Cap.57
A claridade da manhã entrava pelas cortinas semiabertas, revelando o caos da noite anterior: almofadas pelo chão. Eu me levantei do sofá com um suspiro apressado, sentindo o peso da rotina me chamar de volta.
— Preciso ir, já estou atrasada. — murmurei, ajeitando os cabelos com os dedos enquanto ele se espreguiçava também acordando.
— Também tenho compromisso cedo. — Donovan respondeu, a voz rouca da manhã, mas ainda carregada daquela imponência que nunca desaparecia.
Seguimos juntos para o quarto até o banheiro. Eu entrei primeiro, tirei a roupa sem cerimônia e caminhei direto para o chuveiro.
O vapor quente começou a tomar conta do ambiente. Donovan ficou parado por um instante, claramente surpreso com minha falta de hesitação, antes de se mover até a pia.
Abriu a torneira e começou a escovar os dentes, mas seus olhos me seguiam através do reflexo no espelho.
— Sabe... — ele começou, meio desconfortável, com a escova ainda na boca. — De madrugada...
— Sim? — respondi debaixo da água, sem sequer olhar para ele, deixando o calor escorrer pela minha pele.
Ele se inclinou um pouco para frente, encarando o próprio reflexo no espelho, e perguntou direto.
— Você precisa... tomar pílula? Já que... — pigarreou. — Esquecemos o preservativo.
Sorri de leve, ainda debaixo do chuveiro, e respondi sem hesitação:
— Está tudo bem. Eu já estou protegida pelo menos de uma gestação, já que é sobre isso que está se referindo.
Quando finalmente ergui os olhos, o encontrei me encarando pelo espelho, surpreso. Ele murmurou baixo, quase para si mesmo.
— Você deve se divertir bastante, então...
Seus ombros se tencionaram, e ele acenou a cabeça como se confirmasse o próprio pensamento. Mas eu o encarei séria, irritada, a água escorrendo pelo meu rosto.
— O que está dizendo, senhor Marques?
Ele desviou o olhar, rápido.
— Nada.
Cruzei os braços, sem esconder o mau humor, eu sabia bem o que ele queria dizer com aquele comentário.
— Nada? Porque pareceu bastante claro a sua insinuação ao sugerir que eu ando protegida porque eu vivo me divertindo com outros caras, não é isso? Eu estava há quase um ano sem tocar em homem nenhum... Mas parece que o senhor está sugerindo que eu sou algum tipo de mulher?
Ele permaneceu em silêncio, imóvel diante do espelho.
— Não estava sendo sugestivo a esse ponto... você é uma mulher adulta pode fazer o que bem entender de sua vida, pode ficar com quantos caras quiser, só estava pensando demais.
— espero que saiba... — continuei, com a voz mais dura — não criei expectativas sobre o que aconteceu. Sei muito bem que, para o senhor, isso não passa de diversão. Mais uma, entre tantas outras. O tipo de diversão que combina com o tipo de homem que você é.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa impostora e o Magnata Sombrio.