Renato Salles
Embora meu humor estivesse longe do ideal, ver o pavor estampado no rosto da irmã de Raquel me deu um prazer sádico. Ela engoliu em seco quando mencionei os cães e, sem dizer mais nada, desapareceu de volta para o quarto como uma covarde.
Fiquei sozinho outra vez.
Peguei meu celular, que estava no modo silencioso desde cedo. As notificações explodiam — dezenas de ligações e mensagens da minha mãe e de Fernando, meu amigo, querendo entender o que havia acontecido no maldito casamento.
Não respondi a nenhum deles. Não estava com paciência, tampouco com vontade de explicar coisa alguma. Tudo o que eu queria agora era rastrear os desgraçados do Alessandro e da Raquel e destruir o que quer que restasse deles.
Raquel me deixou no altar. E mesmo que eu tivesse conseguido contornar o escândalo, a humilhação de ser abandonado e quase envergonhado diante de todos será uma cicatriz eterna.
Mas não irei descansar… Não até os ver arruinados.
Entre as mensagens, li também as de Soraya e Sérgio, meus ex-sogros.
Sérgio, aquele verme covarde, me pedia desculpas como se fosse capaz de apagar o vexame. Já Soraya, sempre teatral, tentava aliviar a barra da filha e implorava para que eu não jogasse toda a culpa sobre eles.
Hipócritas. Todos eles.
Se eu os tolerava, era devido à Raquel. Agora, nem isso restava. Não queria ver nenhum deles, nem pintados de ouro.
O asco que sinto por essa família é mais forte do que qualquer sentimento que já tive.
E que Deus me perdoe…
Mas vou fazer questão de devolver cada gota da dor que me causaram.
A garantia de tudo? Estava bem no quarto ao lado: Sara.
Eu podia ter chutado-a após a cerimônia, mas senti de algum modo que ela ainda seria útil de alguma forma para mim. Não sei de que forma ainda, mas sei que não vou deixar que ela saia daqui sem antes pagar uma parcela do que a família dela me fez.
Não sei como lidarei com a presença dela nesta casa, mas sei de uma coisa: vou transformar cada dia dessa garota em um inferno, até que Raquel tenha a decência de aparecer.
Com esse pensamento ainda fervendo em minha cabeça, levantei-me da cadeira e voltei para o quarto. Tomei o terceiro comprimido para dor de cabeça e um calmante. O efeito começou a agir lentamente, e eu me deitei, sentindo a raiva e a traição pulsarem nos meus pensamentos. Tudo girava. A imagem de Raquel fugindo com Alessandro me invadiu como um veneno. Antes que eu pudesse fazer qualquer plano ou amaldiçoar mais alguém… apaguei.
[…]
Na manhã seguinte…
Ainda era cedo na casa de campo de Renato Salles. O sol mal havia subido por completo quando um veículo preto, luxuoso e reluzente, parou diante da entrada principal.
De dentro dele desceu uma mulher elegante. Os cabelos curtos e grisalhos, meticulosamente penteados, revelavam sua personalidade inabalável. O salto batia seco sobre o chão de pedra, e a expressão altiva em seu rosto denunciava que ela estava ali por respostas, não por cortesia.
Ao abrir a porta, a governanta da casa, Lorena, se adiantou com respeito e ligeiro nervosismo no olhar. Ela sabia que a presença da mãe de seu chefe ali não se tratava de nenhuma coincidência.

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