Cap.68
— Vamos embora, Gabriel. — murmurou baixo, quase ríspida, mas com ternura escondida no tom, enquanto acenava um adeusa desajeitado.
Ele não se moveu de imediato, os olhos ainda fixos no portão, como se pudesse atravessar as paredes só para continuar olhando para Brenda enquanto os pais a levavam pra dentro.
O corpo inteiro dele parecia preso ali, no último suspiro do abraço que acabara de dar nela.
— Gabriel… — Talyta insistiu, puxando com mais força, como quem arranca alguém de um feitiço. — Se ficar parado aí, seus sogros vão voltar e eles ainda nem sabem que você é genro deles.
Ela ergueu a mão rapidamente, num aceno breve e delicado para Brenda, que desaparecia no porta a dentro de casa, como se dissesse um último "até logo". Em seguida, sem dar tempo para mais nada, começou a arrastá-lo pela rua, os passos firmes e apressados.
Gabriel vinha em silêncio, pesado, cada passo lento como se o chão o segurasse. O olhar ainda perdido, o coração descompassado.
— Você é doido, sabia? — Talyta resmungou, sem diminuir o ritmo. — Aparecer assim, na frente dos pais dela… foi por pouco que não deu ruim.
Ele não respondeu. Apenas respirou fundo, a voz embargada quando finalmente conseguiu murmurar:
— Eu não queria que terminasse assim… eu ainda não tinha terminado de falar com ela.
Talyta soltou um suspiro, balançando a cabeça, mas sem largar o braço dele.
— Eu sei. Mas agora já foi. E se você não se mexer, eu vou ter que te carregar no colo, seu teimoso.
As palavras dela arrancaram um meio sorriso cansado dele, e, pouco a pouco, deixou-se conduzir.
— Vamos, antes que seus sogros resolvam abrir a porta de novo. — murmurou, tentando disfarçar o riso nervoso.
Na esquina, Donovan esperava encostado no carro, os braços cruzados. Quando os viu, ergueu uma sobrancelha, avaliando a cena com calma.
— Então… o que foi isso? — perguntou, num tom descontraído, mas atento.
Gabriel esfregou o rosto com as mãos, exalando um suspiro pesado.
— Eu… não vou conseguir entregar o carro a ela.
Talyta parou de andar e o encarou, surpresa, os olhos arregalados.
— Como é que é? O seu primeiro carro, Gabriel? Você ia dar pra Brenda assim… do nada? Ele não foi com você comprar um carro?
— pois é... ele também me pegou de surpresa quando disse que não era para ele.
Ele assentiu, a voz baixa, mas firme.
— Eu não quero vê-la entrando no carro de outro homem. — A confissão saiu como um desabafo, carregada de ciúme.
Donovan bufou alto, passando a mão pelos cabelos.
— E adivinha quem vai ter que ficar vindo buscar você no trabalho enquanto isso? — resmungou, mas havia um meio sorriso escondido no canto dos lábios, como se entendesse a loucura de Gabriel ao encarar para Talyta.
Gabriel apenas deu de ombros, um brilho de teimosia no olhar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa impostora e o Magnata Sombrio.