Enquanto eu caminhava por uma rua escura, seguindo um endereço que um número desconhecido havia me enviado, ouvia o som de risadas. Não era preciso muito para reconhecer aquelas vozes. Eu conhecia bem o timbre de Raquel e Alessandro.
Segui o som e os encontrei. Sentados numa mesa ao lado de um barzinho de rua, escondido entre paredes sujas e postes fracos. Raquel estava no colo de Alessandro, enquanto ele passava a mão pelas costas dela.
A cena me queimou por dentro. Um ódio frio subiu pelo meu corpo, e minha vontade era acabar com eles ali mesmo. Deixando que a raiva me dominasse, senti a arma que carregava em minhas mãos e a apontei para eles. No entanto, batidas distantes me arrancaram da fúria.
— Renato! — A voz da minha mãe parecia distante, quase irreal. Olhei ao redor, tentando encontrá-la, enquanto o som das batidas ficava mais forte.
De repente, meus olhos se abriram com força. Tudo aquilo não passava de um pesadelo horrível. Quase tudo.
— Renato!
A voz da minha mãe era real. Ela estava atrás da porta do meu quarto, batendo sem parar.
Levantei-me da cama, mas minha cabeça latejou. Uma dor imensa me atravessou.
— Maldição! — praguejei, lutando para me mover.
Quando finalmente abri a porta, lá estava ela: minha mãe, Constança.
— Até que enfim abriu a porta. Já estava preocupada e quase pedindo que alguém a arrombasse.
Minha mãe sempre foi dramática, e eu já havia me acostumado com aquilo. Mas naquele momento, odiava cada gesto dela com todas as minhas forças.
— O que faz aqui? — perguntei, sem humor algum.
— Como assim, o que faço aqui? Vim atrás de respostas — explicou, como se fosse óbvio, entrando no meu quarto sem pedir permissão. Sentou-se na cama, com a postura de quem não sairia dali sem saber tudo o que aconteceu.
— Não é uma boa hora para conversarmos, mãe — tentei argumentar.
— Você não atendeu minhas ligações, nem respondeu minhas mensagens. Então não pude deixar de vir. Preciso saber o que aconteceu ontem.
— O meu casamento, oras — respondi, debochado, caminhando até uma das cadeiras do quarto, já sabendo que ela não deixaria aquele assunto de lado.
— Não seja sarcástico comigo, Renato. Sabe que não gosto desses seus modos. Sou sua mãe e mereço uma explicação.
— Sei que merece, mas ainda estou tentando digerir tudo sozinho.
— O que houve, filho? Quem era aquela mulher que entrou no seu casamento vestida de noiva?
— A irmã da Raquel — respondi.
— Irmã? — Arqueou a sobrancelha, confusa. — Como assim, irmã? Onde estava a Raquel? E por que ela não apareceu no casamento?
— Ela fugiu — expliquei, sentindo a garganta amarga.
— Fugiu? Como assim?
— É isso mesmo. E quer saber a melhor parte? Ela fugiu com o Alessandro, meu melhor amigo!


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!