Cap.61
Naquela manhã, Gabriel acordou mais leve. As palavras que dissera à tia Magda ainda estavam em sua cabeça enquanto se arrumava no banheiro social e, pela primeira vez em muito tempo, sentia que o futuro ao lado de alguém que amava podia ser uma realidade a ser planejada.
Vestiu-se cedo, passou a mão pelos cabelos e saiu em silêncio, sem acordar ninguém.
No caminho, parou diante da pequena floricultura da esquina. Havia algo singelo e verdadeiro em um gesto simples, e ele queria isso: entregar a Brenda um pequeno buquê e, enfim, abrir seu coração.
Escolheu flores delicadas, que lembravam a suavidade dela, e saiu com um sorriso no rosto, ensaiando em pensamento as palavras que diria.
No retorno, antes mesmo de perceber, ouviu passos rápidos. Larissa surgiu de repente, correndo em sua direção.
— Até que enfim uma oportunidade de falar com você! — disse, esbaforida.
Num gesto inesperado, arrancou o buquê de sua mão e levou-o ao peito, como se fosse um presente cuidadosamente preparado para ela.
— Eu sabia, Gabriel! — exclamou, a voz carregada de drama. — Eu sabia que você ainda gostava de mim... que ainda era apaixonado.
Ele congelou, atônito, sem entender o gesto repentino daquela mulher.
— Larissa, me devolve isso.
Mas ela continuou, teatral:
— Eu também gosto de você... vou retribuir esse sentimento. Sei que naquela época fui imatura, mas é que eu tinha ficado muito surpresa, não estava acostumada com demonstrações de afeto em público.
— Demonstrações de afeto? Eu só tinha lhe oferecido uma flor e foi motivo de uma má reputação carregada por anos — respondeu, com uma frieza que a fez travar, sorrindo desconcertada.
Gabriel encarou-a com dureza, a mandíbula tensa. Antes que pudesse arrancar as flores de volta, um movimento atrás dela chamou sua atenção.
Ele olhou e, a alguns metros, seu coração despencou.
Brenda estava ali, parada, os olhos marejados. O buquê nas mãos de Larissa era a cena perfeita para um mal-entendido.
Ela não esperou explicações. Virou-se rapidamente, e Gabriel deu dois passos em sua direção, mas ela já corria de volta para a casa da tia Magda.
— Brenda! Espera! — gritou, a voz embargada.
De raiva e frustração, arrancou o buquê da mão de Larissa. Amassou as flores sem hesitar, deixando-as despedaçadas.
— Você estragou tudo. — Seus olhos ardiam de fúria. — Essas flores não prestam mais, como você. Nunca gostei de você, Larissa. Nunca vou gostar. Apenas fique longe de mim!
Ela o olhou, ferida e envergonhada, porque assim como naquele dia, havia público para a cena. Algumas pessoas até riram da situação, e ela não tinha como apagar a lembrança amarga.
Gabriel se retirou dali às pressas, tentando alcançar Brenda.
Mas ela já estava em casa, jogando roupas na bolsa com as mãos trêmulas. O coração parecia não caber no peito.
Não quis ouvir, não quis esperar. Gabriel entrou pouco depois, mas ela se esquivou dele, o olhar baixo, os lábios cerrados.
— Por favor! — pediu, segurando sua bolsa. — Apenas me deixe explicar!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa impostora e o Magnata Sombrio.