O que você fez? — ele perguntou, baixo.

Eu fechei os olhos por um segundo e abri, encarando ele.

— Eu não fiz isso sozinha — eu disse, rápida, porque eu precisava que ele entendesse que eu não tinha enlouquecido. — Eu tinha o Matheus, a Mia, o Dante… e um cara de tecnologia. Nós conseguimos o registro de clientes dela.

O rosto do Nico mudou.

— Registro de clientes? — ele repetiu, como se a palavra estivesse errada.

Eu não tinha tempo para suavizar.

— Renata está trabalhando com prostituição — eu falei, e a frase saiu como um corte. — E mantém a Bella trancada no quarto enquanto... atende.

Nico virou o rosto para mim como se eu tivesse batido nele.

— O quê?

O som saiu rouco.

Ele voltou a olhar para frente, e eu vi a mão dele tremendo no volante pela primeira vez.

— Bianca… — ele falou, e o nome saiu como uma acusação que ele não queria fazer. — Você devia ter me falado isso. Você devia…

— Eu não queria te desesperar — eu interrompi, e a minha voz ficou firme num lugar que eu não senti. — Eu precisava de calma pra agir.

Ele soltou um riso curto, sem humor.

— Calma? — ele repetiu. — Você me poupou de saber que a minha filha estava trancada enquanto homens entravam na casa dela?

Eu senti a culpa subir como ácido.

— Nico, eu…

— Você não colocou — ele disse, e a frase saiu com um tipo de convicção que me fez tremer. — Renata colocou.

Eu prendi a respiração.

Ele apertou minha mão mais uma vez.

— E se aconteceu algo com a minha filha… — ele falou, devagar, e cada palavra parecia escolhida com sangue — eu juro, ela vai pagar por isso.

Eu já tinha visto o Nico calado. Já tinha visto o Nico triste. Já tinha visto o Nico com raiva contida.

Mas aquilo era outra coisa.

Aquilo era um homem no limite do que ele considera humano.

Eu engoli seco e apertei a mão dele de volta, como se o meu toque pudesse puxá-lo de volta para um lugar menos perigoso.

Nico não falou mais.

Ele dirigiu.

Rápido o suficiente para ganhar tempo, mas não rápido o suficiente para me jogar de volta nos traumas que meu corpo ainda carregava. Eu senti que ele estava se segurando por mim e a consciência disso me apertou mais do que o medo.

A estrada parecia longa demais para uma distância que eu conhecia.

As luzes dos carros vinham e iam, as placas passavam, e o silêncio dentro do nosso carro era o tipo de silêncio que acumula coisas.

Eu pensei na Bella.

Na maneira como ela tinha me olhado na cave de barricas, tentando ser forte.

Se alguma coisa tivesse acontecido…

Não. Eu não podia ir por esse caminho.

Nico estacionou com uma manobra seca quando chegamos e nós saímos do carro ao mesmo tempo.

Eu quase corri com ele, o corpo pesado, a respiração curta, a mão instintivamente protegendo a barriga enquanto a outra segurava o casaco.

Entramos pelo hall principal e fomos direto para a recepção.

Nico apoiou as mãos no balcão, o rosto a centímetros da atendente.

— Estou aqui por Isabella Montesi — ele disse, sem respirar. — Sou o pai dela. O que aconteceu com a minha filha?

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